Trabalhadores reclamam da demora na conclusão das obras no Porto do Açaí
Eles pedem o flutuante, que facilitaria o desembarque de passageiros e de mercadorias
As obras no Porto do Açaí, no Jurunas, em Belém, estão demorando muito, afirmam os trabalhadores e empreendedores que atuam com a venda do açaí, atividade que movimenta bastante aquele local.
“Eu trabalho com propaganda também, e sempre cobro (a conclusão dos trabalhos) nas minhas redes sociais”, acrescentou o empresário Alaelcio Farias, 30 anos, na manhã desta terça-feira (15). “Ainda não colocaram o flutuante. A não conclusão das obras causa transtorno para quem vem das ilhas (próximas a Belém), para quem vende açaí e, também, para os carregadores de açaí”, contou. Veja imagens:
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A situação é pior para os que carregam os frutos nas costas. “Tem que descer na lama mesmo”, afirmou, referindo-se ao fato dos trabalhadores terem que entrar na água para pegar o açaí que chegam nas embarcações oriundas das ilhas de outras cidades da região. “A rampa não existe. É uma escada improvisada de madeira. Pessoas já caíram”.
Rodrigo Oliveira, 36, há mais de 15 anos carrega açaí no porto, onde funciona a feira, e que registra uma movimentação intensa, começando pela madrugada. No caso dele, o produto vem do Acará e Barcarena. Rodrigo falou sobre a obra que não termina. “Atrapalha o nosso porto. A obra tá parada. É ruim”, afirmou. Rodrigo disse que é muito difícil o desembarque das pessoas, que, por falta do flutuante, correm o risco de sofrer acidente, sobretudo as mais idosas, crianças e aquelas e com dificuldade de locomoção, e doentes. “Também atrapalha quem quer vender. Tá quase pra cair esse trapiche. Tudo podre”, afirmou.
“Tudo isso atrapalha o nosso porto. A obra tá parada. É ruim. E também atrapalha quem quer vender. Tá quase pra cair esse trapiche. Tudo podre”, afirma Rodrigo Oliveira, 36, que há 15 anos carrega açaí no porto
Obras de requalificação deveriam ter acabado há um ano
Márcio Muci vende açaí no porto. “A nossa feira, antigamente, era muito precária. Graças a Deus, tivemos uma boa melhora aqui. Temos uma boa infraestrutura agora”, disse. “Só que, infelizmente, não foi entregue no prazo. A gente está sem o nosso flutuante. A gente está com a obra inacabada ainda. Já está acabando a gestão do prefeito e, infelizmente, ainda não foi entregue a nossa feira. Ainda estão terminando os boxes. Só está mesmo a compra e venda de açaí aqui”, afirmou, acrescentando que não estão funcionando os banheiros e nem o estacionamento.
“Antigamente a nossa feira era muito precária. Tivemos uma melhora na infraestrutura agora. Só que, infelizmente, não foi entregue no prazo. A gente está sem o flutuante e com a obra inacabada ainda. Já está acabando a gestão do prefeito e ainda não foi entregue a nossa feira. Ainda estão terminando boxes”, reclama Márcio Muci, que vende açaí na área
Atos denunciaram atraso de obras ainda no ano passado
Em outubro de 2019, trabalhadores fecharam a Bernardo Saião, no Jurunas, após um acidente ocorrido com um estivador no porto. Eles atearam fogos a paus e caixotes para reclamar das condições precárias da estrutura da ponte do Porto do Açaí.
As obras de requalificação da estrutura iniciaram em novembro de 2015 e tinham previsão para terminar em dezembro de 2019. O porto é importante para o escoamento de produtos oriundos das comunidades ribeirinhas e de outros municípios. É intenso o movimento de trabalhadores descarregando açaí.
A redação integrada de O Liberal entrou em contato com a Prefeitura de Belém para saber os motivos do atraso nas obras, as providências tomadas e o novo prazo previsto para a entrega, mas ainda aguarda respostas. Acompanhe.
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