Moradores transformam Canal do Tucunduba em 'praia' para aliviar o calor em Belém
O contato com esse tipo de água não é recomendado porque canais urbanos podem conter esgoto doméstico, resíduos industriais, lixo, fezes de animais e diversos microrganismos causadores de doenças infecciosas
Em Belém, moradores transformaram o Canal do Tucunduba, localizado no bairro da Terra Firme, em uma espécie de "praia" improvisada. Com uma faixa de areia e água acumulada, a população aproveitou o espaço para amenizar o calor do verão amazônico. Apesar do tom de brincadeira registrado em vídeos e fotos que circulam nas redes sociais, especialistas alertam que a prática oferece riscos à saúde e não é recomendada.
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Nas redes sociais, internautas compartilharam vídeos e fotos do local, dividindo opiniões. Enquanto alguns criticaram a atitude dos banhistas e chamaram atenção para os riscos, outros encararam a situação com bom humor e reforçaram o jargão "Partiu, Tucunduba", que viralizou com as imagens.
A médica infectologista Andrea Beltrão explica que o contato com esse tipo de água não é recomendado porque canais urbanos podem conter esgoto doméstico, resíduos industriais, lixo, fezes de animais e diversos microrganismos causadores de doenças infecciosas. "Essas águas podem estar contaminadas por diversos agentes infecciosos e representar um risco importante para a saúde da população", alerta.
Segundo a especialista, entre os principais riscos para quem entra nesse tipo de água estão infecções de pele e mucosas, doenças gastrointestinais, infecções oculares e de ouvido, hepatites virais, leptospirose, verminoses e parasitoses, além da contaminação de feridas abertas e acidentes com objetos cortantes ou perfurantes presentes na água. "O risco aumenta quando a pessoa engole água contaminada ou possui cortes e escoriações na pele", destaca.
Andrea Beltrão afirma que as doenças mais frequentemente associadas ao contato com água contaminada são leptospirose, gastroenterites infecciosas, hepatite A, doenças diarreicas agudas, dermatites, micoses, conjuntivites, otites e verminoses.
Os sintomas variam conforme a doença, mas os mais comuns incluem febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, vermelhidão ou coceira na pele, olhos vermelhos, dores musculares — especialmente nas panturrilhas, característica da leptospirose —, cansaço intenso e, em alguns casos, icterícia, quando a pele e os olhos ficam amarelados.
Caso qualquer um desses sintomas apareça após o contato com a água, a orientação é procurar atendimento médico. "É importante informar ao profissional de saúde que houve contato recente com água de canal ou água potencialmente contaminada. Essa informação auxilia no diagnóstico e no tratamento adequado", explica a infectologista.
Ela ressalta que pessoas que não apresentam sintomas, em geral, não precisam buscar atendimento imediatamente, mas devem permanecer atentas ao estado de saúde por até 30 dias após a exposição. "A recomendação é observar o surgimento de qualquer sintoma, lavar bem o corpo após o contato com a água contaminada e higienizar roupas e objetos que tiveram contato com essa água. Se a exposição foi intensa, houve ingestão de água contaminada ou contato por meio de feridas abertas, é prudente procurar uma unidade de saúde", orienta.
Obras no Canal do Tucunduba
Em abril de 2026, a Prefeitura de Belém (PMB), em parceria com o Governo do Estado do Pará e o Governo Federal, por meio do Ministério das Cidades, anunciou a requalificação do Canal do Tucunduba. A ordem de serviço, assinada pelo então ministro das Cidades, Jader Filho, e pelo prefeito Igor Normando, marcou o início das obras, que devem beneficiar mais de 50 mil famílias dos bairros Terra Firme, Guamá, Canudos, Universitário e Marco.
Em nota enviada à Redação Integrada de O Liberal na manhã deste sábado (18), a Prefeitura de Belém informou que, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), monitora a balneabilidade de 20 praias da capital e dos distritos.
A reportagem também entrou em contato com o Governo do Estado solicitando informações sobre os cuidados com a saúde da população, o andamento das obras e a previsão de conclusão da requalificação do canal.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) orienta a população que, “evite o contato direto ou acidental , com água suja ou contaminada”. “Esse contato pode representar risco de doenças como gastroenterites, diarreicas agudas, leptospirose e infecções de pele”, alerta a pasta.
Já a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) informa que “a obra de urbanização e qualificação do Canal do Tucunduba está em andamento com limpeza de terreno, troca de solo, aterramento e terraplenagem”.
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