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Lib Talks abriu temporada 2026 com debate sobre burnout e o esgotamento no trabalho

Produto multiplataforma do Grupo Liberal debateu o esgotamento profissional, a hormese e as terapias complementares para o equilíbrio emocional

Gabriel da Mota

O Grupo Liberal deu início, nesta quinta-feira (15), à temporada 2026 do projeto Lib Talks, em sua sede no bairro do Marco, em Belém. O encontro, realizado no Espaço Rômulo Maiorana, reuniu especialistas para debater o tema “Janeiro Branco e a ‘epidemia’ de burnout digital”. Diante de uma plateia de convidados, o painel abordou como a sobrecarga de informações e as pressões do ambiente de trabalho contemporâneo impactam a fisiologia humana e a necessidade de estratégias clínicas e comportamentais para enfrentar o esgotamento mental.


A psicóloga clínica e organizacional Rebeca Barbosa, diretora de relacionamento da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PA), abriu o debate definindo o burnout como um nível de estresse elevado, intrinsecamente ligado ao mundo do trabalho. Segundo a especialista, os sintomas costumam ser negligenciados no cotidiano, manifestando-se como fadiga, cansaço constante e dificuldades no sono. Ela ressaltou que esse esgotamento é fruto de uma combinação de cobranças internas e externas, muitas vezes potencializadas pela dificuldade do indivíduo em realizar uma autoavaliação honesta.

"O burnout é um estresse elevado, onde sintomas muito corriqueiros acontecem, que é esquecimento, fadiga, cansaço e dificuldade de sono. Inerentemente, essa palavra adveio do mundo do trabalho. Então, é um nível de estresse elevado, que é aquele tipo de estresse que você não vai repor dormindo. Não é falta de sono. É um estresse mental que causa sintomas físicos, advindo do excesso de trabalho, seja de cobranças suas, dos outros, dos seus gestores, de pares ou a junção desses dois. Então, a grosso modo, é um esgotamento físico e mental por conta da vida no trabalho", explicou Barbosa.

A psicóloga defendeu que o processo terapêutico é a ferramenta essencial para romper o ciclo de procrastinação e a tendência humana de justificar falhas pessoais através dos erros alheios. "As pessoas pouco fazem a avaliação de si. Elas tendem, e é do ser humano, primeiro à procrastinação e a justificar o seu erro pelo erro do outro. Então, nunca está em mim. Na grande maioria está no outro. Auto-responsabilidade. O processo terapêutico te leva à reflexão necessária para a mudança", afirmou a diretora da ABRH-PA.

Riscos da automedicação e o papel das terapias integrativas

O médico psiquiatra Dr. Kleber Oliveira, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), alertou para as manifestações clínicas do esgotamento, destacando que os distúrbios de sono são os sintomas mais frequentes na prática médica, geralmente acompanhados de ansiedade ou depressão. O especialista chamou a atenção para o risco da automedicação e do uso de substâncias como álcool e cannabis na tentativa de "relaxar", o que pode agravar severamente o quadro clínico do paciente.

"O que a gente mais encontra na prática clínica são os distúrbios de sono associados ou a quadros ansiosos ou quadros depressivos. Mas é possível também que nós tenhamos o uso de substâncias psicoativas para poder relaxar. Então aí entra o álcool, entra o uso da cannabis, ou mesmo o uso indevido de benzodiazepínicos, que são medicamentos, mas que a pessoa consegue com um parente. Isso mascara os sintomas e impede o tratamento adequado da síndrome", explicou Oliveira.

Como alternativa ao tratamento puramente farmacológico, o psiquiatra defendeu a adoção de terapias complementares comprovadas pela ciência. Para ele, o equilíbrio emocional depende de pilares como atividade física, cuidado nutricional e a busca por momentos de silêncio e espiritualidade. "Temos estudos que mostram o complemento das terapias tradicionais. Atividade física, questão nutricional, meditação, a questão religiosa ou espiritualidade. O momento de você ficar quieto também, de ter um momento de reflexão teu, de silêncio, o mindfulness. Terapias baseadas nessas práticas são fundamentais para o processo de cura", concluiu o médico.

A hormese e o impacto físico das ameaças imaginárias

O mediador do painel e diretor de entretenimento do Grupo Liberal, Ney Messias Jr, introduziu o conceito de hormese para explicar que nem todo estresse é prejudicial. Segundo ele, níveis moderados de pressão são fundamentais para que o corpo reaja, se fortaleça e desenvolva resiliência. No entanto, o diretor alertou para o perigo da ansiedade crônica baseada em preocupações futuras que nunca se concretizam, mas que geram danos físicos reais devido à incapacidade do organismo de distinguir realidade de ficção.

"Uma certa quantidade de estresse é importante para o corpo humano, porque ela promove algo que a gente chama na ciência de hormese. Isso é, seu corpo está frente a um nível de estresse e, ao reagir a esse estresse, seu corpo se fortalece e se prepara para o que virá. Isso gera resiliência. Uma imunidade biológica e psicológica. Então nem todo estresse é maléfico. O problema é quando essa pressão ultrapassa o limite saudável e se torna um desgaste contínuo sem retorno", destacou Messias Jr.

Para ilustrar o impacto da ansiedade, Ney propôs um exercício de anotação de medos. "Se você fizer um exercício simples de pegar um caderninho e tudo que te causar insegurança, medo e receio, tu escrever lá e depois revisitar esse caderninho daqui a três meses, tu vai ver que 99% do que te causava medo não aconteceu. Mas tem um detalhe: o corpo da gente não distingue o que é verdade do que é ficção. Se tu pensaste e sentiste, o teu corpo vai viver aquilo como verdade e absorver aquilo. Quer dizer que o fato pode não ter acontecido, mas os males de tu pensar que aquele fato pode ter acontecido já geraram danos no teu corpo", advertiu o diretor.

Serviço

O Lib Talks ocorrerá todas as quintas-feiras, das 17h às 18h, no Espaço Rômulo Maiorana, com transmissão ao vivo pelo canal de O Liberal no YouTube. A participação é gratuita mediante convite do Grupo Liberal.