Em 24 horas, 35 ônibus "ficaram no prego" em Belém

Levantamento foi feito pelo Belém Trânsito, com denúncias enviadas por seguidores identificados, seguindo uma metodologia específica

Victor Furtado / Redação Integrada de O Liberal

Num período de 24 horas, 35 ônibus foram flagrados com defeito, em toda a cidade. O levantamento foi feito pelo Belém Trânsito, um perfil que se propõe a debater mobilidade urbana, na Região Metropolitana de Belém, nas redes sociais. Todas as denúncias foram enviadas por seguidores do perfil, acompanhadas de fotos (e/ou vídeos), informações sobre horários, locais e identificação dos veículo e linhas que apresentaram defeitos.

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Esse levantamento foi feito às vésperas da reunião do Conselho Municipal de Transportes, que aprovou o reajuste da tarifa de ônibus para R$ 3,60. A decisão final sobre o valor ainda cabe ao prefeito Zenaldo Coutinho, que pode estabelecer um outro valor ou até mesmo acatar a proposta dos empresários do setor, que é de R$ 3,95. Essa é uma decisão que deve ser divulgada até a próxima semana.

Para o Belém Trânsito, trata-se de um levantamento inédito, com a sugestão de que fosse feito com frequência para estipular uma média diária. Após 24 horas de registros, novas denúncias continuaram chegando ao perfil e o número pode ser próximo ao das primeiras 24 horas.

O responsável pelo perfil Belém Trânsito, que prefere não se identificar, disse que adotou vários cuidados metodológicos para registrar as denúncias, como imagens do veículo com defeito, detalhes sobre a viagem e garantia de que não havia reclamações repetidas. Após o filtro, se chegou a 35 ônibus no prego. Do total, 14 são da empresa Belém Rio. Mas se houvesse menos regras para considerar a denúncia como válida, o número seria bem maior.

Todas as denúncias podem ser analisadas diretamente no perfil do Twitter. Há uma hashtag, #onibusnopregobt.

Levantamento evidencia precariedade

Entre as denúncias, o responsável pelo Belém Trânsito disse que algumas pessoas relataram ter feito registro formal nos canais oficiais da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob). Porém, ele diz que essas pessoas disseram não ter tido retorno algum dos canais.

Os canais oficiais da Semob são: Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) pelos números 118 (telefone fixo) e 98429-0855, e-mail contato.semob@belem.pa.gov.br, a seção "Fale Conosco" do site da Semob e o Twitter @SeMOB_Bel.

Podem ser feitas reclamações de coletivos sem condições de trafegabilidade, atraso, queimas de paradas, denúncias contra o descumprimento da lei da devolução da passagem ou outro problema na prestação do serviço. Para denunciar, é preciso informar dia, hora, local do flagrante, placa e o número de identificação escrito na lateral do ônibus.

Ônibus lotados são um dos muitos problemas diários dos passageiros, além dos pregos constantes (Arquivo O Liberal)

 

Não são só os passageiros os afetados. Os rodoviários também

Na avaliação do responsável pelo Belém Trânsito, os passageiros são vistos como principais vítimas da má-prestação de serviços de transporte, mas os operadores sofrem igualmente. O desconforto que os usuários sentem é igual para motoristas e cobradores. 

"Ônibus, em várias capitais do país, possuem transmissão automática e refrigeração. Transmissão automática poupa o condutor de uma parte grande do trabalho físico e manual na condução. E reflete também no conforto das viagens para os passageiros. A refrigeração também, posto o clima de chuva, umidade e calor que faz na região", comenta o responsável do perfil.

A má distribuição de linhas, desrespeito aos horários e poucos ônibus na frota são os principais problemas enfrentados por quem utiliza os ônibus que fazem linha para a UFPA (Cristino Martins / O Liberal)

A quantidade de registros, comenta o Belém Trânsito, é um retrato de problemas de conservação e manutenção dos ônibus. "Recebemos inúmeras denúncias recorrentes sobre higiene, limpeza, condição dos assentos e precariedade do serviço. Também não podemos esquecer que as condições de pavimentação das vias é absolutamente fora dos padrões mínimos e aceitáveis para a rodagem de carros de passeios. Muito menos veículos pesados".

Em nota, a Semob informou que abrirá processo administrativo para cada uma das empresas identificadas na tabela. Caso comprovada as irregularidades, as empresas serão autuadas de acordo com o que prevê o regulamento de transportes do município. Além disso, para a empresa Belém Rio, especificamente, só no ano passado foram lavradas 515 autuações, pois é a empresa com maior número de linhas e frota em Belém. Sobre o atendimento ao público, A SeMOB esclarece que ele é realizado de forma personalizada e toda denúncia registrada nos canais de atendimento geram números de protocolos para futuras consultas.

Setransbel volta a afirmar que investe na melhoria da frota

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), representando suas associadas, afirma que "...as operadoras atuam constantemente para a melhoria do serviço de transporte de passageiros de Belém e RMB".

Os ônibus que circulam em Belém, garante o sindicato, "...passam por manutenção preventiva e corretiva regularmente por parte das empresas responsáveis. Além disso, tanto o Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran) quanto a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) realizam vistorias anuais nos veículos para a liberação do licenciamento de uso"

Atualmente, o Setransbel tem 19 empresas associadas e uma frota de cerca de dois mil ônibus. Em 2018, a quantidade média de passageiros pagantes/mês foi de 17.108.573. "Se comparado ao ano anterior, esse número sofreu uma redução de aproximadamente 1.800.000 pagantes. Uma queda significativa que impactou na capacidade de investimento das empresas e na renovação de frota em quase 200 ônibus em um ano", diz a nota.

"Por fim, é importante pontuar que o período chuvoso, que ocasiona o caos instalado nas vias, prejudica a manutenção e apresentação dos veículos, já que a maioria das linhas roda em regiões periféricas com vias sem pavimentação. Cada empresa é responsável por assumir um alto investimento na compra do veículo, o que tem se tornado muito difícil nesses anos de crise econômica que o país atravessa", conclui o sindicato patronal.

Belém
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