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Calor aumenta procura pelo tradicional guaraná da Praça Brasil, em Belém

Bebida gelada ganha espaço nos dias mais quentes e reúne clientes de diferentes idades; nutricionista orienta sobre consumo e atenção aos ingredientes

Jamille Marques | Especial para O Liberal
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O calor dos últimos dias em Belém tem aumentado a procura por bebidas geladas e ajudado a movimentar um dos pontos tradicionais da cidade. Na Praça Brasil, no bairro do Umarizal, o guaraná continua atraindo quem passa pelo local no fim da tarde e à noite. Cremosa, gelada e conhecida de muitos paraenses, a bebida faz parte da rotina de clientes que chegam à praça em busca de refresco, sabor e disposição. Entre o movimento dos vendedores, o barulho dos liquidificadores e a chegada de novos clientes, o guaraná segue presente na rotina da Praça Brasil. Para uns, faz parte das lembranças de infância. Para outros, é uma parada para aliviar o calor ou buscar disposição antes de continuar o dia. 

O preparo ajuda a explicar por que o guaraná vendido nas praças é diferente de outras bebidas que levam o mesmo nome. Uma das versões tradicionais reúne xarope e pó de guaraná, amendoim torrado, castanha-de-caju, leite em pó ou leite integral e bastante gelo triturado. Os ingredientes são batidos até chegar a uma mistura cremosa, parecida com uma vitamina. Dependendo do ponto de venda e da escolha do cliente, a receita também pode receber frutas, caldas e outros complementos.

Para quem trabalha com a venda do guaraná, a chegada do período de dias mais quentes representa também uma mudança no movimento. Josiane Silva, de 41 anos, trabalha há cinco anos com a bebida e percebeu um aumento na procura em comparação com os meses de mais chuva. “Comparado ao inverno, melhorou bastante. As pessoas têm procurado mais, também está muito quente em Belém. Comparado ao movimento que estava no inverno, teve uma melhora bastante grande”, conta.

A relação com os clientes também faz parte do trabalho. Josiane conta que gosta de preparar a bebida e de atender o público. Depois de algum tempo, algumas pessoas que frequentam o ponto deixam de ser apenas clientes e passam a fazer parte do cotidiano de quem trabalha ali. “Eu gosto de atender as pessoas, gosto de fazer guaraná. A gente conhece bastante pessoas e muitos clientes acabam se tornando até amigos da gente”, diz.

E não existe uma idade certa para gostar da bebida. De acordo com a vendedora, homens, mulheres e crianças estão entre os clientes. Em alguns casos, o costume passa de uma geração para outra e acompanha famílias que frequentam a praça há anos. É o caso da universitária Adriele Medeiros, de 23 anos. Ela conta que toma guaraná desde criança e que as visitas à Praça Brasil começaram ao lado do pai. Com o tempo, a bebida deixou de ser consumida somente na rua e ganhou uma versão preparada pela própria família em casa. “Desde criança venho na Praça Brasil com o meu pai e a gente também faz o nosso próprio em casa”, conta.

Adriele lembra que o pai passou a preparar a bebida depois de começar a trabalhar à noite. Cansado com a nova rotina, ele experimentou o guaraná, segundo a universitária, percebeu que ficou mais desperto. Depois disso, começou a comprar os ingredientes para fazer a receita em casa. Hoje, ela mantém o hábito e diz consumir a bebida sempre que pode, embora não necessariamente todas as semanas. Para Adriele, o guaraná está associado tanto ao sabor quanto à sensação de disposição. Ela também costuma consumir a bebida antes de algumas atividades, como treino e trabalho.

Quem mora fora de Belém também aproveita uma passagem pela capital para voltar à praça. A professora Sandra Assis, de 52 anos, mora em Soure, no Marajó, e conta que costuma tomar guaraná sempre que vem visitar a filha, que vive em Belém. “Todas as vezes que eu venho a Belém, eu venho aqui na Praça Brasil provar desse nosso guaraná maravilhoso”, afirma Sandra. Para ela, além da lembrança ligada às visitas à cidade, a bebida chama atenção por ser gelada e saborosa.

Apesar de ser uma opção bastante procurada nos dias de calor, a composição do guaraná merece atenção. A nutricionista Geane Oliveira explica que as receitas podem variar bastante. Nas versões vendidas nas praças, ingredientes como xarope de guaraná, leite em pó e amendoim são comuns. Algumas receitas, porém, recebem complementos mais açucarados, como caldas. Segundo a nutricionista, quanto maior a quantidade desses ingredientes, maior pode ser a presença de açúcar e o valor calórico da bebida. Por isso, ela recomenda moderação, principalmente para pessoas com diabetes, obesidade ou que estejam em processo de emagrecimento. “O guaraná da Amazônia é uma bebida muito tradicional na nossa região e eu diria até que muito simbólica. Mas ele pode variar bastante”, explica Geane.

A nutricionista também destaca que a bebida pode conter cafeína, substância de ação estimulante. Isso ajuda a entender a sensação de disposição relatada por alguns consumidores. No calor, outro atrativo é a forma como o guaraná é servido, normalmente bem gelado e com bastante gelo.“Ele tem um sabor muito agradável e, como contém ainda um pouco de cafeína, consegue promover uma sensação de mais disposição”, afirma.

Para quem gosta de aproveitar a bebida durante o verão, Geane orienta evitar o excesso de ingredientes mais açucarados e dar preferência a preparos mais simples. Entre as possibilidades, estão versões acompanhadas de frutas. Ela também sugere que o consumo não ultrapasse duas vezes por semana, especialmente para quem não pratica exercícios físicos durante o período. 

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