Queda de patente da semaglutida deve impulsionar acesso e inovação terapêutica no país
Estudo revela que 55% dos brasileiros buscariam tratamento com semaglutida via SUS
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contabiliza 25 solicitações de análise para versões genéricas de semaglutida e liraglutida no Brasil. Desse total, menos da metade aguarda o início dos procedimentos de avaliação pelo órgão regulador.
Antecedendo o fim da patente da semaglutida, ocorrido em março de 2026, a agência publicou um edital no segundo semestre de 2025 para conferir prioridade ao exame de produtos análogos do GLP-1. Dados atualizados em 13 de abril registravam 23 pedidos para as duas moléculas.
Atualmente, a Anvisa detém 17 pedidos específicos para a semaglutida. De acordo com informações obtidas pelo portal InfoMoney por meio da Lei de Acesso à Informação, nove destes processos aguardam abertura de análise, enquanto os demais itens que já estavam em tramitação apresentaram progressos no cronograma durante o último mês.
Um levantamento exclusivo da plataforma TIM Ads, realizado entre os dias 19 e 24 de março com 39,6 mil clientes da operadora, revela que, com o fim da exclusividade da patente da semaglutida, 55% dos participantes da pesquisa afirmam que buscariam o tratamento caso ele estivesse disponível no SUS.
A pesquisa aponta que, embora o uso custoso das chamadas “canetas” ainda não seja realidade para a maioria (51% dos respondentes nunca utilizaram), a intenção de adesão é expressiva: 38% consideram ou talvez considerem utilizar tratamentos injetáveis no futuro próximo, mesmo tendo que pagar pelo tratamento. A pequena variação entre os percentuais mostra que a decisão é dividida entre muitos motivos, sem uma barreira única. O custo (14%) aparece com peso semelhante a fatores como medo de agulhas e falta de orientação médica, reforçando que o preço é apenas uma entre várias preocupações equilibradas. O alto interesse na rede pública também reflete o acesso ainda restrito: apenas 22% fazem uso atualmente. O dado indica uma demanda potencial reprimida, que poderia ser destravada com a oferta do tratamento no SUS.
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Diante deste cenário, a queda da patente atua como o principal catalisador para a inovação terapêutica. Com o interesse massivo revelado pelo levantamento, a possibilidade de redução de preços com a entrada de genéricos e similares pode converter o desejo de resultados eficazes em acesso real, evidenciando que o brasileiro está atento ao debate sobre saúde pública e novas tecnologias para o bem-estar.
O levantamento traça, ainda, um perfil sobre a percepção de saúde do brasileiro. Apesar de 71% dos entrevistados avaliarem seus hábitos alimentares como muito ou moderadamente saudáveis, a insatisfação com o peso é recorrente: 35% declaram estar insatisfeitos e com desejo de emagrecer. Além disso, a vontade de mudança é latente, com 67% demonstrando interesse em transformar sua relação positivamente com a comida.
Na esfera de tentativas, o público mostra resiliência, com mais da metade (64%) já tendo realizado algum tipo de dieta ou tratamento para emagrecer em algum momento da vida. A pesquisa teve abrangência nacional e contou com participação majoritariamente jovem, com 66% dos respondentes entre 18 e 35 anos, faixa etária que tem liderado as conversas sobre lifestyle e novos medicamentos nas redes sociais.
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