Iniciando a Quaresma, padre Cláudio Pighin reflete a escolha de Cristo pela cruz como salvação
Homilia deste domingo destaca Jesus como o Messias que rejeita caminhos fáceis
Na homilia deste 1º Domingo da Quaresma, o padre Cláudio Pighin reflete que o Evangelho de São Mateus (capítulo 4, versículos 1-11) revela um Jesus que, no silêncio do deserto, assume plenamente sua missão ao rejeitar caminhos fáceis e leituras distorcidas da Palavra de Deus. E mostrando-se o Messias que escolhe a fidelidade e a cruz como resposta ao anseio de salvação do povo.
O padre afirma que a Palavra de Deus, conforme apresentada hoje pelo evangelista Mateus, teve a intenção de mostrar, através da tentação de Jesus, que Ele é o verdadeiro Israel. Segundo ele , a descrição das tentações demonstra a rejeição de Jesus a sinais que exibissem prodígios e se apresentassem como um ser superpoderoso. “Jesus enfrenta a tentação de Satanás que se opõe a sua ação de salvação e a vontade de ajudar os seus discípulos a acreditar no reino de Deus. Mas Mateus revela-nos assim como Jesus sempre, sempre rejeitou a obra satânica de confundir as esperanças da vinda do Salvador desligada da cruz”, observa o sacerdote.
“De fato, naquele tempo, vigoravam três maneiras para conceber a vinda do Messias do Salvador. Uma era dos zelotas, que pensavam que queriam uma libertação através de uma revolução e do poder. A segunda, tanto política quanto religiosa, era de um Messias restaurador. E terceira, ainda era de um Messias protagonista, acompanhado por sinais espetaculares. Jesus rejeitou todos esses tipos”, acrescenta.
O padre explica que as respostas de Jesus a Satanás, baseadas no livro do Deuteronômio, remetem às tentações enfrentadas por Israel no deserto, quando o povo buscava alcançar apenas um bem terreno. Esse paralelo, como relata o padre, evidencia que Jesus é quem vence as tentações de forma plena, confirmando-se como o verdadeiro Messias.
“No tempo de Jesus, o debate era grande porque o desejo de libertação era cada vez mais urgente devido, sobretudo, ao domínio dos estrangeiros. Estas polêmicas, no certo sentido, são resumidas através desse debate entre Jesus e Satanás. Todos os dois recorreram às Sagradas Escrituras. O que significa isto? Há várias maneiras de se apelar às Sagradas Escrituras. Precisamos não apenas lê-las, mas também corretamente interpretá-las”, frisa o sacerdote.
O padre acrescenta que Jesus denuncia o uso distorcido da Palavra de Deus — representado na figura de Satanás — e lembrou que, muitas vezes, também recorremos às Sagradas Escrituras para justificar interesses pessoais ou de determinados grupos. “Os verdadeiros cristãos leem as Sagradas Escrituras para descobrir a lógica de Deus que os guia. E as tentações são uma oportunidade para purificar a nossa conduta como filhos e filhas Deus no caminho da salvação é rememorar que a glória da ressurreição passa necessariamente pelo martírio da cruz. Boa quaresma, boa campanha da fraternidade”.
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