CPI do Crime Organizado cancela sessão por ausência de Campos Neto e de fundador da Reag

Estadão Conteúdo

A CPI do Crime Organizado cancelou a sessão que seria realizada nesta terça-feira, 3, após os dois convocados faltarem ao depoimento. O colegiado ouviria o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o fundador da Reag Investimentos João Carlos Falbo Mansur.

No dia anterior, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tornou opcional o comparecimento de Campos Neto. Falbo Mansur havia obtido decisão do ministro da Corte Flávio Dino que lhe permitia ficar em silêncio, mas ainda estava obrigado a ir à comissão.

A CPI foi instituída em novembro do ano passado após operação policial que deixou mais de 100 mortos no Rio de Janeiro. Agora, tem focado os trabalhos no uso do sistema financeiro e do mercado lícito pelo crime organizado.

O depoimento de Campos Neto serviria para esclarecer questões regulatórias que, na visão de parte dos parlamentares que compõem a comissão, poderiam ter facilitado fraudes cometidas pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o uso de fintechs e fundos de investimento por facções criminosas.

O banqueiro é acusado de utilizar a instituição financeira para operar fraude de R$ 12 bilhões na emissão de títulos falsos no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Outra investigação, a Carbono Oculto, aponta que gestoras ligadas a executivos do banco custodiavam ativos do crime organizado.

Na última sessão, na semana passada, a CPI aprovou a quebra de sigilo da Maridt Participações, do ministro do STF Dias Toffoli, além de outros requerimentos, como os que pedem o convite de Toffoli, do também ministro Alexandre de Moraes e da mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, para depor na comissão.

A medida, no entanto, foi anulada pelo ministro Gilmar Mendes, que apontou desvio de finalidade em relação ao escopo da investigação da comissão. O relator do colegiado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pretende recorrer.

A Maridt, que tem Toffoli como sócio anônimo e está em nome de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, recebeu R$ 20 milhões de um fundo cujo único cotista era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como revelou o Estadão.

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