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No Pará, período chuvoso aumenta risco de doenças transmitidas por moscas; veja como se livrar delas

Calor, alta umidade, lixo exposto e falhas no saneamento básico criam o cenário ideal para o aumento desses insetos, que atuam como vetores ou transporte para diversos microrganismos perigosos à saúde humana

Fernando Assunção (Especial para O Liberal)

Com a intensificação do período chuvoso em Belém e na Região Metropolitana, um velho problema volta a ganhar força: a proliferação de moscas e o risco de transmissão de doenças. Calor, alta umidade, lixo exposto e falhas no saneamento básico criam o cenário ideal para o aumento desses insetos, que atuam como vetores ou transporte para diversos microrganismos perigosos à saúde humana.

Segundo o médico Carlos Lutian, as moscas podem transportar uma grande variedade de agentes infecciosos. Entre eles estão bactérias causadoras de doenças diarreicas, como Salmonella, Shigella, Escherichia coli, Vibrio cholerae e Campylobacter, além de parasitas intestinais como Giardia e Cryptosporidium. Vírus entéricos, como norovírus e rotavírus, também já foram detectados nesses insetos por métodos laboratoriais.

“A transmissão ocorre de forma mecânica, quando a mosca pousa, regurgita ou defeca sobre alimentos e superfícies”, explica Lutian. De acordo com o especialista, uma única mosca pode carregar milhares de unidades de bactérias, capazes de contaminar alimentos em poucos segundos de contato. Em ambientes como feiras, mercados, restaurantes de rua e áreas com acúmulo de lixo ou esgoto, o risco é ainda maior.

Além das diarreias infecciosas, outro problema associado às moscas é a míase, infestação por larvas que podem atingir a pele, feridas ou cavidades como nariz e boca. A condição, considerada endêmica em partes da Amazônia, causa dor, secreção e pode levar a complicações se não tratada. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunocomprometidas estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves das doenças transmitidas por esses insetos.

Em Belém, o cenário se agrava durante o inverno amazônico. O professor Flávio Albuquerque, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca que as moscas são mais abundantes em períodos quentes e úmidos, como o atual. “A umidade favorece a decomposição da matéria orgânica, que é onde muitas espécies se alimentam e se reproduzem. Em regiões tropicais, esse efeito é ainda mais forte”, afirma.

Dentro das casas, a espécie mais comum é a mosca-doméstica (Musca domestica), altamente adaptada à convivência humana. Também são frequentes as moscas-varejeiras, de coloração metálica, e as moscas-das-frutas, que se concentram em restos de vegetais. O ciclo de vida desses insetos é rápido, durando cerca de 30 dias, e se acelera com temperaturas elevadas, o que explica os picos populacionais nesta época do ano.

Para a engenheira ambiental e sanitarista Mílian Martins, a proliferação de moscas está diretamente ligada a falhas estruturais. “Lixo e esgoto são os ambientes ideais para a reprodução das moscas. Quando há descarte irregular de resíduos ou esgoto a céu aberto, a população desses insetos aumenta significativamente. Isso é um problema claro de saúde pública”, ressalta.

A prevenção, segundo os especialistas, passa principalmente por medidas simples, como manter o lixo bem fechado, descartar resíduos regularmente, não deixar alimentos expostos, recolher fezes de animais e cuidar de caixas de gordura e sistemas de esgoto domésticos. O uso de telas em portas e janelas também ajuda a reduzir a entrada das moscas nos ambientes internos.

Métodos como raquetes elétricas e inseticidas podem até ajudar momentaneamente, mas não resolvem o problema sozinhos. “Eles eliminam a mosca que está ali, mas não atacam a causa. Sem eliminar a fonte de atração, o problema volta”, alerta Mílian Martins. A engenheira recomenda ainda cautela no uso de inseticidas, especialmente em casas com crianças, idosos ou animais.

Apesar da má fama, Flávio Albuquerque lembra que as moscas têm papel essencial na natureza, atuando na decomposição da matéria orgânica, na reciclagem de nutrientes e até na polinização de culturas importantes para a região, como o cacau. “O problema não é a existência das moscas, mas o desequilíbrio causado por ambientes insalubres”, conclui.

Como se prevenir contra doenças associadas às moscas

  • Manter o lixo sempre bem fechado e realizar o descarte regularmente, evitando o acúmulo de resíduos orgânicos
  • Não deixar restos de alimentos expostos, especialmente em cozinhas, feiras e áreas de preparo de comida
  • Cobrir alimentos prontos e ingredientes crus para evitar o contato com moscas
  • Recolher fezes de animais domésticos e manter caixas de areia, quintais e currais sempre limpos
  • Cuidar da manutenção de caixas de gordura, ralos e sistemas de esgoto domiciliares
  • Evitar esgoto a céu aberto e denunciar pontos de descarte irregular de lixo
  • Instalar telas em portas e janelas para reduzir a entrada de moscas nos ambientes internos
  • Redobrar a higiene das mãos, principalmente antes das refeições e do preparo de alimentos
  • Utilizar água tratada, filtrada ou fervida, sobretudo no período chuvoso
  • Em residências e comércios com grande infestação, contratar empresas especializadas e regularizadas para controle de pragas
  • Evitar o uso excessivo de inseticidas e defumações dentro de casa, especialmente onde há crianças, idosos, gestantes ou animais
  • Procurar atendimento de saúde em casos de diarreia persistente, com sangue, febre alta, sinais de desidratação ou lesões suspeitas na pele

 

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