410 anos: Novo Mercado de São Brás fortalece autoestima e identidade da população de Belém

Em meio à variedade gastronômica oferecida pelo novo espaço, a culinária local se afirma como a principal escolha do público, que aprovou a revitalização

Fernando Assunção (Especial para O Liberal)

Às vésperas de completar 410 anos, celebrado nesta segunda-feira (12), Belém reencontra parte essencial da sua história no Novo Mercado de São Brás. Entregue revitalizado oficialmente no início de outubro de 2025, o espaço já se tornou um dos principais símbolos do atual momento vivido pela capital paraense e virou marco de autoestima e reafirmação da identidade da população.

Após a revitalização, o Mercado de São Brás passou a abrigar 70 empreendimentos ligados à gastronomia, à economia criativa e a serviços, consolidando-se como ponto de encontro de moradores, turistas e trabalhadores de diferentes bairros e idades. De acordo com a Prefeitura de Belém, a média diária de público já ultrapassa três mil pessoas, número que mostra a reapropriação do espaço pela população.

O complexo foi reorganizado com infraestrutura moderna, acessível e integrada ao cotidiano urbano, que convive com a arquitetura original do prédio, inaugurado em 1911 e projetado pelo arquiteto italiano Filinto Santoro. A estrutura em ferro fundido e os elementos do art nouveau e do neoclássico, marcas da Belle Époque amazônica, agora aparecem restaurados e valorizados, revelando detalhes que antes passavam despercebidos.

A revitalização do Mercado de São Brás é resultado de uma parceria institucional entre a Prefeitura de Belém, com apoio dos governos estadual e federal e financiamento da Itaipu Binacional. 

Em meio à diversidade de opções gastronômicas, o protagonista é o peixe com açaí

O espaço apresenta uma diversidade de opções. No térreo, o corredor gastronômico concentra 33 estabelecimentos que vão de bares e cervejarias a docerias, casas de caldo, pizzarias e espaços de comida regional, além de restaurantes distribuídos em áreas internas e externas. Mas, em meio à variedade, a culinária local se afirma como a principal escolha do público. 

Peixe frito, açaí e pratos que dialogam diretamente com a formação ribeirinha da cidade seguem como os mais pedidos, reafirmando que, mesmo diante de novas tendências gastronômicas, Belém continua fiel aos sabores que contam sua história. Essa relação afetiva com a comida aparece nos relatos de quem frequenta o mercado. Para a professora aposentada Socorro Almeida, de 62 anos, a experiência vai além da refeição. 

“Hoje pedi um peixe pirarucu, que é o nosso peixe, com açaí. Isso me remete à minha história, à minha origem ribeirinha. A culinária daqui é viver aquilo que a gente é”, afirma. Para ela, o resgate arquitetônico e a ocupação popular do espaço têm impacto direto na autoestima da cidade. “Antes da reforma, frequentei poucas vezes. Agora é diferente. Ver o povo acessando, valorizando esse espaço público, isso eleva a nossa autoestima”.

A professora universitária Eveline Almeida, de 39 anos, também destaca o caráter simbólico do mercado revitalizado. Ela, que nasceu em Belém, mas mora em Santarém, em sua primeira visita ao espaço reformado, resume a sensação compartilhada por muitos belenenses.

“É um lugar onde Belém se reencontra com a sua memória e, ao mesmo tempo, se apresenta como uma cidade viva, em movimento”. Ao também escolher peixe frito com açaí, ela reforça que o prato “tem o cheiro e a cara de Belém”, traduzindo uma identidade construída historicamente pelas populações indígenas, ribeirinhas e afro-amazônicas.

Frequentadoras do Mercado de São Brás fazem pedidos para os 410 anos de Belém

Satisfeitas com o prédio que a cidade ganhou, as frequentadoras do Mercado de São Brás vão além e projetam o futuro da cidade: que Belém siga cuidando do que foi conquistado e amplie esse olhar para toda a cidade, inclusive para as áreas periféricas. Para Socorro Almeida, a revitalização do mercado simboliza um caminho que precisa ser continuado. 

“Nesses 410 anos, eu desejo que a gente possa continuar cuidando, preservando tudo isso que foi conquistado e muito mais. Que haja mais saúde, melhoria do espaço urbano como um todo, principalmente nas periferias”, afirma. Para ela, a valorização dos espaços públicos históricos precisa caminhar junto com políticas que garantam qualidade de vida e pertencimento para toda a população.

Eveline Almeida reforça essa dimensão coletiva do cuidado e do direito à cidade. Para a professora, o futuro de Belém depende não apenas da ação do poder público, mas também da apropriação dos espaços pela população. “Eu desejo que Belém seja cada vez mais bem cuidada, não só pelas autoridades, mas que o povo se aproprie, tome parte da sua história e do seu desenvolvimento”, pontua.

Horário de Funcionamento - Mercado de São Brás

Os vários setores do Mercado de São Brás têm horários diferentes de funcionamento. Confira:

Setor da Feira

Segunda a sábado: 7h às 18h

Domingos e feriados: 7h às 16h

Praça de Alimentação

Todos os dias (inclusive feriados): 7h às 15h

Corredor Gastronômico e Anexos 

Segunda-feira: 15h às 22h

Terça a quinta-feira, domingos e feriados: 10h à 0h

Sextas e sábados: 10h à 1h

Setor de Lojas

Todos os dias (inclusive feriados): 10h às 22h

 

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