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COVID-19: O que sabe sobre a variante Ômicron do coronavírus até agora

A virologista Mirleide Cordeiro destaca que a cepa ainda é desconhecida e toda a cautela é necessária enquanto

João Thiago Dias

Na última segunda-feira (29), a nova variante do coronavírus, Ômicron (B.1.1.529), nome equivalente à 15ª letra do alfabeto grego, virou preocupação mundial, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado que o risco global relacionado é "muito alto", dadas as possibilidades de que escape à proteção das vacinas disponíveis e de "vantagens" na transmissibilidade. 

Todos os continentes já registram casos dessa variante, com notificação em pelo menos 30 países. Até a última sexta-feira (3), o Brasil já tinha registrado seis casos: três no estado de São Paulo, dois no Distrito Federal e um no estado do Rio Grande do Sul.

Coordenadora do Laboratório de Vírus Respiratórios do Instituto Evandro Chagas (IEC), de Ananindeua (PA), a virologista Mirleide Cordeiro explicou à reportagem que a nova cepa ainda é uma incógnita em muitos aspectos, pois estudos científicos ainda são conduzidos para apontar os reais potenciais de risco.

"Dados sobre a sua maior transmissibilidade, gravidade e fuga aos anticorpos montados frente à vacinação ou infecção prévia ainda estão sendo gerados ao redor do mundo, para avaliar, realmente, qual o impacto dessa nova variante na população mundial, especialmente na população que já apresenta um alto número de indivíduos vacinados", pontuou.

A preocupação existe porque essa cepa tem 50 mutações, algo nunca registrado antes, Desse total, mais de 30 na proteína "spike",que funciona como a "chave" que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a covid-19.

"Ela foi classificada pela OMS como variante de preocupação, porque ela apresenta, em seu genoma, mais de 30 mutações, especialmente no gene onde fica a sua proteína de superfície, a spike, que é responsável pela entrada do vírus na célula hospedeira. Mas, até sexta (03), não havia nenhum registro de morte no mundo relacionada a essa cepa", detalhou a pesquisadora do IEC.

A pesquisadora explicou que a variante Ômicron foi identificada primeiramente em países da África, em novembro de 2021. A cepa foi relatada pela primeira vez à Organização Mundial da Saúde (OMS) pela África do Sul no dia 24 de novembro. No dia 26 de novembro, a OMS classificou a linhagem como mais uma variante de preocupação.

"Um dos fatores que podem ter contribuído para o surgimento dessa variante é o baixo percentual vacinal das pessoas na África. Tem países que ainda nem conseguiram atingir 10% de imunizados. E, também, a falsa sensação de que a pandemia já acabou, que faz com que as pessoas relaxem nos cuidados. Pessoas mais suscetíveis porque não foram vacinadas ou porque estão se expondo podem facilitar para que o vírus circule mais e sofra mutações", explicou.

As mutações que representavam um risco maior para a saúde pública passaram a receber algumas classificações. A Variante de Preocupação (VOC) demonstra estar associada a uma ou mais das seguintes alterações: aumento da transmissibilidade ou alteração prejudicial na epidemiologia da covid-19; aumento da virulência ou mudança na apresentação clínica da doença; ou diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública ou diagnósticos, vacinas e terapias disponíveis.

"Agora, são cinco variantes de preocupação: Alfa, Beta, Gama, Delta e Ômicron. Mas há, também, as Variantes de Interesse (VOI), que têm mutações do genoma que poderiam acarretar nessas características de maior transmissibilidade e maior severidade. Entretanto, por enquanto, elas ainda não alcançaram esse posto de preocupação. Atualmente, a OMS registra duas: Lambda e Mu". E tem outras mutações além dessas", detalhou.

A virologista Mirleide Cordeiro, coordenadora do Laboratório de Vírus Respiratórios do Instituto Evandro Chagas, observa que a baixa cobertura vacinal na África, onde a nova cepa foi descoberta, é uma das causas para formação de variantes e novos riscos para covid-19 (Acervo pessoal de Mirleide Cordeiro / IEC)

Poder de proteção das vacinas contra a nova variante está em estudo

Na quarta-feira (01), a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) anunciou que solicitou às desenvolvedoras de vacinas autorizadas no Brasil informações sobre estudos em andamento que apontem impactos da nova variante ômicron na eficácia dos imunizantes contra o coronavírus. O pedido foi encaminhado aos laboratórios Pfizer, Butantan, Fiocruz e Janssen. A expectativa é que, nas próximas semanas, estejam disponíveis os dados das avaliações iniciais. 

"Mas a OMS segue recomendando a vacinação, independentemente da vacina que esteja sendo usada nos diferentes países, bem como a adoção das medidas não farmacológicas, como distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos", orientou Mirleide Cordeiro.

A pesquisadora destaca a equidade de vacinas como o caminho para se alcançar o fim da pandemia. Como exemplo para alcançar essa meta, citou a iniciativa Covax Facility, aliança internacional conduzida pela OMS, entre outras organizações, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e a produção de vacinas contra covid-19 e garantir o acesso igualitário à imunização em todo o mundo.

"Não adianta um país estar com esquema vacinal completo se não é possível promover a vacinação completa em outros países. O caminho para o fim da pandemia é esse: que todos tenham acesso à vacina. Hoje, não sofremos com carência de produção de imunizantes, mas de distribuição de forma igualitária. Muita disparidade entre os países", finalizou a especialista do Instituto Evandro Chagas.

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