Ataques por enxame de abelhas podem provocar destruição de células, diz médico; confira os cuidados
No caso de reações alérgicas graves, conhecidas como anafilaxias, os sintomas iniciam em minutos
Após um ataque por enxame de abelhas, a principal consequência por acidente com os insetos é o quadro de envenenamento decorrente da injeção de toxinas através do aparelho inoculador (ferrão) de abelhas. Segundo Bruno Paes Barreto, médico pediatra e alergista de Belém, a gravidade dos acidentes com picadas está relacionada à quantidade de veneno inoculado e ao peso corporal. O alerta surge depois do ataque por um enxame ocorrido na última quarta-feira (9) em Ananindeua, no qual três pessoas ficaram feridas.
As abelhas são insetos da ordem Hymenoptera, divididas em uma organização hierárquica, onde as abelhas operárias são responsáveis pela defesa da colônia, segundo o Ministério da Saúde. Após a picada, elas liberam um feromônio que faz com que outras abelhas ataquem o mesmo alvo, podendo ocasionar acidente com centenas de picadas. A gravidade dos acidentes com picadas está relacionada à quantidade de veneno inoculado e ao peso corporal.
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“Múltiplas picadas podem provocar destruição de células musculares e sanguíneas, lesão renal e comprometimento de outros órgãos, mesmo sem alergia. Na reação alérgica ou anafilática, uma única picada pode desencadear um quadro potencialmente fatal em uma pessoa sensibilizada. Os dois mecanismos podem coexistir”, diz o médico, coordenador do Departamento de Alergias na Infância da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
No caso de reações alérgicas graves, conhecidas como anafilaxias, os sintomas iniciam em minutos. Alguns deles são: urticária disseminada; inchaços na língua ou garganta; rouquidão; falta de ar; chiado no peito; vômitos repetidos; tontura e desmaios. Também pode haver anafilaxia sem manifestações na pele.
Já na intoxicação por múltiplas picadas, sem alergia, os sintomas são: vômitos; fraqueza intensa; dores musculares; urina escura e redução do volume urinário; algumas complicações aparecem horas depois.
Acidente no Curuçambá
Na última quarta-feira (9), três pessoas ficaram feridas após serem atacadas por um enxame de abelhas, no bairro do Curuçambá, localizado no município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Na ocasião, equipes do 29º Batalhão da Polícia Militar encontraram várias pessoas correndo, entre elas estava Leila Corrêa de Souza e duas crianças, que apresentavam sinais de desmaio diante da quantidade de ferroadas.
Segundo o médico pediatra e alergista Bruno Paes Barreto, o organismo de crianças reage de maneira diferente à peçonha de abelhas por conta do menor peso corporal. “A mesma quantidade de picadas representa uma dose maior [da peçonha] por quilo, aumentando o risco de toxicidade. Já a anafilaxia ou seja uma reação alérgica , por sua vez, depende da sensibilização alérgica e pode ocorrer com apenas uma picada, em qualquer idade. Múltiplas picadas exigem avaliação médica urgente, mesmo que a criança inicialmente pareça bem”, afirma.
As imagens gravadas por moradores mostram várias pessoas correndo desesperadas tentando se proteger. Uma moradora tentou ajudar com uma mangueira jorrando água na calçada para que as pessoas pudessem se molhar e aliviar a dor das picadas. Os policiais ainda acionaram o Corpo de Bombeiros Militar (CBMPA). As três vítimas mais graves foram colocadas nas viaturas da PM e encaminhadas à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Paar.
Após receberem atendimento médico, as vítimas foram transferidas para uma unidade de saúde com maior suporte, onde permanecem sob observação. As três vítimas apresentavam inúmeras ferroadas pelo corpo, principalmente na cabeça, rosto e pescoço.
De acordo com o registro da ocorrência, elas foram encaminhadas para a sala vermelha e permaneceram sob observação médica devido à gravidade do quadro. Familiares acompanharam o atendimento.
Cuidados
Mesmo em pessoas que nunca apresentaram reação à peçonha das abelhas antes, também podem surgir quadros de alergia. O médico explica que picadas anteriores podem ter provocado sensibilização, com formação de anticorpos IgE específicos, sem manifestações alérgicas perceptíveis naquela ocasião.
“Assim, a primeira reação reconhecida pode já ser uma reação grave. Ter sido picado anteriormente sem apresentar reação sistêmica não garante proteção contra reações futuras”, pontua Bruno Paes Barreto.
No caso de sinais de alergia grave, o médico pediatra e alergista explica que é preciso utilizar o autoinjetor de adrenalina, se disponível, na face externa da coxa, e acionar o SAMU — 192. Segundo ele, a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira escolha e anti-histamínicos e corticoides não a substituem.
“Evitar que a pessoa fique em pé ou caminhe. Se não houver alergia, mas tiverem múltiplas picadas, especialmente em crianças, ou picadas dentro da boca ou na garganta, estas também exigem atendimento urgente, mesmo sem sinais iniciais de alergia”, avalia.
Veja o que fazer após uma picada de abelhas
- Afastar-se do enxame
- Retirar rapidamente os ferrões
- Lavar a região com água e sabão
- Aplicar compressa fria
Fonte: Bruno Paes Barreto, médico pediatra e alergista. coordenador do Departamento de Alergias na Infância da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
*Estagiária de Jornalismo, sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades
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