Summit Amazônia Produtiva

Tecnologia ajuda os setores a reduzir os impactos

Projeto da Vale reduz produção de CO2 em 50% e diminui o consumo de água em 93%

Keila Ferreira

O Summit Amazônia Produtiva retomou sua programação, durante a tarde, abordando a gestão de resíduos sólidos e práticas de responsabilidade socioambiental na indústria da mineração. Exemplos de boas práticas na indústria foram apresentados, entre eles o projeto S11D, da Vale, com atenção voltada a sustentabilidade e que, através das tecnologias implantadas, conseguiu reduzir em 50% a produção de CO2, diminuir em 93% o consumo de água e reutilizar 86% de água captada.

"É possível sim ter essa atividade, que gera desenvolvimento para o estado do Pará, com responsabilidade social e ambiental", enfatizou o doutor em Geologia sedimentar Igor Charles Castro Alves, que ministrou palestra sobre o tema.

Igor Charles

Ele mostrou as consequências provocadas pela exploração e consumo de recursos de forma não pensada e destacou a necessidade de comprometimento de cada cidadão na questão ambiental, especialmente no que se refere a destinação adequada do lixo - doméstico ou industrial.

Segundo Igor Alves, 40% do lixo produzido é material reciclável, mas grande parte se perde nos lixões. Para ele, também é preciso evolução na gestão de resíduos e gestão sustentável. Além dos benefícios ao meio ambiente, isso pode melhorar a renda dos catadores de materiais recicláveis. "Os gargalos somos nós mesmos. Falta conscientização dentro de casa".

DESAFIOS E TENDÊNCIAS

Em sete  décadas, a tecnologia de logística de transporte na mineração cresceu 70%. Esse é apenas um dos avanços do setor, que representa 4% do PIB brasileiro. "A visão do futuro: desafios e tendências da atividade mineral" foi o tema da palestra do Summit Amazônia Produtiva, ministrada na tarde desta quarta-feira, pelo diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM, Eduardo Leão. Ele fez um panorama do setor minerário brasileiro, destacou dificuldades enfrentadas e novas tecnologias voltadas a essa atividade econômica.

Segundo Leão, o país tem 13% do seu território com direitos minerários e mais de 50 tipos de minerais explorados. Mas a ANM possui 196 mil processos inscritos, o que trava os trabalhos. Nesse caso, todos os minerais são abrangidos, inclusive os agregados da construção civil, e este segmento tem grandes desafios. No caso da AMN, a estrutura ainda é  insuficiente e dos 792 servidores inscritos, 448 estarão aptos a se aposentar até 2023. Além disso, 40% da massa de trabalhadores da mineração têm mais de 50 anos e, até 2022, um terço pode se aposentar.

Eduardo Leão

Por outro lado, Eduardo Leão destaca o início de importantes mudanças, com ações como a instalação do sistema brasileiro de certificação de recursos e reservas, novo modelo para concessão de títulos em áreas de disponibilidade, simplificação de legislação de royalties e agenda regulatória. "A mineração tem quatro pilares principais: minério, logística, tecnologia e energia. Se isso não estiver bem alinhado, não tem desenvolvimento econômico, tem perda de produção", ressaltou.

Entre as tendências do setor, apresentadas pelo diretor da ANM, está a inteligência artificial, automação integrada, com veículos não tripulados e sistema de truckless, e menos recursos de bens minerais, com beneficiamento a seco e reaproveitamento de água, entre outras.

Para Eduardo Leão, o principal desafio é a questão de licença social. "Quando o projeto nasce, a sociedade só sabe depois e ela devia ter conhecimento desde o início".

Em entrevista ao jornal O Liberal, o diretor da ANM falou sobre a importância do evento. "Infelizmente, por mais que o Pará esteja chegando na produção que Minas Gerais tem, é um pouco diferente  de Minas. Belo Horizonte vive a mineração no seu dia a dia. Por isso, a importância que o estado dá para o setor é muito diferente do que é feito aqui. Mineração está muito longe de Belém, a população não conhece nem a Vale direito, não sabe quais são os benefícios da mineração. Esse tipo de discussão é importante para atualizar as pessoas sobre esse tema, porque mais cedo ou mais tarde elas serão vitais para a mineração do futuro".

Após as palestras, foi realizada uma roda de conversa com Eduardo Leão, Williams Bechman, presidente da Associação Paraense dos Engenheiros Florestais, e o secretário Iran Lima, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia. Na ocasião, as demais pessoas presentes no evento também tiveram oportunidade de participar, fazer suas considerações sobre os temas abordados e perguntas aos convidados.

Iran Lima destacou o trabalho que o estado tem feito de revisão de vários procedimentos, inclusive analisando legislação e instruções normativas. Ele ainda defendeu a auto declaração, a exemplo do que é feito pela Receita Federal, nas declarações do imposto de renda. “É isso que nós temos que fazer na atividade minerária para sobrar tempo para nossa equipe fazer aquilo que é mais importante”. 

Para Williams Bechmann, é importante também o protocolo digital para licenciamento ambiental, como forma de reduzir a burocracia do sistema público. “O que as empresas necessitam é trabalhar, sem que o estado atrapalhe. Isso é fundamental para o desenvolvimento do estado”.

Perto de se formar em Geologia, pela UFPA, o estudante Artur Sarmento foi uma das pessoas que acompanhou o evento. “A gente estava sentindo falta desse tipo de debate aqui no nosso estado. A gente sabe que a mineração está em tudo, no nosso dia-a-dia e o Pará, como sendo um estado minerador, a gente tem que estar debatendo isso, tanto a academia, como a sociedade, as empresas, a mídia. Todos têm que participar desse debate para que a gente possa construir, de forma sustentável, o desenvolvimento da Amazônia”.

Summit
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