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Direitos das mulheres no Brasil: o que mudou nos últimos anos

Leis e avanços recentes fortaleceram a proteção, a igualdade no trabalho e os direitos sociais das mulheres no país

O Liberal

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reforça o debate sobre igualdade de gênero e os avanços na garantia de direitos femininos no Brasil. Ao longo dos últimos anos, novas leis e políticas públicas ampliaram mecanismos de proteção, fortaleceram o combate à violência e estabeleceram regras para reduzir desigualdades no mercado de trabalho.

As mudanças ocorreram em diferentes áreas, como segurança, direitos trabalhistas, educação e políticas sociais. Muitas dessas legislações surgiram a partir de pressões da sociedade civil, do aumento dos índices de violência contra mulheres e de debates públicos sobre igualdade de gênero.

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Lei Maria da Penha fortaleceu proteção contra violência doméstica

Um dos principais marcos legais na defesa dos direitos das mulheres é a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), considerada referência no combate à violência doméstica e familiar.

A legislação foi criada após quase duas décadas de mobilização da biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu duas tentativas de feminicídio em 1983 cometidas pelo então marido e ficou paraplégica. A demora na punição do agressor levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o Estado brasileiro e recomendou mudanças na legislação.

Entre os principais mecanismos estabelecidos pela lei estão:

  • Medidas protetivas de urgência, como o afastamento do agressor do lar;
  • Proibição de contato com a vítima e familiares;
  • Suspensão do porte ou posse de armas;
  • Proteção policial e acompanhamento judicial.

A lei também definiu cinco tipos de violência contra a mulher:

  • física
  • psicológica
  • sexual
  • patrimonial
  • moral

Nos últimos anos, atualizações ampliaram os instrumentos de proteção, incluindo monitoramento eletrônico de agressores, programas de reeducação e o afastamento de servidores públicos de cargos de chefia quando estiverem sob medida protetiva.

Lei do Feminicídio tornou assassinato por gênero crime específico

Outro avanço importante ocorreu com a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), que incluiu no Código Penal o assassinato de mulheres motivado por razões de gênero. A legislação define o feminicídio como o homicídio cometido contra a mulher em contexto de violência doméstica ou por menosprezo e discriminação à condição feminina.

Inicialmente, o crime foi classificado como qualificadora do homicídio, com pena entre 12 e 30 anos de prisão. Em 2024, uma nova mudança ampliou a punição. A Lei nº 14.994, conhecida como Pacote Antifeminicídio, trouxe alterações importantes:

  • o feminicídio passou a ser crime autônomo no Código Penal;
  • a pena foi ampliada para 20 a 40 anos de prisão;
  • novas agravantes foram incluídas, como crimes cometidos contra gestantes, na presença de filhos ou após descumprimento de medidas protetivas.

A legislação também aumentou a punição para crimes como ameaça, lesão corporal e injúria cometidos contra mulheres.

Lei da Igualdade Salarial reforça fiscalização no mercado de trabalho

No campo trabalhista, um dos avanços recentes foi a Lei da Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023), que busca reduzir disparidades de remuneração entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

Embora o princípio de salário igual para trabalho igual já estivesse previsto na Constituição e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a nova lei introduziu instrumentos de fiscalização mais rigorosos.

Entre as medidas previstas estão:

  • relatórios semestrais de transparência salarial para empresas com 100 ou mais funcionários;
  • comparação pública de cargos e remunerações entre homens e mulheres;
  • planos de ação obrigatórios caso sejam identificadas desigualdades injustificadas;
  • multas mais severas e possibilidade de indenização por danos morais.

A medida busca ampliar a transparência e pressionar empresas a corrigirem desigualdades históricas no mercado de trabalho.

Licença-maternidade evoluiu e ganhou novas garantias

Outro direito que passou por mudanças ao longo do tempo foi a licença-maternidade, voltada à proteção da mãe trabalhadora e do recém-nascido.

O benefício surgiu em 1943, com a Consolidação das Leis do Trabalho, quando previa 84 dias de afastamento. Com a Constituição Federal de 1988, o período mínimo foi ampliado para 120 dias, além da garantia de estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

Posteriormente, o Programa Empresa Cidadã, criado em 2008, passou a permitir que empresas ampliem a licença para 180 dias.

Mais recentemente, a Lei nº 15.222/2025 trouxe uma atualização importante: quando a mãe ou o bebê permanecem internados por mais de duas semanas após o parto, o período de licença passa a ser contado apenas após a alta hospitalar. A medida garante que o tempo de internação não reduza o período de convivência da mãe com o bebê em casa.

Leis recentes ampliam políticas de proteção e valorização

Outras legislações aprovadas nos últimos anos também ampliaram políticas públicas voltadas às mulheres.

Entre elas estão:

Lei nº 14.899/2024

  • cria redes estaduais de proteção para mulheres em situação de violência
  • prevê atendimento especializado e monitoramento eletrônico de agressores
  • estabelece metas de redução da violência e ampliação das delegacias de atendimento à mulher

Lei nº 14.986/2024

  • determina que escolas incluam nos currículos conteúdos sobre as contribuições das mulheres na história
  • destaca conquistas femininas em áreas como ciência, política, economia, arte e cultura
  • institui a Semana de Valorização de Mulheres que Fizeram História, realizada anualmente em março