Carnaval em Belém: Escola de Samba da Matinha sai às ruas em ensaio quente neste domingo (25)
Ritmistas e passistas percorreram o bairro de Fátima com o samba "É na Matinha que Padilha vai girar"
A Escola de Samba da Matinha saiu às ruas do bairro de Fátima, no início da noite deste domingo (25), em Belém, com passistas, ritmistas, comissão de frente e baianas, cantando o samba-enredo "É na Matinha que a Padilha Vai Girar", ao som animado dos instrumentistas da bateria.
Crianças, jovens e adultos, moradores próximos do barracão, acompanharam a agremiação que percorreu trechos das ruas Antônio Barreto,14 de Abril, Domingos Marreiros, José Bonifácio, passando pela avenida Duque de Caxias, até retornar à sede da agremiação, na travessa Castelo Branco esquina com a Antônio Barreto.
Rainha da bateria tem um 1,78m de altura e samba no pé
Convidada para ser a rainha da bateria, Roberta Ribeiro esbanjou simpatia com um sorriso estampado no rosto, do alto de 1,78m. “Modéstia, à parte, a Matinha está com um enredo maravilhoso, e trabalhando a nossa cultura, o que é de extrema importância para o samba aqui em Belém".
"Vamos elogiar as mulheres, movimento LGBTQIA+, as nossas mulheres trans, as nossas gays. Um carnaval inclusivo. Fui convidada para ser a rainha da bateria e a minha experiência está sendo incrível na Matinha", acrescentou Roberta Ribeiro.
O presidente da Escola, Paulo Espíndola, disse que a agremiação tem o apoio da comunidade, que sempre comparece quando é chamada a contribuir e participar. Ele falou sobre a vontade da Escola de levar um pouco da vida da Maria Padilha para a avenida. “Vamos mostrar a trajetória dela, que morreu tão jovem, aos 27 anos, ainda no tempo medieval”.
'Ensaios são termômetos para a Escola nas ruas", diz diretor musical
Multi-instrumentista, educador e arranjador, Diego Xavier é o diretor musical da escola e disse que a agremiação vem intensificando os ensaios. “É o termômetro. É o momento que a gente tem para ver como a comunidade está chegando, se o nosso samba está sendo cantado".
“A gente vai levar o nosso samba para levantar a Aldeia, porque a Padilha não vai girar só na Matinha, ela vai girar na Belém todinha”, disse Diego sorrindo, e referindo-se à uma das pombagiras mais cultuadas no sincretismo afro-brasileiro das religiões de matriz africana, como a umbanda e candomblé.
'É importante a comunidade interagir com a gente', afirma mestre da bateria
Mestre da bateria, Binho Setubal, informou que a Escola tem ensaiado todas as quartas e sextas-feiras, das 20h às 22h. Ele destacou que os ensaios servem para alinhar os ritmistas e sentir a evolução dos instrumentistas. “A gente anda com a bateria, faz algumas interações, arranjos musicais, a gente brinca com a rainha da bateria. E a gente usa esse arrastão para isso, e também para sentir o calor da nossa comunidade, trazer ela para a escola, para desfilar e interagir com a gente”.
“Aqui, nós temos os surdo de primeira, de segunda e de terceira, também, as caixas, os repiques, timbaus, agogôs e chocalhos. A gente vai fazer uma homenagem para a Maria Padilha, e podem se preparar que vai vir muita macumba para os nossos tambores, e hoje a gente já vai limpando os caminhos. Vamos rasgando a avenida com os tambores, dando uma prévia do que vai ser a gente na avenida”, disse Binho Setubal, minutos antes de iniciar o ensaio neste domingo.
Em 2026, a Escola da Matinha completa 46 anos e quer brilhar no Carnaval de Belém, no desfile oficial da Aldeia Caba, após subir, no ano passado, para o grupo principal das escolas de samba especiais da capital paraense.
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