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Pela segunda vez em abril, trabalhadores da Monte Cristo paralisam atividades de ônibus em Belém

O protesto ocorre na manhã desta quarta-feira (29), em reivindicação contra o atraso no pagamento de salários e outros direitos trabalhistas.

O Liberal
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Pela segunda vez em menos de 15 dias, trabalhadores da empresa Monte Cristo paralisaram as atividades em Belém. O protesto ocorre na manhã desta quarta-feira (29), em reivindicação contra o atraso no pagamento de salários e outros direitos trabalhistas.

Motoristas e cobradores denunciam que não receberam os vencimentos dentro do prazo, além de relatarem problemas no fornecimento do ticket alimentação e pendências relacionadas ao pagamento de férias. Segundo a categoria, a situação tem afetado diretamente o sustento dos trabalhadores.

Esta é a segunda paralisação registrada no mês de abril. A primeira ocorreu no último dia 15, quando os funcionários também suspenderam as atividades pelas mesmas reivindicações.

A empresa Monte Cristo é responsável por operar diversas linhas importantes do transporte público em Belém, ligando bairros como Pedreira, Sacramenta e Marex a áreas centrais da cidade. Entre os itinerários atendidos estão:

Pedreira/Lomas (Lomas/Euclides da Cunha e BR-316);

Sacramenta-Humaitá;

Sacramenta-São Brás;

Sacramenta-Presidente Vargas;

Pedreira-Nazaré;

Marex-Arsenal CDP/Providência-Ver-o-Peso.

A paralisação impacta diretamente a rotina de passageiros que dependem dessas linhas, especialmente no horário de maior movimento. Até o momento, não há informações sobre previsão de normalização do serviço.

Posicionamento

Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém informou que acompanha a paralisação envolvendo empresa associada e as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

"O transporte coletivo urbano é um serviço essencial e enfrenta, em todo o Brasil, forte pressão de custos. O óleo diesel, que representa parcela relevante da operação, tem registrado sucessivos aumentos, impactando diretamente o funcionamento do sistema. Ao mesmo tempo, a tarifa pública permanece defasada em relação ao custo real do serviço, não cobrindo integralmente a operação. Esse cenário gera desequilíbrio econômico-financeiro, afetando a capacidade de manutenção, investimento e regularidade do transporte", comunicou.

O Setransbel ainda ressaltou que a superação desse contexto exige soluções estruturantes, com a participação do poder público, dos operadores e da sociedade, a fim de garantir a continuidade do serviço. "Reafirma o respeito aos trabalhadores e à população, acompanhando a situação e defendendo o diálogo para a normalização das atividades", finalizou.

O que diz a empresa:

A Auto Viação Monte Cristo Ltda divulgou nota afirmando que, apesar das dificuldades, mantém 80% dos colaboradores com salários e ticket alimentação em dia, destacando o compromisso com os trabalhadores como prioridade. A nota foi divulgada por meio do seu procurador judicial, Pablo Buarque Camacho, "em respeito à população de Belém, aos seus colaboradores e aos meios de comunicação".

Ele citou o compromisso com os trabalhadores. “A Monte Cristo reitera que o esforço para garantir a remuneração da grande maioria dos trabalhadores é prioritário, mesmo diante da escassez de recursos”, diz. Sobre o contexto da recuperação judicial, a empresa afirma que o aumento sucessivo no custo dos insumos, especialmente do óleo diesel, "comprometeu severamente a capacidade de investimento e operação da empresa. Tal cenário motivou o pedido de recuperação judicial em 2023, um mecanismo legal utilizado para preservar a manutenção dos serviços e os postos de trabalho enquanto a empresa reorganiza suas dívidas".

A nota também cita o impasse judicial dos ônibus "Geladão". "O maior obstáculo enfrentado no momento é a apreensão de 12 ônibus do tipo 'Geladão', ocorrida há pouco mais de um mês, por determinação da 35ª Vara Cível de São Paulo. É fundamental esclarecer que a Justiça do Estado do Pará, por meio de decisões da 5ª Vara da Fazenda Pública e da 12ª Vara Cível e Empresarial de Belém, já reconheceu formalmente que esses veículos são bens essenciais da empresa recuperanda (empresa que está em recuperação judicial). Por se tratar de um serviço público essencial, os magistrados paraenses determinaram a imediata devolução dos ônibus à frota". 

A nota da empresa também cita o impacto à população e à receita. “Até a presente data, as decisões da Justiça do Pará para a devolução dos veículos ainda não foram cumpridas. A ausência desses 12 ônibus - que representam a principal fonte de receita da empresa - gera um ‘efeito dominó” devastador: retira o sustento financeiro necessário para quitar o restante da folha de pagamento e impede que a população usufrua de veículos modernos e refrigerados". 

Conclusão, informa ainda a nota. “A Auto Viação Monte Cristo Ltda reafirma seu compromisso com o diálogo junto ao sindicato e às autoridades. A empresa segue empenhada juridicamente para reaver sua frota, restaurar sua capacidade plena de pagamento e, acima de tudo, garantir um transporte digno e contínuo para a sociedade paraense".

 

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