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'Nenhum medicamento para obesidade faz milagre', alerta endocrinologista

A obesidade deve ser encarada como uma doença crônica, complexa e multifatorial, assim como hipertensão ou diabetes

Bruna Lima
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Nenhum medicamento para obesidade faz milagre! Mesmo os mais eficazes dependem de acompanhamento médico, alimentação equilibrada, prática de exercícios e uma adaptação metabólica sustentável. Esse é um dos destaque feitos pelo endocrinologista Rubens Tófolo Jr. “Se parar um tratamento que durou 12 meses e voltar à mesma rotina de antes desse tratamento, é claro que vai ganhar peso”, afirma. Segundo ele, entender essa realidade é essencial para que pacientes encarem as chamadas canetas emagrecedoras como parte de um processo de mudança de estilo de vida, e não como uma solução instantânea.

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Ganho de peso é mais rápido após parar de usar canetas emagrecedoras

Um estudo recente, publicado na revista científica British Medical Journal, aponta que pessoas que interrompem o uso de medicamentos para emagrecimento, como Mounjaro e Wegovy, podem recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que indivíduos que deixam dietas convencionais e programas de exercícios físicos. Na análise, realizada a partir de 37 estudos com mais de 9 mil pacientes, constatou-se que, depois de suspender a medicação, o ganho de peso pode ocorrer em ritmo acelerado, em média cerca de 0,4 kg por mês, e levar a maioria de volta ao peso inicial em cerca de 18 meses, enquanto a recuperação após dietas isoladas tende a ser mais lenta. 

Do ponto de vista hormonal e metabólico, o endocrinologista explica que as canetas emagrecedoras são baseadas no hormônio GLP-1, produzido naturalmente no intestino, que regula a insulina, a saciedade e a digestão. Enquanto o paciente usa o medicamento, há uma redução significativa da fome, aumento da sensação de plenitude após refeições e desaceleração da digestão , o que leva a uma queda espontânea na ingestão calórica.

“O paciente passa a quase rejeitar alimentos como doces, massas e até o álcool”, diz o endocrinologista, ressaltando o papel desses medicamentos no equilíbrio do açúcar no sangue e nas respostas metabólicas. Porém, quando a medicação é interrompida de forma abrupta, esses efeitos cessam e o corpo tende a retomar seus padrões anteriores, o que pode acelerar o retorno do peso.

Relato de quem utiliza medicamento injetável para emagrecer

A empresária Débora Goldenberg relata que utiliza medicamentos injetáveis para emagrecimento há cerca de oito anos, sempre com acompanhamento médico. No início do tratamento, chegou a pesar 87 quilos e, atualmente, mantém 64 quilos, sem episódios de reganho significativo de peso ao longo do período. Segundo ela, o processo foi feito com pausas estratégicas e retomadas focadas na manutenção dos resultados.

Débora conta que começou com as primeiras versões das chamadas “canetas” para emagrecimento, passando por diferentes medicamentos lançados ao longo dos anos. Em um dos momentos iniciais, chegou a perder seis quilos em apenas um mês. Para ela, o Monjaro foi o mais eficiente entre todos os que utilizou. “Já usei todas as canetas que tinham no mercado, mas essa foi, sem dúvida, a melhor”, afirma.

O emagrecimento gradual, segundo a empresária, foi fundamental para evitar flacidez e preservar a massa muscular. Além do uso dos medicamentos, ela seguiu um protocolo médico que incluía suplementação específica e tratamentos estéticos, sem recorrer a cirurgias plásticas. “Nunca fiz cirurgia. Consegui meu corpo aos poucos, recuperei a cintura e a diferença é muito grande”, relata.

Atualmente, Débora mantém uma rotina de alimentação equilibrada e acompanhamento médico contínuo. Para ela, o resultado do tratamento foi comparável ao de uma cirurgia bariátrica, porém sem procedimentos invasivos, reforçando a importância da orientação profissional durante todo o processo.

Obesidade é doença complexa, diz endocrinologista

O endocrinologista Rubens Tófolo Jr diz que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica, complexa e multifatorial, assim como hipertensão ou diabetes. “Essas canetas são indicadas para tratar a doença, e podem e devem ser utilizadas de forma prolongada ou até contínua, dependendo da avaliação médica”, afirma. Ele ressalta que não existe efeito rebote inerente ao medicamento, o que há são consequências de um uso inadequado, interrupções sem orientação e falta de mudanças no estilo de vida.

Entre os principais equívocos relatados por Tófolo estão o uso sem acompanhamento médico e a expectativa de resultados sem alterações de dieta ou rotina de exercícios. “Uma pessoa saudável pode perfeitamente ter sintomas agressivos”, alerta, lembrando que efeitos adversos moderados são comuns no início do tratamento. Ele destaca que sintomas como dores abdominais, vômitos, diarreia e tonturas podem indicar dose inadequada ou uso incorreto.

O endocrinologista enfatiza que as canetas não são destinadas a pessoas que simplesmente “querem emagrecer” por razões estéticas. São indicadas principalmente para pacientes com obesidade ou comorbidades associadas, como diabetes tipo 2. Para além da perda de peso, o objetivo é melhorar parâmetros de saúde, como equilíbrio glicêmico e riscos cardiometabólicos.

 

O médico recomenda que quem já usa ou pensa em usar essas medicações precisa seguir alguns passos essenciais:

  • Procure um médico, idealmente um endocrinologista
  • Consulte um nutricionista para adaptar a alimentação ao tratamento.
  • Pratique atividades físicas regularmente, todos os dias da semana, se possível.
  • Tenha expectativas realistas, o medicamento é uma ferramenta, não uma “solução milagrosa”.
  • Ele reforça que o verdadeiro sucesso no tratamento da obesidade envolve mudanças sustentáveis de hábitos, com foco em saúde e qualidade de vida a longo prazo.
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