Idoso é atacado ao encontrar ninho de cabas no quintal de casa em Belém
Especialista explica sobre os riscos e orienta como agir em casos de alergia grave
Um ninho de cabas no quintal de uma residência no bairro da Batista Campos, em Belém, gera insegurança em moradores. O aposentado Luiz Jorge Ferreira, de 68 anos, que vive na rua dos Tamoios, foi atacado pelos insetos ao fazer a limpeza do terreno da própria casa. Nesta quarta-feira (7), em entrevista, ele contou que precisou de atendimento médico devido às lesões no rosto, decorrentes das ferroadas. A médica especialista Vanessa Tavares Pereira explica os riscos e orienta como agir em casos de alergia grave.
Luiz Jorge e a esposa, Márcia Nazareth Cunha Rocha, de 55 anos, foram atacados pelos insetos enquanto realizavam uma limpeza de rotina na casa em que moram. “Dia 29 de dezembro fui atacado fazendo a limpeza na minha laje. Sem querer, eu fui puxar um mato e vieram todas as cabas para cima de mim e da minha esposa”, relatou Luiz Jorge. Segundo ele, o ataque foi repentino e intenso. “Fiquei com o rosto totalmente deformado. Foi uma coisa muito rápida. A gente nem teve tempo de correr”, relembra.
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Após o ataque, o aposentado buscou ajuda médica. “Eu fui ao posto de saúde, tomei a medicação antialérgica, tudo na hora, graças a Deus. O médico orientou fazer compressa, fui fazendo e foi reduzindo”, contou. Mesmo assim, o impacto emocional foi grande. “Eu fiquei muito triste, porque pensei que ia passar a virada do ano com o rosto deformado. Ficou totalmente inchado”, diz.
Risco
Luiz Jorge afirma que o perigo permanece, já que o ninho continua no local. “A gente só tá pedindo providência das autoridades porque tem esse ninho de caba aqui perto da nossa casa. Desde o dia 29 de dezembro a gente convive com esse perigo iminente. A qualquer momento, qualquer pessoa pode bater nesse mato e ser atacada. Pode ser uma criança ou um adulto”, afirma.
O morador disse que já solicitou ajuda, mas ainda aguarda uma solução. “A gente tá pedindo que as autoridades, o Corpo de Bombeiros, o município ou o estado se pronunciem para tomar uma decisão. No dia 29 a gente pediu, pediu de novo ontem, dia 6 de janeiro, e até agora nada. Estamos aguardando a resolução dessa situação.”
Ataques
O problema, segundo ele, não é novo. “Em 2019 a gente já teve esse problema com essas cabas. Eu estava limpando aqui atrás, fui tirar o mato e elas entraram todas pela janela. Foi mais difícil, porque atacou eu e a minha esposa”, relembrou. Na época, os ferimentos foram ainda mais graves. “Foi no rosto, foi no corpo. Nela (esposa) foi no corpo todo. Foi mais grave do que agora”, conta Luiz Jorge.
O morador esclarece que não se trata de abelhas, como muitos acham. “Tem que salientar que são cabas. Não é abelha. A abelha é diferente”, explicou. O medo, segundo ele, é que outras pessoas sejam atacadas. “Aqui tem criança, tem escola lá na frente. O perigo não é só pra gente”, alerta.
Cuidados
A médica alergista e imunologista Vanessa Tavares Pereira explica que nem toda picada de inseto causa uma reação grave, mas é fundamental saber identificar os sinais de alerta. “Dentro das alergias aplicadas por insetos, nós temos dois grupos. As mais comuns, como as picadas de mosquito e de formiga, que causam reações locais”, afirmou.
Segundo a médica, essas reações costumam provocar “vermelhidão, nódulo, inchaço no local e muita coceira”. Apesar de incômodas, elas não costumam oferecer risco à vida. “São reações muito chatas, dolorosas, podem até deixar cicatriz, mas não geram danos mais graves como choque anafilático.”
Alerta
No entanto, a especialista alerta que algumas picadas podem evoluir para quadros severos. “Nós temos alergias a insetos como vespa, marimbondo, abelha e cabas, que podem gerar reações graves, como a anafilaxia”, aponta. De acordo com Vanessa, os primeiros sintomas surgem rapidamente. “As reações são muito imediatas. Podem começar com edema local, urticária pelo corpo, inchaço nos olhos e nos lábios, até evoluir para o choque anafilático.”
Diante desses sinais, a orientação é buscar ajuda médica. “Quando esses sintomas surgirem, a pessoa deve imediatamente procurar um pronto atendimento. É uma urgência, porque o risco de vida é muito grande”, destacou. Após o atendimento emergencial, a médica reforça a importância do acompanhamento especializado. “Depois que a reação for sanada, deve-se procurar um alergista para identificar qual foi o inseto e orientar o tratamento adequado.”
Reações alérgicas
A especialista explica que nem sempre a reação aparece na primeira exposição. “É verdade que a pessoa pode não ter alergia na primeira picada e desenvolver uma reação grave na segunda ou terceira vez. Isso pode acontecer a qualquer momento”, afirmou.
Vanessa também esclarece que o local da picada não altera a gravidade. “Independentemente da parte do corpo, a reação é sistêmica. Isso é muito importante para as pessoas entenderem.” Sobre o tempo de manifestação, ela afirma que “os dados da literatura mostram que pode ser imediato ou aparecer em até duas horas”.
Tratamento
Para pacientes diagnosticados, existe tratamento. “Há a imunoterapia, que são vacinas específicas para alergias a caba, vespa, marimbondo e abelha. É um tratamento altamente específico, feito por profissionais preparados, que reduz o risco de reações severas.”
Outro ponto essencial é o chamado plano de ação. “Esse plano orienta exatamente o que fazer diante de cada tipo de reação. Em casos graves, a caneta de adrenalina autoinjetável é fundamental para preservar a vida até a chegada ao hospital”, explicou. A médica ressaltou que o paciente precisa ser treinado para usar corretamente o medicamento.
Durante uma crise, a orientação é manter a pessoa deitada. “Preferencialmente deitada, com aplicação da adrenalina no músculo da coxa. Pode ser feita por cima da roupa. Elevar as pernas ajuda no retorno do sangue para o coração”, concluiu.
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