Boulos defende reforma política e diz que sistema atual está em pane: 'O cidadão não acredita mais'

Segundo o ministro, o modelo político atual enfrenta uma crise de credibilidade junto à população e estaria cada vez mais distante da sociedade

Gabi Gutierrez
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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu uma reforma no sistema político e judicial brasileiro e fez críticas ao atual funcionamento do Congresso Nacional durante entrevista exclusiva ao Grupo Liberal.

Segundo o ministro, o modelo político atual enfrenta uma crise de credibilidade junto à população e estaria cada vez mais distante da sociedade. “Hoje o cidadão olha para o sistema político e não vê credibilidade. Existe um abismo entre o poder e as pessoas”, afirmou.

Boulos também criticou o volume de emendas parlamentares e a relação entre Executivo e Congresso. Para ele, o atual modelo dificulta a governabilidade e amplia práticas clientelistas.

“Não é possível que, para ter governabilidade, exista uma negociação permanente baseada em cada vez mais exigências, pressão e emendas”, disse.

Durante a entrevista, o ministro classificou como “esculhambação” o montante destinado às emendas parlamentares no país, que, segundo ele, chegam a R$ 60 bilhões.

“Muitas vezes sem transparência. E não sou eu quem está dizendo isso. Existem investigações do Ministério Público e da Polícia Federal envolvendo esquemas de corrupção ligados às emendas”, declarou.

O ministro também afirmou que parte da população percebe excessos dentro do Judiciário e citou críticas relacionadas aos chamados “penduricalhos” salariais. Para Boulos, a discussão sobre mudanças estruturais precisa envolver maior participação popular e revisão do modelo de representação política.

Entre as propostas defendidas por ele está a adoção do voto em lista para eleições proporcionais, sistema utilizado em alguns países europeus.

Segundo o ministro, o modelo atual favorece relações clientelistas entre parlamentares e eleitores. “Muitas vezes o voto acontece pela promessa de uma obra ou de um benefício local, e o eleitor nem sabe como aquele parlamentar vota no Congresso”, afirmou.

No voto em lista, explicou Boulos, o eleitor votaria em um projeto político ou partidário, e não diretamente em um candidato individual. “Você vota na lista de deputados de um campo político. Isso cria melhores condições de governabilidade”, disse.

O ministro também afirmou que mudanças mais profundas no sistema político dificilmente partirão do próprio Congresso e defendeu maior mobilização da sociedade sobre o tema.

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