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Ato em Belém celebra memória e cobra justiça por Bruno e Dom nesta segunda (5)

Lideranças participaram de manifestação inter-religiosa na Praça do Carmo

O Liberal

A morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips não será em vão. Esse o cunho do ato inter-religioso que amigos e lideranças comunitárias, indígenas, afro-brasileiras e religiosas de diversos matizes promoveram na noite desta terça-feira (5), na Praça do Carmo, no bairro da Cidade Velha, para marcar um mês da morte desses dois defensores dos povos e dos ecossistemas da Amazônia. Nessa data, eles foram dados como desaparecidos em Atalaia do Norte, região do Vale do Javari, no Estado do Amazonas,e, depois, tiveram seus corpos encontrados. Bruno morou em Belém nos últimos seis anos de vida. Na manifestação foi lida a "Carta dos Amigos" em homenagem a Bruno e Dom.

A jornalista Helena Palmquist informou que Bruno deixou muitos amigos em Belém, e como ele foi morto no Amazonas e sepultado em Recife (PE), terra-natal dele, os amigos não tiveram oportunidade de se despedir do indigenista. Então, foi realizado o ato inter-religioso para celebrar a memória dos dois mortos e reivindicar justiça, paz para a Amazônia, fim do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal (STF) e demarcação e proteção para as terras indígenas. O Marco Temporal, como frisou, é uma tese em discussão no Supremo que poderá dificultar muito a demarcação de terras indígenas no país. 

Helena disse que Bruno Pereira era muito alegre, gostava de cozinhar e era dedicado com a seu trabalho na área Javari (AM), onde trabalhava e foi morto. Ele estudou Jornalismo mas, depois, tornou-se indigenista e foi atuar na Fundação Nacional do Índio (Funai). No Javari, ele conheceu a professora Beatriz Matos, da UFPA. Beatriz encontra-se em Recife.

Ato lembra trajetória de Bruno e Dom em prol dos povos da Amazônia (Foto: Cláudio Pinheiro / O Liberal)

Wender Tembé destacou que "cada vez que se mata, com essa crueldade, um indigenista, é um fracasso para os povos indígenas, porque são dos poucos que defendem a causa, que morrem pela floresta e para nós isso é revoltante". Indígenas Tembé apresentaram um número de dança em homenagem a Bruno e Dom.

Pesquisador do Museu Emílio Goeldi e ex-presidente da Funai, Márcio Meira, afirmou que a morte de Bruno e dom provoca "muita indignação", porque Bruno era um indigenista de alta categoria, funcionário da Funai, compromissado, "foi vitimado por um ato de violência tão brutal". "Então, a gente carrega indignação e também solidariedade à família; esse é um momento de celebrar a memória dele e que esse luto seja também momento de resistência, luta para melhora na política indigenista no Brasil", completou.

Mameto Nangetu, liderança do Candomblé Angola, enfatizou que "são duas perdas tão significativas para todos nós, e dizer que basta de matar nosso povo, porque eram dois defensores da terra, da mata, dos povos tradicionais; a gente não quer mais ver morte".
Padre Paulinho Silva, das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), declarou que se lembra de "dois mártires da floresta, da luta pela Amazônia, pelos povos indígenas, sobretudo". Salientou que o ato é um protesto "contra os mandantes desse crime que até hoje está impune e a investigação está totalemente a desejar em não apontar os verdadeiros mandantes".

Ataques

Como frisou o pastor Nicolau Paiva, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, essa Igreja celebra a vida, e a morte de Dom e Bruno reforça o sentido de companherismo, porque "somos muitos "Dons", muitos "Phllips", e o mesmo sentimento vale para Bruno Pereira.

Júlia Otero, professora da UFPA e amiga de Bruno Pereira, ressaltou que o asssasinato de Bruno e Dom não é um caso isolado mas faz parte de ataques aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. "O Bruno assessorava os povos indígenas para proteger as suas terras; então, o que falta é uma política que reconheça essa expertise desses povos e os apoie em uma política pública que esteja comprometida com a existência desses povos e não com a destruição", afirmou. Lideranças indígenas da etnia guaranu e do povo colombiano Warao participaram do ato.


 
 

Belém
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