Colégio de SP expulsa 8 alunos após ataques racistas em grupo de WhatsApp

A medida foi tomada após a divulgação de mensagens com referências a Hitler, antissemita, racista e misógino

Karoline Caldeira

Um grupo de WhatsApp criado no dia 30 de outubro culminou na expulsão de oito alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo. Denominado de Fundação Antipetismo e composto por diversos estudantes da instituição, mensagens racistas, antissemitas, misóginas e com referências a Hitler foram divulgadas nas redes sociais e ganharam repercussão nacional.

As denúncias partiram de Antônio, um estudante negro de 15 anos que foi adicionado no grupo e, ao questionar as imagens, foi excluído. "Quero que esses nordestinos morram de sede", escreveu um dos membros do grupo. Outra mensagem tinha figurinhas de suásticas, símbolo do nazismo. Uma terceira dizia: "A Fundação dos Pro Reescravização do Nordeste".

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Após ser excluído, o estudante denunciou o conteúdo do grupo e foi novamente alvo de ofensas. Além disso, realizou uma manifestação na escola por não se sentir confortável em estudar no mesmo colégio que pessoas que fazem referência a nazistas. "Para todos esses alunos que fizeram esses comentários, é expulsão neles. Eles não podem ficar nesta mesma escola”, disse durante o ato acompanhado de amigos. Confira algumas das mensagens:

Mensagens compartilhadas após o resultados das eleições de 2022

Em nota, o Colégio Visconde de Porto Seguro informou que desligou os jovens após uma apuração interna do caso que está sendo investigado pela Polícia Civil. Segundo o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), José Henrique Ventura, os responsáveis estão sendo identificados e que pelo menos um crime foi cometido, mas outros podem ser verificados durante a investigação.

"Pode ser até apologia a alguma outra coisa, mas a injúria racial está caracterizada. Esse expediente será encaminhado provavelmente ainda hoje [terça] para o Juizado da Infância e Juventude. Lá o Ministério Público vai se manifestar. O juiz da Infância e Juventude vai instruir e aplicar a penalidade que ele achar aplicável ao caso que não seja medida restritiva de liberdade porque são adolescentes", afirmou o diretor.

Já o advogado dos adolescentes que foram expulsos, Ralph Tórtima Stettinger Filho, afirmou que a decisão da instituição foi precipitada. "Primeiramente, porque os fatos alardeados ocorreram no domingo, imediatamente após o resultado das eleições, portanto fora do contexto escolar. Também, porque jamais houve o direcionamento de ofensa racial a qualquer aluno da escola", argumentou o advogado.

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"O que houve, sim, foi a evidente distorção dos fatos por quem os denunciou. Não tenho dúvida de que a desinformação colaborou para essa equivocada decisão. É algo que facilmente será demonstrado e merece correção. Esses pré-adolescentes sequer tiveram a oportunidade de serem ouvidos, quando então esclareceriam o ocorrido. Vejo que o aspecto comercial preponderou na decisão do Colégio em relação ao humano, contrariando o que se espera de educadores", completou Tórtima. Com informações do portal G1.

Confira a nota completa do colégio:

"O Colégio Visconde de Porto Seguro preceitua a todos os seus alunos, há mais de 140 anos, valores éticos e de respeito ao próximo, praticados e reforçados continuamente, da Educação Infantil ao Ensino Médio e Abitur, de forma a fortalecer o reconhecimento e valorização da diversidade.

Prosseguindo com a apuração das manifestações de alunos de nosso Colégio em redes sociais no início desta semana, reiteramos nossa consternação e indignação com o conteúdo de caráter racista, antissemita e misógino de algumas dessas mensagens.

Reforçamos nosso repúdio veemente a toda e qualquer forma de discriminação e preconceito, os quais afetam diretamente nossos valores fundamentais. Nesse sentido, o Colégio aplicou aos alunos envolvidos as sanções disciplinares cabíveis nos termos do Regimento Escolar, inclusive a penalidade máxima prevista, que implica seu desligamento imediato desta instituição.

Considerando o atual contexto de intolerância e violência verificado em nossa sociedade, o qual se reflete nas famílias e grupos de amigos, em vista dos fatos recentes, o Colégio reforçará suas práticas antirracistas, de conscientização e respeito à diversidade, em todos os câmpus, abordando o assunto de forma ainda mais contundente em suas pautas cotidianas, com iniciativas envolvendo a comunidade escolar, inclusive com apoio de consultoria especializada, para procurar evitar a reincidência de uma situação gravíssima e inadmissível como essa.

Reiteramos nossa solidariedade e apreço a todos que foram ofendidos e continuaremos prestando o devido acolhimento aos alunos e famílias.

Seguiremos cumprindo a nossa missão de promover a educação e a cidadania, auxiliando nossos alunos no desenvolvimento da empatia e respeito ao outro, para a promoção de uma cultura de paz e tolerância mútua.

Contamos com o apoio muito próximo das famílias e dos alunos nessa caminhada, inclusive com o uso consciente das mídias sociais.

(Estagiária Karoline Caldeira, sob supervisão do editor web de OLiberal.com, Felipe Saraiva)

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