"Quando cheguei, ele já estava imobilizado", relata esposa de vítima morta em supermercado

Caso ocorreu na noite de quinta-feira no Carrefour do bairro Passo D'Areia, em Porto Alegre

(Com informações do portal GZH)

O caso de espancamento seguido de morte ocorrido em um supermercado da rede Carrefour de Porto Alegre (RS) repete os mesmos padrões de outros tantos vistos nos últimos meses, inclusive no aspecto mais cruel, do descaso total com a vida humana. Enquanto João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, era imobilizado e agredido brutalmente, sua esposa, Milena Borges Alves tentava em vão deter os agressores, a maioria deles PMS temporários - egressos das Forças Armadas que ingressam na Brigada Militar por meio de uma seleção diferenciada.

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Milena estava ao lado do marido desde o momento em que ele foi abordado por cinco pessoas que atuavam no estabelecimento - três homens e duas mulheres, segundo ela - e conduzido para o estacionamento do supemercado. "Eu estava pagando no caixa. Ele desceu na minha frente. Quando cheguei, ele já estava imobilizado. Ele pediu ajuda, quando fui, os seguranças me empurraram", contou ela, emocionada. 

Ainda consciente, no chão, João chamou pela companheira. "Ele disse 'Milena me ajuda', mas os seguranças não deixaram eu me aproximar. Seguiram com o pé em cima dele, e quando desmaiou, continuaram com o pé em cima dele. Um pé nas costas eu vi - relatou, na manhã desta sexta-feira (20), quase doze horas após o fato. "Ninguém me disse nada depois que ele estava desmaiado", relembra, com a fala engasgada.

Sobre o gesto do marido direcionado à funcionária do Carrefour que hipoteticamente teria provocado o acionamento dos seguranças do estabelecimento, ela relatou: 'Ele só fez assim com a mão (faz um gesto de 'sai, sai'), nada demais, era um brincalhão. 

A esposa passou a madrugada no Palácio da Polícia, onde a ocorrência foi registrada. O pai cuidou dos trabalhos de liberação do corpo no Departamento Médico-Legal (DML).

O casal não tinha filhos, vivia apenas com o gato Chuxo, no mesmo condomínio em que mora a mãe de Milena. Os amigos relatam que João, aposentado por invalidez, era uma pessoa tranquila. "Um cara que não fazia mal para ninguém. Fazia churrasco por aqui sempre", contou Marco Antônio da Silva Pereira, dono de uma estofaria.

Na praça próxima do condomínio onde Jorge morava e onde costumava descansar, um frequentador se espanta ao ver a foto da vítima: "Um parceirão. E bem no dia da consciência negra".

Entenda o caso

O fato ocorreu na noite da quinta-feira (19) e, de acordo com informações preliminares, foi precedido por uma discussão dentro do estabelecimento com uma funcionária, um segurança de uma empresa terceirizada e um PM temporário. Os dois homens, identificados como Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, foram detidos e presos em flagrante por homicídio qualificado. 

Segundo o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídios, a funcionária do Carrefour, que atua como fiscal de caixa, afirma que João teria feito um gesto que ela interpretou como uma tentativa de agressão. A mulher se sentiu ameaçada e chamou os seguranças, que levaram o cliente para fora do estabelecimento. Freitas foi imobilizado e espancado do lado de fora do Carrefour, no estacionamento. 

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