Com Nicolás Maduro capturado pelos EUA, quem governa a Venezuela agora?
Anúncio dos Estados Unidos sobre a detenção do presidente venezuelano gera incerteza política e levanta debate constitucional sobre a sucessão no país
A Venezuela vive um dos momentos mais delicados e incertos de sua história recente após o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a captura de Nicolás Maduro durante uma ofensiva militar realizada na madrugada deste sábado (3). Segundo o governo americano, a operação ocorreu em grande escala, com explosões registradas em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, resultando também na captura da primeira-dama Cilia Flores.
Diante desse cenário, uma pergunta passou a circular: quem governa a Venezuela agora?
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O que dizem os Estados Unidos
Em pronunciamento oficial, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a administrar a Venezuela de forma interina, até que ocorra o que classificou como uma “transição justa e legal de poder”. Segundo ele, um grupo ainda não anunciado ficará responsável pela gestão temporária do país.
Além disso, Trump divulgou imagens que, segundo ele, mostram Nicolás Maduro vendado e sob custódia em um navio da Marinha americana, supostamente a caminho de Nova York. O presidente dos EUA também afirmou que petroleiras americanas devem passar a operar no território venezuelano e não descartou novas ações militares.
Apesar das declarações, não há prazo definido para o fim dessa administração interina, o que aumenta a incerteza sobre o futuro político do país.
O que diz a Constituição da Venezuela
Pela Constituição venezuelana, em caso de ausência, impedimento ou vacância do presidente da República, o poder deveria ser transferido automaticamente para a vice-presidente executiva, cargo atualmente ocupado por Delcy Rodríguez.
No entanto, até o momento, não houve confirmação oficial de que Delcy tenha assumido formalmente a presidência, o que abre uma disputa política e jurídica sobre quem, de fato, exerce o comando do país.
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Delcy Rodríguez afirmou que o governo venezuelano desconhece o paradeiro de Nicolás Maduro e de Cilia Flores e exigiu dos Estados Unidos uma prova de vida do casal presidencial. Segundo ela, a ação americana configura uma “gravíssima agressão militar” e uma violação da soberania nacional.
Os nomes mais fortes do chavismo
Mesmo com Maduro fora de cena, ao menos três figuras centrais do chavismo despontam como possíveis comandantes do país em um cenário de transição ou de manutenção do regime:
Delcy Rodríguez
Vice-presidente executiva, Delcy é considerada uma das principais operadoras políticas do chavismo. Com passagem por cargos estratégicos como ministra da Comunicação, chanceler, ministra da Economia e, mais recentemente, ministra do Petróleo, ela é vista como a sucessora natural de Maduro dentro das regras constitucionais.
Formada em Direito, Rodríguez já foi alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, acusada de violações de direitos humanos e de enfraquecimento da democracia. Ainda assim, mantém forte influência dentro e fora do governo.
Vladimir Padrino López
Ministro da Defesa desde 2014, Vladimir Padrino López é apontado por analistas como o homem mais poderoso das Forças Armadas venezuelanas. Leal primeiro a Hugo Chávez e depois a Maduro, ele exerce controle direto sobre o aparato militar e tem papel central na sustentação do regime.
Após os ataques, Padrino fez um pronunciamento pedindo unidade nacional e afirmando que as Forças Armadas estavam mobilizadas para responder à “pior agressão da história do país”. Especialistas afirmam que, na prática, o poder militar hoje passa diretamente por Padrino López.
Diosdado Cabello
Ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello é considerado um dos nomes mais temidos e influentes do chavismo. Ex-presidente da Assembleia Nacional e apresentador de um dos principais programas de propaganda do regime, Cabello representa a chamada “ala dura” do movimento.
Ele foi visto nas ruas de Caracas após os ataques, usando colete à prova de balas e capacete, e afirmou que as forças policiais estavam mobilizadas para garantir a ordem. Cabello já foi sancionado por EUA, União Europeia e outros países, acusado de envolvimento em crimes financeiros — acusações que ele nega.
E a oposição?
Havia expectativa de que a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz e um dos principais nomes contra o chavismo, pudesse ganhar espaço em um eventual governo de transição. No entanto, Donald Trump afirmou que ela “não tem apoio nem respeito suficientes dentro da Venezuela”, sinalizando que Washington ainda não definiu quem lideraria o país após Maduro.
Com versões conflitantes, ausência de confirmações independentes e declarações duras de ambos os lados, a Venezuela entra em um período de profunda instabilidade política e institucional. Enquanto os Estados Unidos afirmam controlar a transição, o chavismo mantém mobilizadas suas principais lideranças políticas e militares.
Por ora, não está claro quem governa efetivamente a Venezuela, nem qual será o desfecho da crise.
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