Um dia após tremor em Belém, moradores relatam como episódio aconteceu em diferentes bairros
Uma pizzaria, localizada na rua Antônio Barreto, no bairro Umarizal, foi evacuada pelo dono quando um funcionário notou a ocorrência
Moradores de dois bairros de Belém relatam, um dia após um tremor atingir a capital paraense, que saíram dos espaços onde estavam logo que sentiram o abalo. Apesar do susto, o sentimento pela manhã é de alívio, pois não houve feridos, e a rotina foi retomada. O episódio foi registrado na noite dessa quarta-feira (24), durante o jogo da Copa do Mundo 2026 entre Brasil e Escócia, após um terremoto de magnitude 7.5 na Venezuela. Em ao menos quatro bairros da capital paraense, a população foi afetada pelo ocorrido, sentido principalmente por moradores de edifícios.
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No bairro do Umarizal, uma pizzaria localizada na rua Antônio Barreto foi evacuada. Fernando Saraiva, dono do empreendimento, conta que um funcionário notou a movimentação de uma árvore e sentiu que algo estava acontecendo no local. Em seguida, ele alertou o proprietário, que imediamente retirou os colaboradores e fechou o estabelecimento.
“A primeira medida foi de segurança, preservar pelas nossas vidas. A reação foi de sair correndo. O desespero estava grande aqui na rua, todo mundo saindo, polícia fechou a rua e, com isso, a gente não tem que olhar para trás. Deixamos todos os nossos insumos, pizza dentro de forno. a gente estava com mais de 50, 60 pedidos na hora”, fala Fernando. O empresário coloca o bem-estar acima de tudo e relata que houve um prejuízo foi incauculável, visto que era dia de partida da Seleção Brasileira: “Tivemos que fechar, mas, graças a Deus, não aconteceu nada, todo mundo bem.”
Fernando pediu desculpas aos clientes que esperavam pelos pedidos, relembrando que precisou fechar a pizzaria às pressas. “Vida que segue, o prejuízo a gente recupera. A primeira coisa era a gente cuidar das nossas vidas e evacuar o mais rápido possível”, destaca. Questionado se o local funcionaria normalmente nessa quinta-feira (25), ele disse que sim. “Graças a Deus, não aconteceu nada. O que importa são nossas vidas. Quantas vidas não tinham nesse prédio?! Para honra e glória do Senhor, não aconteceu nada. Infelizmente, teve o abalo na Venezuela, a gente se solidariza com o pessoal de lá, mas, graças a Deus, aqui não aconteceu nada”, ressalta.
Sinais sutis
Na travessa Curuzu, no bairro da Pedreira, uma área de três prédios foi afetada pelo tremor e apenas o central não o sentiu. O vice-síndico Aluízio de Freitas conta que estava assintindo ao jogo do Brasil com o filho quando notou o abalo sutil e, ao olhar para a luminária no teto, viu que estava mexendo. Imediatemente, Aluízio entrou em contato com a síndica e acionou o Corpo de Bombeiros Militar, que esteve no local por volta das 21h40.
Além do vice-síndico, que mora no 11° andar, outros moradores confirmaram a situação ao olharem para a movimentação da luz nos apartamentos. “Não tinha por que estar balançando, porque nem vento tinha na hora”, conta. Aluízo lembra que também acionou os vizinhos por meio de um grupo no WhatsApp, pedindo que evacuassem, mas acredita que o jogo tirou a atenção da maioria.
“Os bombeiros chegaram já uma hora depois para fazer uma inspeção no prédio. Eu acompanhei eles para que pudessem ser feitas as inspeções nas colunas e nada foi constatado, e automaticamente foi liberado”, fala. O vice-síndico afirma que não houve perdas materiais e todos ficaram bem. O morador Wagner Fretes, em conversa com a reportagem, disse que estava fora de casa com a esposa e o filho, e soube por meio do grupo de mensagens. Ao chegar, não viu danos no apartamento.
Histórico de tremores
Morador da travessa Almirante Wandenkolk, o aposentado Sebastião Vilhena vive próximo aos principais pontos onde o tremor aconteceu na rua Antônio Barreto, porém diz que não sentiu qualquer efeito. Ele relembra que, em 2018, viu um episódio semelhante, também vindo de um terremoto na Venezuela. “Ocorreu com um prédio ali na Boaventura da Silva, aqui no Umarizal. Estava cheio de populares em volta”, recorda.
“Sendo morador, a pessoa fica insegura, realmente. Fica preocupada, né?! Não digo tanto inseguro, porque eu moro numa casa a maior distância de ser atingida por um sinistro de qualquer natureza com um prédio desses aqui”, conclui Sebastião.
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