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Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutor em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

A Felicidade não se Compra

Marco Antônio Moreira

A arte tem a capacidade de estimular as pessoas para crer na evolução da raça humana. A esperança na humanidade que uma obra de arte pode transmitir por meio de seus artistas para cada um de nós pode ser eterna, presente e vinculada a emoções e/ou razões muitas vezes inexplicáveis, mas suficiente para tentarmos renovar uma visão de futuro melhor para todos. Filmes, músicas, livros, óperas, shows, pinturas entre outras expressões artísticas colaboram para nossa trajetória como cidadãos culturais em constantes e necessários desejos de uma humanidade presente e democrática que envolva todos. No cinema é inevitável que como uma das artes mais influentes do século exista exemplos de união fraterna entre um filme e o espectador em torno de várias maneiras de ter esperança no ser humano e diversas obras nos lembram de humanidades, emoções, expectativas e desejos da existência de um mundo melhor por meio de suas histórias e personagens.

Lembro-me do sentimento de esperança em relação ao mundo em várias obras que marcaram minha trajetória cinéfila e tenho memórias intensas vinculadas a produções cinematográficas inesquecíveis como os filmes de Chaplin (especialmente Luzes da Cidade e Tempos Modernos), a Trilogia das Cores (A Liberdade é Azul/A Igualdade é Branca/A Fraternidade é Vermelha) e a série Decálogo de  Krzysztof Kieslowski, Noite de Cabíria (1957) de Federico Fellini, O Sol é para todos (1962) de Robert Mulligan, Espantalho (1973) de Jerry Schatzberg, O Sacrífico (1985) de Andrei Tarkovski, Manhattan (1979) de Woody Allen, Derzu Uzala (1975) de Akira Kurosawa, Fanny e Alexander (1982) de Ingmar Bergman, entre muitos outros títulos. Mas, certamente, no final de cada ano, é inevitável lembrar-se de A Felicidade não se Compra (1946) de Frank Capra, um clássico do cinema que permanentemente nos deixa encantados e esperançosos em relação à vida pela sua história repleta de fraternidade e humanidade.

a felicidade não se compra

Assisti A Felicidade não se Compra no Cinema 1 por meio de uma das programações do mestre Pedro Veriano que o considera como o melhor filme da história do cinema. Desde a primeira vez que assisti ao filme percebi a intensidade da história de George Bailey, um homem simples repleto de sonhos que sempre se preocupa com familiares, amigos e conhecidos de sua cidade, Bedford Falls. Mas, apesar de seus esforços em ser um bom cidadão e ajudar as pessoas, em uma noite de Natal ele pensa em se suicidar devido a um problema financeiro de sua empresa e discordâncias com o empresário Henry Potter, o homem mais rico da região. Mas o inusitado acontece: um anjo de guarda chamado Clarence surge para ajudá-lo e revela sua importância na vida de todos aqueles que ele auxiliou. Em flashbacks, assistimos que a ausência de Bailey teria transformado negativamente a vida da cidade e seus habitantes, familiares e amigos de modo avassalador. Ao provar que Bailey é e sempre será importante na vida de todos que ele encontrou, Clarence faz este personagem reconsiderar seu ato extremo e querer volta a sua vida.

Este exemplo de valorização da trajetória humana e seu vinculo com uma vida que é também é coletiva e que nos une, diariamente, de modo direto ou indireto, torna A Felicidade não se Compra um filme especial sobre a esperança no ser humano que deve ser sempre lembrado em qualquer época. Devemos acreditar que todos somos  George Bailey e valorizar o sentido humano de nossas histórias que podem se tornar melhores a cada nova experiência que tenha a fraternidade como premissa! Esta mensagem profunda do filme, entre outras, torna a obra de Capra cada vez mais encantadora. 

Certamente, este filme tem sua história como eixo principal para transmitir belas mensagens ao espectador, mas é necessário evidenciar o elenco maravilhoso e a direção de Frank Capra em um de seus melhores trabalhos no cinema. James Stewart como George Bailey, Donna Reed como Mary Hatch, Lionel Barrymore como Henry Potter e Thomas Mitchell como Tio Billy, entre outros atores e atrizes do elenco, contribuem de maneira extremamente talentosa com a narrativa fílmica e tornam seus personagens mais interessantes em cada cena.

O título original do filme é It´s a Wonderful Life (A vida é maravilhosa) e anuncia a proposta do diretor em ressaltar a importância de se considerar a vida como algo único que precisa ser valorizado por nós. A história original do filme de Capra foi escrita por Philip Van Doren Stern em novembro de 1939 e inicialmente foi rejeitada por vários editores, mas em 1944, o ator Cary Grant (ótimo ator com extensa carreira no cinema) e a produtora RKO Pictures se interessaram pela publicação e compraram os direitos de filmagem. Posteriormente, Grant se envolveu em outros projetos e o chefe do estúdio da RKO, Charles Koerner, pediu a Frank Capra que lesse a história de Van Doren. Capra gostou e decidiu que esta seria sua primeira produção após uma série de documentários sobre a segunda guerra mundial. E o resultado foi um momento fílmico mágico que encanta diversas gerações de espectadores que tiveram a chance de assistir ao filme no cinema, vídeo e plataformas audiovisuais.

Com a crença de que as expressões artísticas continuarão a nos estimular a seguir em frente repletos de otimismo e intenso desejo de um feliz natal e um excelente 2022 com muita esperança e fé a todos, espero que filmes como A Felicidade Não se Compra continuem como excelente exemplo para fortalecer e criar  novas esperanças sobre o ser humano para que se possa viver em um mundo melhor! 

Feliz Natal e Feliz 2022 com muita saúde e paz!

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