Burnout é esgotamento mental por excesso de trabalho, explica a psicóloga Rebeca Barbosa
No Lib Talks, diretora da ABRH-PA detalhou sintomas como fadiga e esquecimento, além de alertar para a importância da autorreflexão no ambiente profissional
O Grupo Liberal iniciou, nesta quinta-feira (15), a temporada de 2026 do projeto Lib Talks, em Belém. O primeiro encontro do ano, realizado no Espaço Rômulo Maiorana, debateu a saúde mental no trabalho e a "epidemia" de burnout digital. Durante o painel, a psicóloga clínica e organizacional Rebeca Barbosa definiu a síndrome como um nível de estresse elevado, fruto direto da sobrecarga e das pressões cotidianas no ambiente corporativo.
Segundo a especialista, que possui mais de 25 anos de experiência na área, os sinais do esgotamento costumam ser negligenciados por parecerem problemas corriqueiros. Fadiga constante, dificuldades para dormir e lapsos de memória são indicadores de que a mente atingiu o seu limite. Rebeca reforçou que o termo nasceu no contexto laboral e exige que o profissional e a empresa olhem atentamente para a qualidade das relações de trabalho.
"O burnout é um estresse elevado, onde sintomas muito corriqueiros acontecem, que é esquecimento, fadiga, cansaço e dificuldade de sono. Inerentemente, essa palavra adveio do mundo do trabalho. Então, é um nível de estresse elevado, que é aquele tipo de estresse que você não vai repor dormindo. Não é falta de sono. É um estresse mental que causa sintomas físicos, advindo do excesso de trabalho, seja de cobranças suas, dos outros, de seus gestores, de pares ou a junção desses dois. Então, a grosso modo, é um esgotamento físico e mental por conta da vida no trabalho", explicou Barbosa.
Entenda a necessidade da autorreflexão no trabalho
Além de identificar os sintomas físicos e mentais, o debate abordou a dificuldade que muitos indivíduos possuem em assumir a responsabilidade sobre sua própria saúde emocional. Para Rebeca Barbosa, existe uma tendência humana de buscar justificativas externas para falhas e problemas, o que atrasa a busca por ajuda especializada. A psicóloga destacou que o processo terapêutico é a via principal para romper esse ciclo de procrastinação e culpa.
A diretora de relacionamento da Associação Brasileira de Recursos Humanos - Seccional Pará (ABRH-PA) enfatizou que a saúde mental exige coragem para encarar a autoavaliação de forma honesta. Muitas vezes, o ambiente de trabalho é o gatilho, mas a forma como o indivíduo lida com as cobranças e o autoconhecimento são determinantes para a recuperação.
"As pessoas pouco fazem a avaliação de si. Elas tendem, e é do ser humano, primeiro à procrastinação e a justificar o seu erro pelo erro do outro. Então, nunca está em mim. Na grande maioria está no outro. O processo terapêutico te leva à reflexão necessária para entender esses processos", afirmou.
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