Idosos ribeirinhos de Cametá buscam envelhecimento saudável com projeto de extensão da UFPA
Faculdade de Enfermagem realiza atividades com 25 pessoas, de 60 a 90 anos de idade, que enfrentam vários desafios no seu território
Desenvolver estratégias de promoção da saúde para a população ribeirinha acima de 60 anos no município de Cametá, no nordeste do Pará. Esse é o objetivo do projeto de extensão “EnvelheSENDO rio abaixo, rio acima”, realizado pela Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Pará (UFPA). Atualmente, o projeto acompanha 25 pessoas idosas, com idades entre 60 e 90 anos. A iniciativa visa estimular, por meio de ações de saúde biopsicossociais, o autogerenciamento da vida e o envelhecimento saudável das populações ribeirinhas das comunidades Pacuí de Cima e Pacuí de Baixo.
"Os temas são definidos em diálogo com as próprias pessoas idosas, de acordo com as necessidades e os interesses do grupo. As atividades abordam diferentes dimensões da saúde e estimulam a autonomia e o autocuidado, com foco em um envelhecimento saudável e sustentável. Todo o trabalho valoriza a relação das pessoas com o território, a cultura local e os saberes tradicionais”, destaca a a coordenadora do projeto, Daiane Fernandes.
A ideia surgiu de atendimentos realizados nos serviços de saúde de Cametá. Durante os atendimentos, a equipe percebeu que as demandas da comunidade sobre a necessidade de estratégias de educação em saúde que pudessem contribuir para o envelhecimento saudável no território. Desde então, o projeto realiza ações de educação em saúde que incluem temas como saúde mental e prevenção de quedas entre pessoas ribeirinhas idosas.
Também são abordadas questões relacionadas à promoção dos direitos sociais da pessoa idosa, inclusão digital dessa população, incluindo a produção de conteúdo para as redes sociais, visando conscientizar a população acerca do combate ao etarismo e à violência contra idosos. Além disso, entre os temas já trabalhados estão prevenção de quedas no contexto ribeirinho, saúde mental, prevenção e manejo de doenças crônicas, alimentação adequada e saudável no contexto ribeirinho, prevenção da violência e os direitos das pessoas.
"Em cada encontro, ouvimos os participantes e adequamos o planejamento às necessidades apresentadas. Mais do que transmitir informações, buscamos promover a troca de conhecimentos e valorizar a cultura e os saberes locais relacionados ao envelhecimento e ao cuidado”, enfatiza Fernandes. As atividades são desenvolvidas pela equipe de extensão da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Pará, em parceria com profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Cametá.
Desafios
Um dos desafios para a participação das pessoas idosas é a distância. "A ampliação da participação ainda enfrenta barreiras próprias do território ribeirinho. Para chegar ao local das atividades, muitas pessoas idosas dependem de familiares ou de outras pessoas que conduzam as embarcações. As distâncias, as condições climáticas e as variações no nível das águas também podem dificultar o deslocamento e a participação nos encontros", detalha a professora.
Os pesquisadores já perceberam várias necessidades dos idosos como o acompanhamento das doenças crônicas não transmissíveis, especialmente a hipertensão arterial, e o cuidado com a saúde mental. “A solidão e a tristeza aparecem com frequência nos relatos dos participantes. O acesso aos serviços de saúde também é dificultado pelas distâncias, pela dependência de transporte fluvial, pelos custos do deslocamento e, em algumas situações, pela falta de apoio familiar. Essas barreiras evidenciam a necessidade de políticas e serviços que considerem as características do território ribeirinho e assegurem às pessoas idosas o direito de envelhecer com dignidade, respeito e acesso ao cuidado”, destaca a pesquisadora.
Com o aumento da longevidade no país, as atividades desenvolvidas pelo projeto são fundamentais para a promoção de um envelhecimento ativo e saudável. “Os relatos dos participantes indicam mudanças importantes na convivência e no sentimento de pertencimento. Muitos dizem que, por meio do projeto, passaram a se sentir mais vistos e valorizados. Os encontros também favorecem a troca de experiências, a aprendizagem, a interação social e o enfrentamento da solidão, uma das principais queixas apresentadas no início das atividades. Além disso, percebemos maior envolvimento dos participantes em práticas relacionadas ao autocuidado, à autonomia e à independência. O projeto busca fortalecer a capacidade de cada pessoa idosa de ser e fazer aquilo que considera valioso, respeitando seu modo de vida e seu território”, reforça.
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