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Falta de antibióticos em farmácias do Pará já dura três meses e preocupa famílias

Autoridades do setor farmacêutico relacionam o desabastecimento a crises globais, enquanto famílias com crianças se preocupam pela falta de produtos

Camila Guimarães

O Pará vem passando por desabastecimento de medicamentos, como é constatado pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-PA) e por indústrias do setor farmacêutico. O fenômeno já acontece há cerca de três meses - período do “inverno amazônico” - e, mais recentemente, a falta de produtos chegou aos antibióticos de suspensão oral, sobretudo os voltados para crianças. A redação integrada de O Liberal percorreu pontos de algumas das principais redes de farmácias da cidade e constatou o problema que vem preocupando famílias que têm crianças.

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A auxiliar administrativo, Adrielle Cordovil, mãe da Ádria, de quatro anos, tem enfrentado grande dificuldade ao longo do último mês para encontrar o antibiótico prescrito para a filha. Ela conta que percorreu diversas farmácias na cidade, mas em nenhuma encontrou o medicamento. “E não foi só eu. Meus tios também sentiram grande dificuldade de fazer compra de antibiótico nos últimos meses e até agora a gente não entende porque está assim”, relata. 

Em uma das redes de farmácias da cidade, no bairro do Marco, a farmacêutica Luana Modesto afirmou que houve um aumento na demanda e, em seguida, a escassez de antibióticos como Amoxicilina e Azitromicina: “São medicamentos que tiveram grande procura. Acredito que ainda seja um reflexo do último surto de covid-19, desde janeiro. Os laboratórios dizem que falta matéria-prima para a produção”.

Outras duas farmácias, de redes diferentes, relataram dificuldade semelhante. O farmacêutico Paulo Fernandes diz que a falta já é percebida há três meses: “Também teve o último surto de gripe e os médicos passaram muito Azitromicina e Amoxicilina e ficou em falta. Muitas vezes é falta de matéria-prima mesmo, mas não chega uma justificativa oficial pra gente. O nosso contato vai só até a distribuidora, não diretamente com a indústria”.

Em outra farmácia, no bairro da Pedreira, a farmacêutica Eloisa Pinto diz que, em alguns casos, ainda conseguem receber determinada quantidade de antibióticos, mas não o suficiente para suprir a demanda: “O que a gente ainda chega a receber permite atender por dois dias. Geralmente acaba depois de dois dias e aí é esperar”.

De acordo com representante de uma indústria multinacional brasileira de produtos farmacêuticos, João Rocha, o aumento dos casos de gripe e covid-19 nos últimos meses elevou significativamente a demanda de medicamentos para tratar infecções respiratórias, entre eles, os antibióticos infantis. “A falta se agravou no final de dezembro e perdura até hoje, com a chegada do inverno amazônico e o aumento das doenças sazonais respiratórias. No Norte, tem um agravante a mais, que é a logística de distribuição que pode levar de 20 a 30 dias”, explica.

João menciona, ainda, um fator global que tem impactado diretamente a produção dos medicamentos: “Um problema que vinha desde a pandemia e se agravou com a guerra na Ucrânia pela falta de contêineres, de navios e aumento global de preços. Há uma escassez de insumos vindos da Europa e China”.

O Conselho Regional de Farmácia do Pará (CRF-PA) explicou, em nota, que não há um órgão que atue no controle do estoque de medicamentos nas farmácias privadas no país. “Porém, o que tem chegado informalmente ao CRF-PA, até o momento, é que inúmeros fatores têm colaborado para o desabastecimento de alguns medicamentos em farmácias e hospitais, por conta do atraso do Ministério da Saúde em realizar os repasses e também pela dificuldade na importação de insumos, por causa da guerra na Ucrânia, do lockdown na China e movimentos de protesto de funcionários em portos e aeroportos. Esses fatores impactam diretamente na produção, distribuição e transporte dos medicamentos, elevando o preço final que o consumidor paga”.

A Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) também foi consultada sobre a falta dos antibióticos nas farmácias e afirmou, em nota, que “não recebeu nenhuma notificação das redes associadas dando conta de um desabastecimento”.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que, "no âmbito do SUS, na Atenção Básica, a aquisição dos medicamentos antimicrobianos (antibióticos) de uso oral, incluindo os de uso infantil, é de responsabilidade municipal, conforme as normas vigentes".

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua (Sesau) informou que, até o presente momento, "os estoques de antibióticos na rede municipal de saúde não apresentam rupturas, nem mesmo nas apresentações pediátricas, e não houve informação de desabastecimento desses itens por parte dos fornecedores".

A reportagem também demandou as prefeituras de Belém e de Marituba, para apurar se elas confirmam a falta de antibióticos na Grande Belém. As duas prefeituras ainda não responderam. O Ministério da Saúde também foi demandado, mas informou que só vai conseguir responder nesta sexta-feira (29).

Belém
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