CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

PEC do Senado abre debate sobre possível criação de escala 7x0; político do Pará retira assinatura

Proposta é liderada por Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Thaline Silva*
fonte

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) protocolada no Senado Federal reacendeu o debate sobre a jornada de trabalho no país. A PEC 12/2026, apresentada por um grupo de senadores da oposição, propõe a criação de um regime flexível baseado em horas trabalhadas e tem sido alvo de críticas por supostamente abrir margem para a adoção da chamada escala 7x0, em que o trabalhador poderia atuar todos os dias da semana.

A proposta foi protocolada um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que prevê o fim da escala 6x1. O texto é encabeçado pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e recebeu assinaturas de parlamentares de diferentes partidos. Entre os signatários estava o senador paraense Zequinha Marinho (Podemos), que posteriormente retirou sua assinatura da proposta.

VEJA MAIS 

image Deputados da oposião votaram pelo fim da escala 6x1

image Líder da oposição defende adiamento de PEC do 6x1, compensação a empresas e pagamento por hora
A declaração vem um dia após a PEC ser aprovada pela Câmara

O que prevê a PEC

Segundo o texto, os trabalhadores poderão optar entre o regime tradicional previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível de jornada baseado em horas efetivamente trabalhadas.

A proposta estabelece que direitos como salário, férias, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e demais benefícios sejam calculados proporcionalmente à carga horária exercida pelo trabalhador.

O texto também permite a celebração de acordos individuais entre empregador e empregado e prevê que contratos individuais possam prevalecer sobre acordos e convenções coletivas.

Na justificativa da PEC, os autores afirmam que a medida busca ampliar a liberdade e a autonomia dos trabalhadores para definir suas jornadas e adequar a rotina às necessidades pessoais e às demandas do mercado de trabalho.

Críticas à proposta

A deputada federal Erika Hilton criticou a PEC e afirmou que o texto pode possibilitar a criação da chamada escala 7x0. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou que a proposta "acaba com a CLT e cria a escala 7x0". Para críticos da medida, o texto representa uma flexibilização das relações de trabalho que pode resultar em perda proporcional de remuneração e enfraquecimento da negociação coletiva.

Especialistas e representantes sindicais também apontam preocupação com o trecho que estabelece a prevalência do contrato individual sobre instrumentos coletivos de negociação, avaliando que a medida pode reduzir o peso dos acordos firmados por sindicatos.

Senador paraense retira assinatura

Após a repercussão da proposta, o senador Zequinha Marinho informou que retirou sua assinatura da PEC 12/2026. Em nota encaminhada ao Grupo Liberal, o parlamentar explicou os motivos da decisão:

"Em reunião com representantes dos trabalhadores do Pará, o senador Zequinha Marinho decidiu retirar sua assinatura da PEC 12/2026, por entender que a proposta, de forma isolada, poderia fragilizar os acordos entre trabalhadores e empregadores quanto à jornada de trabalho.

É importante destacar que a assinatura para viabilizar a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição não significa, necessariamente, apoio ao seu mérito. Para começar a tramitar no Senado Federal, uma PEC precisa reunir, no mínimo, 27 assinaturas. Por considerar esse procedimento parte do processo democrático e do debate político, o senador costuma subscrever as proposições que lhe são apresentadas.

No entanto, após análise mais aprofundada do conteúdo da PEC e ao acolher a manifestação dos representantes dos trabalhadores, o senador optou pela retirada de sua assinatura, reafirmando seu compromisso com iniciativas que efetivamente contribuam para a melhoria das condições de vida e de trabalho da população.

Esse compromisso se traduz em sua atuação em diversas pautas relevantes, como a aprovação da PEC 169/2019, que amplia direitos dos professores; do PLP 185/2024, que regulamenta a aposentadoria especial dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE); e do projeto de sua autoria que estabelece o piso salarial dos zootecnistas, já aprovado no Senado.

Da mesma forma, o senador tem atuado na defesa da PEC 19/2024, que propõe a recomposição inflacionária anual e a vinculação do piso da enfermagem a uma jornada de 36 horas semanais; na apresentação de emenda à MP 1360/2026, voltada à segurança de motoboys e motofretistas; além de outras pautas importantes, como o debate sobre o fim da escala 6x1.

O senador Zequinha Marinho reafirma, assim, seu compromisso de continuar trabalhando em favor de condições dignas de trabalho. Afinal, o Brasil só alcança sua força produtiva, no campo e nas cidades, graças ao esforço e à dedicação do povo trabalhador."

A PEC 12/2026 está em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado e, para avançar, ainda precisará passar pelas demais etapas previstas no processo legislativo".

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Política
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM POLÍTICA

MAIS LIDAS EM POLÍTICA