Protesto fecha avenida Almirante Barroso por falta de ônibus para Mosqueiro nesta quarta-feira
O protesto começou por volta das 17h em frente à parada, nas proximidades da praça do Operário, e desmobilizado em torno de 15 minutos
Usuários do transporte coletivo com destino à Ilha de Mosqueiro, em Belém, bloquearam um trecho da avenida Almirante Barroso, no bairro de São Brás, na tarde desta quarta-feira (21), em protesto contra a falta de ônibus e a demora constante na parada devido à quantidade insuficiente de ônibus para essa linha, segundo moradores. O protesto começou por volta das 17h em frente à parada, localizada nas proximidades da praça do Operário, mas foi desmobilizado rapidamente, durando cerca de 10 a 15 minutos. Agentes da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) intervieram e negociaram a liberação da via.
Agentes da Segbel informaram que não houve tumulto nem confusão durante a mobilização, explicando que o atraso ocorreu apenas devido à troca de motoristas entre um ônibus e outro. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o grupo bloqueando a via com pedaços de madeira e sacos de lixo. Por causa do congestionamento, motoristas e ônibus precisaram desviar pela faixa expressa do BRT.
A manifestação causou lentidão no trânsito, e a Segbel foi acionada para orientar os veículos. Agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar estiveram no local para organizar o embarque dos passageiros. Por volta das 18h, a fila ainda era grande e apenas alguns passageiros conseguiram embarcar, enquanto outros permaneceram na parada. Algumas vans do transporte alternativo estavam disponíveis para quem aguardava no local. Devido à demora dos coletivos, muitos passageiros optaram por esse meio alternativo.
Segundo o mestre de obras Benedito Balieiro, de 82 anos, que é morador de Mosqueiro e estava à espera do transporte, o protesto iniciou por conta da demora que deixou as pessoas insatisfeitas. “Desde as duas horas da tarde, não passava nenhum ônibus. Havia muita gente, incluindo idosos, que vinham de consultas médicas ou dos bancos. A partir das cinco horas, eles tentaram fechar a rua e conseguiram bloqueá-la. Foi uma confusão, muito barulho, e a polícia precisou intervir para acalmar a situação. Depois chegaram dois ônibus para levar o pessoal”, observa.
Reclamação antiga
Desde a última segunda-feira (19), 12 novos ônibus do modelo Geladão passaram a reforçar, de forma fixa, a operação da linha 970 – Mosqueiro – São Brás, conforme anunciado anteriormente pela prefeitura de Belém. No entanto, os moradores relatam que, mesmo assim, a quantidade ainda não supre a demanda no dia a dia.
Para quem depende da linha todos os dias, essa é uma reclamação antiga, como no caso da trabalhadora de obras Milena Nunes, de 47 anos. Moradora da ilha de Mosqueiro, ela trabalha na capital e precisa fazer esse percurso diariamente, mas a falta de ônibus suficientes e a demora nas paradas são problemas recorrentes. Ela explica que, nesta segunda-feira (21), longas filas foram registradas desde cedo.
“Essa demora é contínua, é sempre. Nunca há um horário exato, um horário certo; sempre há diferença, sempre há demora, sempre há atraso. Hoje, estou há 20 minutos esperando, e nem sempre venho para cá. Geralmente, eu pego ali pelo Castanheira, em frente ao Bom Pastor, mas hoje, como fiquei sabendo que estava havendo essa manifestação, esse protesto, resolvi vir para cá, porque com certeza eles não iam parar lá”, relata Milena.
Milena afirma que a demora pelos ônibus geralmente leva entre vinte minutos a uma hora. “Agora, há uma única empresa fazendo o transporte, e começou esta semana essa mudança. Antes, eram várias empresas, e cada uma disponibilizava um veículo para determinado horário. Se aquele veículo apresentasse algum problema, não havia reposição: a gente tinha que esperar o próximo. Isso é um problema desde que começou a linha urbana Belém–Mosqueiro. Nunca houve uma melhora significativa”, acrescenta.
Coletivos lotados
No dia a dia, devido a quantidade pequena de coletivos, segundo Milena, é comum que os veículos estejam sempre lotados. “Deveria haver mais ônibus, uma frota maior e intervalos mais curtos, principalmente nos horários de pico, que são os primeiros da manhã, geralmente às quatro e meia, cinco, talvez até seis horas. E a partir das quatro horas da tarde, que geralmente é quando o pessoal está retornando, acho que deveriam aumentar a quantidade de ônibus e reduzir o intervalo entre um e outro. Isso já ajudaria bastante”, diz.
O vendedor ambulante Tiago da Silva, de 39 anos, também trabalha em Belém e volta para Mosqueiro no final do dia e comenta que depender do transporte público para a ilha é um grande desafio. “Às vezes, passo uma hora esperando o ônibus, mas ele não é suficiente. Tem muita gente. Mesmo com o Geladão, continua insuficiente. Já aconteceu três vezes de eu descer e pegar outro ônibus no terminal lá na frente, mas ele vinha lotado do mesmo jeito”, reclama.
“Mosqueiro tá crescendo. Eles precisam [a gestão] ver isso. Todo dia vai lotado. Tem gente que fica para trás, porque não tem como entrar. O motorista até para, mas mostra e diz que não tem como ir”, completa o morador.
Fase de adaptação
Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade informou que a nova operação da linha Mosqueiro – São Brás teve início nesta semana e está em fase de adaptação, caracterizada como operação assistida. “A linha está operando normalmente, e o atraso registrado nesta quarta-feira (21) foi pontual, com duração aproximada de 20 minutos, em razão dos ajustes iniciais na reorganização da nova frota”, detalha a nota.
“A Segbel esclarece que não houve redução definitiva no número de ônibus em circulação e que a Secretaria já entrou em contato com a empresa responsável para reorganizar o fluxo de veículos e evitar novos transtornos. A previsão é de normalização total do serviço nos próximos dias, com acompanhamento contínuo da operação para garantir a regularidade do transporte até Mosqueiro”, acrescenta o comunicado da secretaria.
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