Haddad diz que governo Lula amplia abertura econômica diante de tensões globais
Segundo Haddad, a atual gestão reverteu o isolamento adotado no governo Jair Bolsonaro
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (20) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a abertura econômica e diplomática do Brasil como estratégia para enfrentar um cenário internacional de maior instabilidade. A declaração foi feita em entrevista ao UOL News.
Segundo Haddad, a atual gestão reverteu o isolamento adotado no governo Jair Bolsonaro e retomou a busca por parcerias comerciais em diferentes regiões. “O governo anterior estava se fechando, se encapsulando, e o governo Lula abriu de novo e, na minha opinião, se preparando para um contexto de maior tensão internacional”, afirmou.
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O ministro destacou o reforço das reservas internacionais e a diversificação de ativos como medidas de segurança diante das incertezas globais. “Estamos diversificando o portfólio”, disse, ao comentar os cerca de US$ 360 bilhões em reservas do país. “Temos muito dólar acumulado e estamos diversificando [as moedas] para ter mais segurança num mundo tão conturbado.”
Haddad também mencionou a ampliação das relações comerciais com Ásia, Europa, Estados Unidos e África, além do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. Sobre os Estados Unidos, afirmou que o presidente Lula tem proposto parcerias estratégicas em áreas como tecnologia, biocombustíveis e cadeias produtivas. “Não queremos ser exportadores de commodity a vida inteira”, disse, ressaltando a necessidade de preservar a soberania brasileira.
Na área fiscal, o ministro afirmou que o atual governo reduziu em 70% o déficit primário deixado pela gestão anterior. Segundo ele, o aumento da dívida pública está relacionado principalmente ao nível dos juros reais. “O problema da dívida tem a ver com o juro real”, afirmou.
Haddad avaliou ainda que a economia, embora relevante, não deve ser decisiva nas próximas eleições. Citando dados do Datafolha, afirmou que a parcela da população que considera a economia o principal problema do país caiu de 22% para 11% ao longo de 2024, enquanto temas como segurança pública e combate à corrupção ganharam maior destaque.
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