Marco Antônio Moreira

CINENEWS

Presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino (UFPA, IESAM, CAIANA FILMES, SESC, EMATRA, FIBRA e Casa das Artes) e coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC). Crítico de cinema na revista Troppo (O Liberal) e apresentador do programa Atualidades Cinematográficas (Rádio Liberal AM).

A imortalidade do artista

Marco Antônio Moreira

Max Von Sydow, um dos maiores atores do cinema, faleceu essa semana aos 90 anos. Sydow foi intenso em todos os trabalhos que realizou especialmente nos filmes do mestre Ingmar Bergman. Agora, ele é imortal e poderemos sempre nos emocionar com sua participação em "O Sétimo Selo", "O Rosto", "A Hora do Lobo", "Vergonha", "A Paixão de Ana", "O Exorcista", "Hannah e suas Irmãs" e "Pelle, O Conquistador", entre outros filmes. Ele será lembrado pelo seu impressionante talento. O falecimento de Max Von Sydow me lembra de uma série de artistas que estão chegando a uma idade avançada e que completam seu ciclo de vida, mas deixaram profundas marcas por meio de sua arte. É inevitável perceber que nos últimos anos diversos artistas faleceram e reforçaram a ideia de nossa mortalidade e da imortalidade da arte. Um dos exemplos que posso citar é do ator/produtor Kirk Douglas que faleceu aos 103 anos e teve uma vida de realizações cinematográficas que vai além de sua morte. Douglas viverá em cada filme que produziu e interpretou. Von Sydow também seguirá este caminho. Entendo que acompanhar durante tantos anos o trabalho de um artista, de certo modo, deixa-o constantemente vivo em nossa memória. O cinema é uma arte que eterniza o talento e a grandiosidade de um artista e, mesmo ciente do falecimento destes e outros artistas, fica o conforto que eles estarão sempre conosco. A vida é finita. A arte é eterna.

Maria Sylvia Nunes é imortal. É difícil enumerar tantas realizações que ela produziu nas artes. Gostaria de evidenciar, além da gentiliza e educação e sua relação com o teatro, sua paixão tão refinada pelo cinema ao admirar cineastas como Federico Fellini, entre tantos artistas importantes. Em 1955, Maria Sylvia com Orlando Costa e Benedito Nunes (entre outros) colaborou com a criação do primeiro cineclube de Belém, "Os Espectadores". Filmes de alta qualidade e debates exibidos neste cineclube foram importantes para contribuir com nova geração de cinemaníacos. Em 1962, com Benedito Nunes, criou o Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) para incentivar os estudos sobre a arte cinematográfica. Nos anos seguintes, Maria Sylvia (com Benedito Nunes) procurava incentivar as sessões do cineclube da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA) e, com Benedito, contribuiu para que existissem parcerias do cineclube com a Universidade Federal do Pará (UFPA). Lembro-me dela sempre com muita delicadeza e atenção nas sessões de cinema, cursos e apresentações. Em 2015, com a intenção de continuar o trabalho do CEC, solicitei sua autorização para coordenar as ações do centro e ela, gentilmente, abençoou minha iniciativa. Estivemos muito próximos quando realizei minha pesquisa de mestrado e, inevitavelmente, nossas conversas sempre tinham o cinema como foco principal. Diversas trocas de filmes e lembranças surgiram com muito carinho a partir também de informações de sua vasta biblioteca e filmoteca. Agora, Maria Sylvia é imortal e seu legado deverá ser ainda mais valorizado por todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la. Obrigado, Maria Sylvia Nunes!

INDICAÇÕES

"Uma Mulher Alta"
Filme de Kantemir Balagov
Cine Líbero Luxardo

AGENDA

Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes)

Dia 16/03 - "Das Tripas Coração" (1984) com Dina Sfat e Antonio Fagundes. Homenagem à cineasta Ana Carolina. Sessão às 19 h. Entrada franca. Debate após a exibição.

Cineclube Pedro Veriano (Casa da Linguagem)

Dia 26/03 – "Os Boas Vidas" (1953) de Federico Fellini.Com Alberto Sordi e Franco Fabrizi. Sessão às 18h. Entrada franca.

Cine Olympia

Até dia 18/03 – "O Último Diamante" de Eric Barbier. Com Yvan Attal e Bérénice Bejo. Entrada franca.

Cine Líbero Luxardo

Até dia 18/03 – "Uma Mulher Alta" de Kantemir Balagov e "Você não estava aqui" de Ken Loach.

Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) (Casa das Artes)

Dia 31/03 - Palestra sobre a obra do cineasta italiano Federico Fellini. Ação comemorativa do centenário de Fellini. Palestrante: Marco Antonio Moreira. Exibição de trechos de filmes e comentários sobre sua carreira. Emissão de certificados. Horário: 18h30min. Inscrições gratuitas.

Cine SINDMEPA (Sindicato dos Médicos do Pará):

Dia 17/03 – "I... como Ícaro"(1979) de Henri Verneuil. Com Yves Montand. Sessão às 19 h. Entrada franca. Logo após ser reeleito o presidente Marc Jarry é morto. Após um ano de investigações, uma comissão concluiu que o assassino era louco e agiu sozinho.  Entretanto um membro da comissão se recusa a assinar o relatório final e começa investigar o caso com sua equipe. Entrada franca.

ESTREIAS

"Uma Mulher Alta"

"O Último Diamante"

"Terremoto"

"A Maldição do Espelho"

"Aprendiz de Espiã"

Marco Antônio Moreira
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