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Abraço de mãe: elas contam como o afeto dribla a pandemia

Ouvimos mães e avós para que elas falassem de suas experiências e planos nesse Dia das Mães inusitado. Especialistas dão dicas de como garantir o amor do dia de festa - e também a saúde da família

Eduardo Laviano

A vacinação contra a covid-19 significa para muitas pessoas uma tranquilidade a mais quando o assunto é a retomada de encontros presenciais, restritos agora há mais de um ano. Neste Dia das Mães, a professora aposentada Iara Damasceno só pensa nos abraços fortes que não deu ao longo de todo o ano de 2020.

"Foi difícil conter a saudade e está sendo difícil ainda. Nesse Dia das Mães meus filhos vêm aqui em casa, para um almoço de família. No ano passado foi um fiasco, muito triste, sem ninguém. Um período complicado que espero que não volte mais. Eles tinham receio de aparecer aqui, morrendo de medo de contaminar os pais. Deus nos deu forças para superar esse momento complicado", conta ela, que tem 66 anos.

Para Iara, no início da pandemia foi muito desafiador se acostumar ao isolamento. Ela mora com o marido e os dois começaram a se engajar em atividades diversas para passar o tempo, incluindo minirreformas dentro de casa, planejadas e executadas por eles. 

"Passamos um ano sem ir em consulta médica e ir à igreja e à família. Minha expectativa é dar um abraço forte neles. O que me deixou de pé foi o fato de que falávamos por vídeo, mas é diferente. Estávamos acostumados a sair todos os finais de semana", afirma.  

Com três filhos e quatro netos, Iara não vê alguns deles desde o Natal. Quando a pandemia estourou em abril de 2020, ela e o marido se trancaram em casa e só tiveram contato com os familiares em agosto. Um filho que mora perto levava as compras do supermercado na porta, que ela limpava com sumo cuidado, uma por uma. 

"Hoje estamos mais tranquilos. Eles vieram em dezembro e foi ótimo, mas agora estamos nesse período em que a situação piorou muito no início em 2021, então suspendemos todos os contatos de novo. Meu filho teve covid e aí mesmo que ele não pisou mais aqui de jeito nenhum", lembra a aposentada, vacinada há 15 dias com a segunda dose do imunizante.

Ela avalia que a vacinação está muito bem organizada em Belém e pede para que as pessoas mantenham os cuidados só por alguns meses mais antes, pois está convicta que dias melhores estão virando a esquina. 

"Eu estou na torcida e muito alegre para 2022 ter um dia das mães melhor ainda, com toda a família aqui comigo. Vejo que as pessoas não têm costume de ficar longe um dos outros nos lugares, gente sem máscara, gente aglomerando. Isso me deixa triste. O povo tem que ter paciência, pois vai chegar a vez de cada um de se vacinar e tudo vai melhorar por causa da esperança que a ciência trouxe para nós com a vacina", afirma. 

"Eu estou na torcida e muito alegre para 2022 ter um dia das mães melhor ainda, com toda a família aqui comigo. Vejo que as pessoas não têm costume de ficar longe um dos outros nos lugares, gente sem máscara, gente aglomerando. Isso me deixa triste. O povo tem que ter paciência, pois vai chegar a vez de cada um de se vacinar e tudo vai melhorar", sorri Iara Damasceno

Feriado será dia de matar saudades, mas com muitos cuidados (Thiago Gomes / O Liberal)

Primeiro encontro, em almoço


Dona Neuza Ribeiro, de 86 anos, também está muito feliz por ter se vacinado. Ela conta que não sentiu nenhum efeito colateral e que se sente muito agradecida a Deus por ter iluminado a vida dos pesquisadores que desenvolveram as vacinas disponíveis no mundo. 

Um almoço de domingo em casa vai ser o reencontro com apenas parte dos filhos, já que dois deles moram fora do Estado. Mesmo assim, ela esteve tomada de animação desde o início da semana para celebrar a data com as filhas e os netos que moram em Belém. 

