Belém se destaca entre as melhores gastronomias do mundo e moradores ressaltam os sabores regionais
Moradores destacam pratos típicos, ingredientes amazônicos e a força da culinária regional como expressão cultural da cidade
Apontada como um dos destaques gastronômicos globais pela Lonely Planet, Belém ganha reconhecimento pela diversidade de pratos e pelo uso de ingredientes típicos da região amazônica. No ranking que elegeu as 15 cidades com a melhor culinária do mundo, a capital paraense ocupa a sétima posição, à frente de outros lugares. Na cidade, moradores destacam o sabor marcante dos pratos típicos, valorizam os insumos regionais e apontam a culinária local como um dos principais elementos de identidade cultural do estado.
Paraense de berço, a comissária de bordo Sabrina Louzeiro, 31, mora atualmente em Dubai e conta que já estava há cerca de um ano sem vir a Belém e está nesta semana na capital. Nascida e criada na capital, ela relata que vive no exterior há aproximadamente dois anos e que sentiu muita saudade da comida paraense e da cultura. Ela avalia que a culinária do Pará é muito forte e tem grande destaque, inclusive no setor de turismo em Belém.
“Na região do Pará, a culinária é muito forte, tanto que no setor de turismo em Belém tem um destaque muito grande. Na minha experiência vivendo fora, eu senti muita saudade, principalmente dos temperos, da maneira que a gente faz comida aqui, que tem uma diversidade muito grande, então com certeza a comida paraense é inigualável. O que eu mais gosto é o açaí, desde pequena, nascida e criada aqui, então o açaí para mim é o que não pode faltar", afirma Sabrina.
A comissária também cita pratos como maniçoba, vatapá e caruru e destaca a procura de turistas pela culinária local. “É açaí com peixe, com charque também, e é o que eu sinto mais falta, porque por fora a gente só tem aquele açaí diferente, não é o tradicional daqui. O daqui é o melhor que tem e não tem igual em lugar nenhum do mundo. Não dá pra viver sem maniçoba, vatapá, caruru. Eu trabalhava no aeroporto em Belém e a gente recebia muitos turistas procurando a nossa comida”, relata.
A partir da experiência vivendo fora, diz que sentiu muita falta dos temperos e da forma de preparo dos alimentos, destacando a grande diversidade da gastronomia local e afirmando que a comida paraense é inigualável. E conta que a cultura paraense tem ganhado ainda mais destaque. “Tenho amigos de todo lugar do Brasil que sempre comentam que querem conhecer o verdadeiro açaí, querem experimentar a comida daqui, então eu acho que o Pará tem um destaque muito grande”, comenta Sabrina.
Sabores inigualáveis
A psicóloga Antonete Farias reforça que Belém tem a melhor culinária do mundo e destaca que o diferencial está nos temperos e nas proteínas típicas da região, como os peixes e o açaí. Segundo ela, a gastronomia paraense é inigualável e tem repercussão em diferentes partes do mundo. “Belém tem a melhor culinária do mundo, com certeza. É inigualável o tempero, as proteínas que a gente tem aqui, como o peixe e o açaí”, afirma Antonete.
Ela também ressalta que a cultura paraense vem ganhando cada vez mais visibilidade e cita a realização da COP 30 como um fator que ampliou o interesse de pessoas de fora pela cidade, despertando curiosidade sobre a culinária e os costumes locais. Antonete ainda destaca a hospitalidade do povo paraense e afirma que considera um privilégio viver no estado e ter acesso às riquezas gastronômicas da região. “É muito bom ser paraense. Para mim, é um privilégio muito grande ter todas essas riquezas por perto”, completa.
No dia a dia, ela conta que consome principalmente peixes e frutos do mar e, embora goste de açaí, afirma que não é o alimento de que mais gosta. “Eu gosto muito de comer peixe. Sena cozido, frito, assado. Também gosto de camarão. Açaí eu tomo, mas não sou muito louca, embora goste. O peixe pode ter em qualquer lugar do mundo, mas aqui é diferente, é inigualável”, pontua.
Gastronomia ganha destaque nos restaurantes
Para o empresário Maurício Façanha, dono do restaurante Ver-o-Açaí, o reconhecimento ainda é insuficiente. Em tom bem-humorado, ele discorda da colocação no ranking e afirma que Belém deveria ocupar o primeiro lugar. “Eu discordo totalmente. Porque ele colocou a gente como uma das melhores. Nós somos a melhor”, afirma.
O empreendedor destaca que a culinária paraense se diferencia pela diversidade de ingredientes e pela variedade de pratos, que mudam conforme a região do estado. “Quando a pessoa chega e fala ‘comida típica paraense’, eu pergunto: paraense de onde?”, afirma, ao explicar que há diferenças entre a culinária de Belém, do Salgado, do Marajó e das regiões ribeirinhas.
Ele cita pratos como maniçoba, tacacá, arroz paraense e receitas com frutos do mar como exemplos dessa diversidade. Ainda assim, ressalta que o consumo tradicional segue forte, especialmente com o açaí acompanhado de peixe. “O rei da casa sempre vai ser o açaí com peixe, não tem jeito. Principalmente no final de semana, quando as famílias vêm. Hoje, cerca de 50% da nossa venda são os pratos autorais da casa”, afirma, ao explicar que essas criações também conectam com diferentes regiões do Pará e ajudam a ampliar a valorização da culinária local.
Além do sabor, o empresário destaca a importância de reconhecer o trabalho por trás dos produtos amazônicos. A ancestralidade da culinária também é apontada como um diferencial. Façanha menciona pratos como a maniçoba, que exige dias de preparo até atingir o ponto ideal. “Eu pergunto: onde no mundo tem uma comida que leva sete dias para ficar pronta?”, questiona.
Para ele, valorizar a produção local não significa rejeitar outras culturas, mas reconhecer a própria identidade. “Antes de eu vender a tua, eu preciso vender a minha”, afirma. “Não é ser bairrista, é levantar a nossa bandeira”, comenta. Por fim, Façanha defende que esse reconhecimento precisa ser fortalecido pelos próprios paraenses. “A gente precisa valorizar mais o que é nosso”, afirma. Ele amplia a reflexão para além da gastronomia e inclui outras expressões culturais. “Na tua casa tem que ter um quadro de um paraense, uma obra de arte de um paraense”, diz.
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