Oposição critica base de Lula por blindar Lulinha após revelação envolvendo Careca do INSS
Na semana passada, comissão aprovou a quebra de sigilo do empresário, sob protesto de petistas
Parlamentares da oposição criticaram, nesta segunda-feira, a tentativa da base do governo de evitar ações da CPMI do INSS contra o empresário Fabio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na semana passada, a comissão aprovou a quebra de sigilo de Lulinha e do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A decisão ocorreu sob protesto de petistas, que acusaram o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de fraude na contabilização dos votos.
A medida contra o filho de Lula foi aprovada após a revelação do Estadão de que ele admitiu a interlocutores ter tido passagem e hospedagem pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo, o "Careca do INSS". O empresário é apontado como principal articulador de uma organização criminosa que promoveu descontos ilegais a aposentados e pensionistas.
Oposição intensifica críticas sobre Lulinha na CPMI
Parlamentares citaram a reportagem do Estadão durante as discussões. "Foi só a gente quebrar o sigilo do Lulinha, curiosamente, e a questão da Anac, do voo dele, deputado Luiz Lima, já interlocutores, segundo o Estadão, confirmam que ele viajou com o Careca do INSS, pago pelo Careca do INSS. Foi só a gente aprovar! Você imagine o que a gente vai pegar mais na frente", afirmou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
O deputado Evair de Melo (PL-ES) também se manifestou. "O Lulinha vem agora admitir que o Careca esteve com ele, pagou suas passagens e suas hospedagens", lembrou o parlamentar. Ele criticou o esforço do Partido dos Trabalhadores (PT) para evitar a quebra de sigilo de Fabio Luis.
Manobras governistas e defesa do filho de Lula
O governo recorreu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para anular a aprovação do requerimento que derrubou o sigilo de dados financeiros de Fabio Luis. Na última sexta-feira, a mesa diretora da CPMI do INSS enviou ofício ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com pedido de informações.
Lula chegou a afirmar que havia orientado aliados a permitir o aprofundamento das investigações, tanto na Polícia Federal quanto na comissão do Congresso. Mesmo assim, a base do governo tem manobrado para evitar a aprovação de requerimentos considerados sensíveis.
"Então, eu acho que o presidente do Senado poderia ficar isento nessa posição", defendeu o deputado Luiz Lima (Novo-RJ).
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu Lulinha. Ele afirmou que o filho do presidente se dispôs a colaborar com as investigações e negou que houvesse tentativa de blindá-lo.
"Importante citar que o senhor Fabio Luis já havia se colocado totalmente à disposição para, antes da quebra de sigilo, colaborar. Portanto, em nenhum momento, qualquer questão relativa a INSS, desconto associativo preocupa", disse Pimenta. "Aqui não há interesse de nossa parte de impedir que qualquer um seja investigado", complementou o deputado.
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