"Eu gostaria que todos meus filhos estivessem junto comigo no Dia das Mães, mas eu sei que nem sempre dá. Eu sempre viajo para ver eles, mas nesse período não está dando para ir, né? Eu estou desde dezembro sem ver eles", afirma. 

Durante a pandemia, Neuza evitou ao máximo o contato direto com os filhos, mas rapidamente se acostumou às videochamadas no celular para matar a saudade. 

"Como é triste o filho longe da gente. Aperta o coração, mas é assim mesmo. Agora esse ano vamos ter um dia das mães incrível e ainda estou aqui na terra, né? Isso é motivo para comemorar. Estou agradecida por ter 86 anos e por estar viva para comemorar essa data linda mais uma vez", sorri. 

A filha Nilze Ribeiro conta que a mãe é muito ativa, caminha para igreja sem ajuda, tem ótima memória e faz tudo sozinha. Ela quer dar o melhor de si para fazer desse dia das mães inesquecível para a Dona Neuza. 

"Ela merece. Carregar um filho por nove meses e criar e educar é muito bom. É gratificante amar e cuidar e ela é a maior demonstração desta verdade. Eu desejo para a humanidade que, no dia das mães de 2022, tudo já esteja bem. Se for da vontade de Deus, quero todo mundo aqui em casa, para ser ainda melhor, com todas as mães da família que são as minhas tias. Eu tenho fé que estaremos todos protegidos pela vacina. Essa é a minha esperança", diz ela.

"Como é triste o filho longe da gente. Aperta o coração, mas é assim mesmo. Agora esse ano vamos ter um dia das mães incrível e ainda estou aqui na terra, né? Isso é motivo para comemorar. Estou agradecida por ter 86 anos e por estar viva para comemorar essa data linda mais uma vez", sorri Neuza Ribeiro, de 86 anos

É preciso vencer a ansiedade e manter cuidados, dizem especialistas


A psicóloga Graciete Ferreira afirma que notou, na pandemia, um aumento significativo dos quadros de ansiedade de idosos que ficaram afastados dos netos, principalmente os idosos que têm mais autonomia e constante contato social com família e amigos.

"Eu tinha até idosos que tiveram alta e que durante a pandemia acabaram voltando ao tratamento. A covid-19 trouxe essa proximidade com a perda e o luto, a iminência da morte, de um primo, de um amigo, de um conhecido. Isso mexeu muito com a estrutura psicológica das pessoas", diz.

Para ela, a data não será comemorada de maneira muito diferente de 2020, já que muitas mães não estão vacinadas. Porém, considerando que ano passado ninguém estava vacinado, Ferreira acredita que a celebração, mesmo que pequena, pode ser um alento importante entre um mar de notícias difíceis sobre a pandemia. 

"Mas, novamente, muitas pessoas precisarão ser criativas neste processo. A distância física nunca pode ser impedimento para manifestar sentimentos que alimentam o afeto, os vínculos. Precisamos nos preservar, pois quem ama cuida. Amar verdadeiramente ultrapassa o ego e a necessidade de querer estar lá presencialmente com a mãe. Cumprir os protocolos de segurança é, no momento, a maior demonstração de amor", afirma.

A infectologista Helena Brígido avalia como natural que todos queiram estar com as mães no domingo para um almoço ou para colocar o papo em dia. Ela entende que a atitude contribui para a saúde mental, mas que a prudência é a palavra de ordem para evitar contaminações na data. 

"A reunião precisa ser planejada com poucas pessoas que não sejam residentes no mesmo domicílio. Ao adentrar na casa é fundamental lavar as mãos com água e sabão ou o uso de álcool a 70%. Os cumprimentos devem ser sem contato físico. É fundamental evitar permanecer sem máscara fora do momento de alimentação. As pessoas com sintomas respiratórios não devem participar de reuniões em nenhum ambiente pela possibilidade de ser covid-19 e haver transmissão coletiva", aconselha.

Belém
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