Padre Cláudio Pighin destaca humildade e fraternidade em homilia sobre o Evangelho de Lucas
Na celebração do 22º Domingo do Tempo Comum, sacerdote reforçou que o verdadeiro poder no Reino de Deus está na humildade, no despojamento e na acolhida aos mais necessitados.

Na homilia do 22º Domingo do Tempo Comum (Lc 14,1.7-14), o padre Cláudio Pighin, responsável por ministrar as missas dominicais na sede do Grupo Liberal, refletiu sobre o Evangelho de Lucas, destacando que a passagem apresenta uma cena simples e cotidiana para ensinar valores profundos sobre humildade e relacionamento com Deus. Ele explicou que o texto bíblico se divide em três partes: um convite para um almoço, a disputa pelos lugares de honra e os critérios para elaborar a lista de convidados.
Segundo o sacerdote, o banquete relatado no Evangelho simboliza o Reino de Deus, no qual todos são convidados a participar. Ele afirmou que, ao contrário da lógica divina, a sociedade valoriza prestígio e posições de destaque, o que reforça o orgulho e o ego humano.
“Por meio de uma cena familiar, Lucas nos conta como o Mestre Jesus orienta o comportamento com Deus, consequentemente, com as pessoas”, disse Pighin. Ele destacou que “é nesse contexto que o Mestre observa como os convidados disputam os lugares da mesa para escolher os melhores”.
O padre também lembrou a parábola em que Jesus orienta os fiéis a não buscarem os primeiros lugares em uma festa, mas a escolherem os últimos. Para Pighin, essa atitude é uma lição de humildade que vai além da educação: “Essa aula de despojamento não é somente uma questão de boa educação, mas é uma regra de vida em relação a Deus. Porque é Ele que confere a honra e a dignidade da pessoa”.
Misturando reflexão e análise bíblica, o sacerdote reforçou que o poder no Reino de Deus não está no status, mas na humildade. “Nesse sentido, o Nazareno declara aos chefes de Israel: ‘Qual é o verdadeiro poder que constrói as relações do Reino de Deus?’. O poder fundado na humildade revela a presença de Deus”, diz.
Despojamento
Ele lembrou ainda que a encarnação de Jesus é o maior exemplo desse despojamento. Isso porque Deus que se faz homem e assume toda a humanidade, exceto o pecado. Pighin também destacou que, se o próprio Cristo se humilhou, os cristãos devem seguir o mesmo caminho.
“Se Deus se humilha, quem somos nós para fazer o contrário? O seu despojamento é o grande exemplo para todos nós. É um despojamento que, de um lado, se torna muito humilde, mas de outro ponto de vista é glorioso, porque ajuda, solidariza, é capaz de reconciliar e amar”, relata.
Fraternidade
Para o sacerdote, viver esse espírito de humildade elimina preconceitos e incentiva o encontro com os que mais necessitam. Ele afirmou que a palavra de Deus convida os fiéis a investirem na fraternidade, especialmente em favor daqueles que nada podem oferecer em troca. “Esse jeito de vida é que funda a comunidade do Mestre Jesus, enquanto constitui a família de Deus, e uma verdadeira família não pode haver exclusão, mas, ao contrário, acolhida. Este é o ensino de Jesus que martelou o tempo todo na sua passagem nesse nosso pequeno planeta Terra”, diz o padre.
Ao concluir a homilia, Pighin afirmou que os ensinamentos de Cristo subvertem os valores mundanos e convidam a uma felicidade verdadeira, baseada na partilha e no amor. “O ensino que vira de cabeça para baixo os valores mundanos. Quem consegue ver essa orientação do Nazareno é feliz. Uma felicidade preenchida não de pompas e obras, mas de doação e partilha com todos”, relata, ao provocar a reflexão dos fiéis: “O Messias Jesus se preocupa para te dar a verdadeira felicidade. Você aceita isso ou se deixa atrair pela felicidade do mundo?”.
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