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Pará virou ‘ecossistema criminoso’ e facções usam crimes ambientais como base, afirma Gaeco

Coordenador do órgão do Ministério Público diz que, desde 2016, o estado deixou de ser apenas rota e passou a integrar uma rede criminosa que conecta drogas, garimpo ilegal e violência

Jéssica Nascimento
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O promotor de Justiça de Belém e coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Pará, Danyllo Colares, afirmou em entrevista ao Grupo Liberal que o estado se tornou peça central no tráfico internacional de drogas e em um “ecossistema criminoso” que integra facções, crimes ambientais e exploração de populações tradicionais.

Facções ampliam atuação e crimes se diversificam

Segundo o promotor, o Gaeco investiga atualmente diferentes frentes do crime organizado no estado.

“É a questão do tráfico internacional de drogas, o tráfico de drogas regional, a cooptação e violência praticada por organizações criminosas ultra-violentas e também a lavagem de dinheiro, oriunda principalmente da exploração da mão de obra do interior do Estado”, afirmou.

Ele destacou ainda que a presença de facções criminosas na Amazônia se intensificou a partir de 2016, com impactos diretos no Pará.

“O Pará, nesse contexto, desde 2016 para cá, tem ganhado uma grande relevância, sobretudo na questão do tráfico de drogas, mas não só no tráfico de drogas. Também na exploração dos crimes ambientais, na questão do garimpo, que a gente chama de narcogarimpo”, disse.

image (Foto: Thiago Gomes)

Disputa de rotas reorganiza o tráfico na América do Sul

Danyllo Colares explicou que a morte de um importante articulador do tráfico na fronteira sul do Brasil alterou o equilíbrio das rotas internacionais.

“A partir da morte dele, a rota do tráfico de drogas começou a ser disputada pelo Comando Vermelho e pelo PCC”, afirmou, referindo-se ao assassinato de Jorge Rafaat Toumani, em 2016.

Ele detalhou que duas grandes rotas passaram a concentrar o fluxo de drogas no país.

“A Rota Caipira, que é Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, foi dominada pelo PCC. Como o PCC dominou, o Comando Vermelho correu para o Norte para assumir a Rota Solimões”, explicou.

Pará como “plataforma logística” do crime organizado

Com a reorganização das rotas, o promotor afirmou que o estado passou a ter papel estratégico no envio de drogas para outros mercados.

“O Pará ganha um destaque imenso nesse contexto a partir de 2016. O estado deixa de ser apenas um corredor de drogas e passa a ser um hub logístico. O Pará passa a ser uma plataforma logística do tráfico de drogas”, disse.

Ele acrescentou que o território passou a concentrar funções mais complexas dentro da cadeia criminosa. “Em vez da droga só passar por aqui, o Pará começa a exportar a droga. Daqui, as drogas vão para Europa e América do Norte”, afirmou.

Colares ainda alertou para a formação de um sistema integrado entre diferentes crimes na região. “Começou a se formar um ecossistema criminoso aqui na região”, concluiu.

 

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