Pará tem unidade de conservação com árvore gigante entre as mais afetadas pelo desmatamento

A informação é do relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, publicado na última quarta-feira (4) pelo Imazon

O Liberal
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A Floresta Estadual do Paru, localizada no oeste do Pará e que abriga a quarta maior árvore do mundo, foi a segunda unidade de conservação estadual mais ameaçada pela devastação na Amazônia no último trimestre de 2025. Os dados são do relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, publicado na última quarta-feira (4) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A área já havia aparecido no ranking entre outubro e dezembro de 2024, quando ocupou a primeira posição entre as UCs estaduais mais ameaçadas.

A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) sobre o assunto. A reportagem aguarda retorno. De acordo com o Imazon, a região integra o maior bloco contínuo de unidades de conservação e terras indígenas do mundo, abrigando a maior árvore da América Latina: um angelim-vermelho de 88,5 metros de altura. Além disso, abriga outros exemplares de árvores gigantes, o que a torna um santuário para a biodiversidade.

No período entre outubro e dezembro de 2025, três Unidades de Conservação estaduais do Pará apareceram entre as mais ameaçadas do país: a APA do Lago de Tucuruí, que lidera o ranking nacional; a FES do Paru, em segundo lugar; e a RDS Vitória de Souzel, que ocupa a décima posição.

Papel estratégico

Segundo a diretora do Programa de Áreas Protegidas do Imazon, Jakeline Pereira, o local desempenha papel estratégico na proteção da Amazônia. “Além de abrigar espécies únicas da fauna e da flora, é fundamental para o equilíbrio climático e para o fornecimento de produtos florestais madeireiros à indústria, bem como de produtos não madeireiros, como a castanha, que sustentam populações locais. Sua preservação é essencial em escala global”, afirma.

Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total desmatado nos territórios amazônicos, o relatório utiliza uma metodologia específica, conforme explica o instituto. A Amazônia Legal é dividida em quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores identificaram quantas dessas células registraram ocorrência de desmatamento.

A partir desse mapeamento, é possível apontar quais estão mais pressionadas, aquelas que concentram o maior número de células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais ameaçadas, caracterizadas pela maior concentração de desmatamento em seu entorno, em um raio de até 10 km. Essa abordagem permite antecipar o avanço da devastação sobre áreas protegidas.

“Indicar esse cenário com antecedência na Floresta do Paru é essencial para conter o avanço de problemas ambientais. Quando não enfrentada, a ameaça tende a se transformar em invasões dentro da unidade. Agir preventivamente é decisivo para impedir que essa pressão ambiental se consolide”, afirma a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

Reserva Chico Mendes foi a área protegida mais afetada pela derrubada dentro de seu território

Entre as áreas protegidas mais pressionadas, que incluem as terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, foi a AP mais atingida pela derrubada entre outubro e dezembro de 2025.

Na comparação com o mesmo período de 2024, houve uma redução de aproximadamente 40% no número de células registradas. Apesar da queda, a unidade manteve a liderança no ranking. Além disso, a reserva já vinha aparecendo desde o relatório dos meses de abril a junho de 2025.

“Quando uma unidade apresenta pressão, significa que o desmatamento já está acontecendo dentro do território, o que representa um impacto direto nas comunidades tradicionais que vivem da natureza e dependem dela para sua subsistência”, afirma o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

O levantamento evidencia a concentração dos alertas no Pará, que teve seis áreas protegidas sob pressão. O mesmo padrão se repete na análise das mais ameaçadas, com sete AP’s paraenses. Nesse cenário, se destaca a Floresta Nacional de Saracá-Taquera, que apareceu no topo da análise.

Terras Indígenas seguem sob ameaça e pressão do desmatamento

A terra indígena Trincheira/Bacajá e a Arara foram as mais ameaçadas na Amazônia entre outubro e dezembro de 2025. O levantamento ainda mostra que sete das dez TIs com maior nível de ameaça já haviam aparecido no ranking do mesmo período de 2024, indicando a persistência do avanço da derrubada.

Na análise das terras indígenas mais pressionadas pelo desmatamento, a liderança ficou com a TI Cachoeira Seca do Iriri, no Pará, e a TI Waimiri Atroari, localizada entre os estados do Amazonas e de Roraima. Todas as dez terras indígenas com ocorrências também haviam sido identificadas no último trimestre de 2024.

“Quando esses territórios aparecem de forma recorrente nos levantamentos, fica evidente que a destruição não é pontual, mas sim o resultado de um processo contínuo. Esse cenário exige ações imediatas e contínuas de fiscalização para impedir a consolidação dessas invasões, além de medidas efetivas de proteção que garantam os direitos dos povos originários”, aponta Bianca.

Unidades de Conservação Estaduais com Mais Ameaças (Outubro a dezembro de 2025)

  • APA do Lago de Tucuruí — PA
  • FES do Paru — PA
  • FES Afluente do Complexo do Seringal Jurupari — AC
  • APA Baixada Maranhense — MA
  • FES do Rio Gregório — AC
  • APA de Nhamundá — AM
  • APA Guajuma — AM
  • FES do Antimary — AC
  • APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo) — AM
  • RDS Vitória de Souzel — PA

Fonte: Imazon

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