Estilista João Bosco Maia consolida nome no 'Rainhas' ao criar faixa e quatro fantasias em 2026
Com 17 anos de participação no concurso, o estilista mantém a tradição e aposta no acabamento sofisticado do objeto
Responsável pela fantasia que garantiu à candidata do Clube do Remo o título do concurso em 2025, o estilista João Bosco Maia Neto voltou a ser destaque no Rainha das Rainhas em 2026. Além de assinar quatro fantasias nesta edição - para Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará, Paysandu, Bancrévea e, novamente, Remo - contribuindo para que o clube azulino permanecesse entre as premiadas com o título de 4ª Princesa, o estilista também foi responsável por confeccionar a faixa da vencedora.
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Segundo o estilista, a criação da faixa foi uma tarefa definida pela coordenação atual, e ele já havia produzido a de 2025. No ano passado, Lohanne Lima recebeu duas peças: uma confeccionada com elementos naturais, em alusão à COP 30, utilizando caroços e folhagens amazônicas; e outra produzida por João Bosco, mantendo a tradição estética do concurso.
“Eu fiz com muito amor. A coordenação gostou e manteve a confecção comigo”, disse.
Sobre o processo criativo, ele explicou que não há mistério na elaboração, mas, sim, compromisso com a tradição.
“Cada estilista dá o seu toque de personalidade, mas é primordial manter o padrão das cores da bandeira do Pará, buscando elementos novos, algo mais sofisticado, variando de profissional para profissional. Na que fiz, coloquei bordado em fios de ouro, cetim italiano, cristais, vidrinhos e pedras”, comenta.
João Bosco ressaltou que prioriza acabamento e qualidade por saber que a faixa é um símbolo que será guardado por toda a vida.
“As moças mostram para suas filhas, suas filhas para as netas”, afirma.
Da infância ao concurso principal
Hoje, aos 40 anos, o estilista relembra que sua trajetória no ramo da moda começou ainda na adolescência. Ele conta que sempre teve aptidão para cores, tecidos e desenho, desenvolvendo habilidades de forma autodidata. Aos 12 anos, começou a realizar trabalhos para grupos de carnaval ligados à escola onde estudava.
“Aos 13, resolvi fazer meu primeiro trabalho no Rainha das Rainhas Mirim, no qual ganhei o concurso em 1998. No ano seguinte, participei novamente e conquistei o primeiro lugar. Foi em 2003 que acabei entrando para o Rainha das Rainhas com o Iate Clube do Pará”, conta.
Ele soma 17 anos de participação no concurso, ainda que de forma não contínua.
O estilista afirma que o que mais o despertou para a carreira foi justamente o concurso. João Bosco recorda que assistia às apresentações ainda criança, ao lado da mãe e da avó, e ficava imaginando como funcionavam os bastidores, os materiais e todo o processo criativo.
“Sempre fui muito fascinado pelo mundo do carnaval. Eu lembro que não só o Rainha, mas também nós ficávamos assistindo até de manhã aos desfiles das escolas de samba”, acrescenta.
Processo criativo e construção de personagens
João Bosco explica que a criação das fantasias ocorre de forma particular e envolve diálogo com a candidata.
“Quando eu crio a fantasia, já imagino o personagem, a maquiagem, já tenho a ideia mais ou menos do que eu quero na coreografia”, afirma, acrescentando que conta com uma equipe afinada que participa de todas as etapas.
Desafio
Em 2026, o desafio foi ampliado com a assinatura de quatro fantasias. Ele lembrou que, em 2020, já havia considerado complexo produzir três figurinos simultaneamente.
“Você manter a sua atenção em tão pouco tempo para mais de três candidatas é bem desafiador. Neste ano, tivemos um carnaval e um tempo de preparação muito curto, mas acredito que conseguimos, sim, dar atenção a todas elas”, disse.
O resultado incluiu, além da colocação de Eduarda Barra (Clube do Remo) em 4º lugar, avaliações positivas para as demais candidatas que ele vestiu.
“A do Paysandu também foi extremamente elogiada. Houve a polêmica com a nota, mas ela levou nota máxima em fantasia. As outras também. Então, eu acho que a avaliação da minha participação esse ano foi muito positiva”, afirma sobre o retorno dos jurados quanto ao conjunto apresentado.
Confira a fantasia de Rayana Corrêa, do Paysandu:
Confira a fantasia de Heloise Helene, do Bancrévea:
Confira a fantasia de Nayara Matoso, da Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará:
Projeção profissional
Embora tenha realizado trabalhos fora de Belém e prestado assessoria a artistas em outros momentos, o estilista menciona sua atuação no Rainha das Rainhas como um dos fatores responsáveis por sua projeção profissional.
“Quando eu falo que trabalho ou trabalhei no Rainha, as pessoas de fora ficam curiosas para saber sobre os bastidores e muito mais. Ou paraenses que moram em outros países há muito tempo falam sobre o fascínio pelo concurso”, comenta.
“Imagina você poder atuar em um trabalho que ama? O prazer é muito maior, o trabalho ganha mais qualidade”, completa.
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