Mesmo com pandemia, tradição de São João é mantida
Muitas pessoas foram esta terça ao Ver-o-Peso comprar ervas naturais
Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, uma tradição se mantém em Belém: comprar ervas naturais na véspera do dia de São João, data que a Igreja Católica celebra nesta quarta-feira (24). “Graças a Deus, o povo não perdeu a tradição. Todo ano, na véspera de São João, que é hoje, dia 23, temos os banhos de cheiros para a pessoa passar na hora”, disse Bernadeth Freire da Costa, conhecida mundialmente, conforme suas próprias palavras, como “Beth Cheirosinha”.
“Esse ano, em relação aos anteriores, deu uma quebrada por causa da pandemia”, acrescentou ela, que trabalha com ervas medicinais há 53 anos e completará 70 anos dia 17 de julho. “Me considero um patrimônio cultural, pois divulgo nossas ervas”, afirmou. “A partir do momento em que um freguês compra um baninho desses, eu já passo o banho cheiroso nele, pois já tenho o banho pronto. Senti um pouco de diferença (nas vendas) em relação ao ano passado. Mas o povo não perdeu a tradição. Mas quebrou um pouco em relação a anos atrás”, completou.
“Esse ano agora com essa virose... A pandemia atingiu um pouco. Mas os poucos que vêm, e ainda estão com saúde, os que já tiveram (a covid), vêm pegar os banho de descarga. Eu peguei essa onda aí, mas expulsei ele (o vírus) pra bem longe. Tomei um banho de descarrego. Eu tenho plano de saúde, mas fui mais para o meu lado natural. Tomava sumo de mastruz com leite, folha de algodão com mel de abelha, mas sempre afastando (o vírus)”, garante a erveira.
“Graças a Deus, o povo não perdeu a tradição. Todo ano, na véspera de São João, temos os banhos de cheiros para a pessoa passar na hora”, diz a erveira Beth Cheirosinha. “A pandemia atingiu um pouco. Mas os poucos que vêm, e ainda estão com saúde, os que já tiveram (a covid), vêm pegar os banho de descarga"
Ervas para tudo
Por isso, e nessa época, os produtos que mais vende são esses: mastruz com leite, algodão com mel de abelha, leite do Macapá. “Tudo isso aí é natural”, afirmou. “Na Época de São João, sai o banho cheiroso. Acabei de ver um para as moças aí. Eu ainda passo banho nelas. Tudo é uma delícia”, conta Beth Cheirosinha.
“Eu tô fazendo o meu banho por 30 reais, mas dá para a família toda. Não é uma ou duas pessoas, é para a família toda. Dá para jogar na casa, esfregar na piscina. E tem o ‘Kit de São João, que acompanha o descarrego para tirar logo o ‘olhão’, afastar as coisas ruins, e o banho cheiroso de São João, que atrai sorte, felicidade, saúde, bons negócios, levanta o astral. Vai tudo para cima”, sorri a feirante.
Pandemia não impede tradições, diz servidor
O servidor público Paulo Sérgio Amarante, de 65 anos, foi na feira do Ver-o-Peso, na manhã desta terça-feira (23). “Se você quer um bom banho de cheiro para essa época tem que vir no Ver-o-Peso, onde você compra as ervas originais”, contou.
“Nada melhor que, no dia de São João, tomar um banho cheiroso. Tradição é tradição. Pandemia não vai impedir da gente continuar com nossas tradições. Vamos tomar banho para que essa pandemia suma da terra”, justificou Amarante, fazendo compras na barraca de outra erveira muito conhecida no Ver-o-Peso: Tia Coló, cujo nome de batismo é Clotilde Melo de Souza e que tem mais de três décadas vendendo ervas naturais.
“Nada melhor que, no dia de São João, tomar um banho cheiroso. Tradição é tradição. Pandemia não vai impedir da gente continuar com nossas tradições. Vamos tomar banho para que essa pandemia suma da terra”, justificou o servidor público Paulo Sérgio Amarante, de 65 anos, na barraca da erveira dona Coló
Movimentação se mantém, diz comerciante
No centro comercial, a procura, por causa da pandemia, não é, naturalmente, igual à registrada no mesmo período do ano passado.
"A princípio, a gente pensou que não ia ter movimentação. Mas estamos tendo movimentação. As pessoas não podem fazer festas, mas podem fazer uma recepção nas casas delas, mas com poucas pessoas”, disse Cristiane Pinheiro, 38 anos, gerente da casa da Costureira, localizada na rua 13 de Maio.
“Tá tendo muita procura por mesário, vestidinho para criança - aí, compra mãe e filha. Também sai balão, bandeirinha. Temos tudo para uma festinha com poucas pessoas. As pessoas estão fazendo isso, já que não podem fazer nada maior. Não é a procura como se fosse um dia normal, mas tá saindo”, avaliou a lojista.
Ela explicou que, até o ano passado, as vendas eram melhores porque eram comercializados produtos para as quadrilhas juninas e para a realização de grandes festas de São João. “Mas, como não pode fazer, a quantidade é bem menor, mas tá saindo”, afirma Cristiane.
“Tá tendo muita procura por mesário, vestidinho para criança - aí, compra mãe e filha. Também sai balão, bandeirinha. Temos tudo para uma festinha com poucas pessoas. As pessoas estão fazendo isso, já que não podem fazer nada maior. Não é a procura como se fosse um dia normal, mas tá saindo”, avaliou a lojista Cristiane Pinheiro
Os artigos mais procurados, segundo a gerente, são acessórios, entre os quais chapéu. “A gente enfeita o chapéu. Também tem saído laço para criança, bandeirinha, balão de plástico, roupas, camisa para homens e vestidos e saia de carimbó para mulheres”, acrescentou. Dependendo do tamanho e modelo, a unidade do chapéu custa R$ 3, R$ 4 e R$ 5.
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