Demolição do Teatro Procópio Ferreira começa e provoca comoção entre artistas

Símbolo da história cultural paulistana, espaço inaugurado em 1948 e marcado por grandes montagens e pelo programa Sai de Baixo começa a ser demolido e gera indignação entre artistas.

Jéssica Nascimento
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A demolição do Teatro Procópio Ferreira, um dos espaços culturais mais tradicionais de São Paulo, teve início nesta semana. Imagens publicadas nas redes sociais na sexta-feira (23) mostram a retirada da fachada do prédio, localizado na Rua Augusta, no bairro dos Jardins. Inaugurado em 1948, o teatro ficou conhecido em todo o país por ter sido o palco das gravações do programa Sai de Baixo, da TV Globo, exibido entre 1996 e 2002.

A destruição do espaço causou forte repercussão entre artistas e profissionais da cultura. Ao longo de 77 anos de história, o Teatro Procópio Ferreira recebeu montagens marcantes e nomes consagrados do teatro brasileiro, como Paulo Autran (1922–2007) e Tônia Carrero (1922–2018). Entre os espetáculos de destaque que passaram por seu palco estão Mulheres Alteradas, Às Favas com os Escrúpulos e os musicais Cabaret e Tim Maia – Vale Tudo.

Diversos famosos manifestaram tristeza e indignação com a demolição. Miguel Falabella, ator, autor e diretor, relembrou sua ligação afetiva com o local: afirmou que o teatro foi sua casa durante os anos de Sai de Baixo e cenário de muitos projetos posteriores, lamentando o desaparecimento de mais um espaço cultural na maior cidade do país.

Bruno Mazzeo resumiu o sentimento com um simples “que tristeza”, enquanto o cineasta Kleber Mendonça Filho classificou a demolição como inacreditável, ressaltando que São Paulo perde um teatro com 77 anos de história justamente no século 21. 

Luana Piovani destacou a importância do espaço em sua trajetória pessoal e profissional, mencionando a emoção ao ver as imagens da destruição. Gabriela Medvedovsky e Rosane Gofman também manifestaram pesar.

Erica Montanheiro criticou duramente a gestão pública, afirmando que São Paulo estaria se tornando um “túmulo da cultura”, citando também a demolição do Teatro de Contêiner e denunciando o descumprimento de promessas feitas à companhia que ocupava o espaço. Para ela, projetos culturais inovadores como esse seriam valorizados em outros países.

Paulo Betti adotou um tom mais contundente, classificando o ocorrido como uma decisão política e afirmando que não se trata apenas de tristeza, mas de indignação. 

O ator ressaltou a importância histórica do teatro e cobrou responsabilidade dos gestores públicos, defendendo mobilização política. Carol Castro definiu a situação como “devastadora”, enquanto Bárbara Bruno expressou dor e consternação com a perda do espaço.

 

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