Dona de casa está há três meses com espinha de peixe presa na garganta

Paciente não procurou atendimento médico com medo de se infectar com a covid-19

Byanka Arruda e João Thiago Dias

Após três meses aguentando uma espinha de peixe presa na garganta, a dona de casa Maria do Socorro Matias, de 54 anos, do município de Curuçá, nordeste paraense, enfrentou o medo da pandemia e saiu de casa para procurar ajuda médica. Na manhã desta segunda-feira (14), já sentindo muitas dores na garganta, ela foi ao Hospital e Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14 de Março, em Belém. No entanto, até o início da noite, ainda não tinha conseguido resolver o problema.

Ela contou que chegou à instituição de saúde por volta de 10h, mas foi orientada pela equipe de plantão a retornar à tarde, pois o médico já tinha ido embora.

"Eu cheguei de manhã, o médico tinha acabado de sair, porque não tinha paciente para ele. Aí mandaram eu retornar às 15h, mas, até agora, ninguém me atendeu. Disseram que só vão atender às 19h30 para realização do procedimento", comentou por volta das 17h.

Em meados do mês de junho, ela ingeriu acidentalmente a espinha do animal e, desde então, tem sofrido com muitas dores e incômodos para se alimentar. Com medo de se infectar com o vírus causador da covid-19, ela optou por ficar em casa, porém as complicações foram maiores.

"Foi no pico da covid-19, mas fiquei com medo de procurar médico. Fiquei com medo de vir ao hospital, porque estava morrendo muita gente. Agora que melhorou (casos de covid-19), resolvi vir, porque não estou podendo mais engolir nada", relatou.

Sesma

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) para apurar se o procedimento de retirada da espinha foi realizado e para apurar sobre o estado de saúde da dona Maria. Por meio de nota, a Sesma informou que a paciente não aguardou a avaliação do médico. Confira a nota:

"A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa a paciente Maria do Socorro Matias, munícipe de Curuçá, procurou o Hospital de Pronto Socorro Municipal Mario Pinotti ontem, 14, e foi classificada com um corpo na garganta há três meses. A mesma não veio regulada do município de origem para realização do procedimento necessário, e pelo tempo que ela está com o corpo estranho, não é caracterizado como procedimento de urgência e emergência, como perfil do hospital. O HPSM acolheu a paciente, mas a mesma não esperou para avaliação do médico especialista que estava de sobreaviso".

Belém
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