PM morto em incêndio em Ananindeua pode ter sido assassinado

Sangue foi achado na garagem e corpo tinha perfuração similar à de arma de fogo

Byanca Arruda

A polícia trabalha com a hipóteses de latrocínio - roubo seguido de assassinato - e de incêndio criminoso, para ocultar as provas, na investigação que apura as circunsâncias da morte do sargento da Polícia Militar José Nazareno Barbosa Feio, de 51 anos, em Ananideua.

O cadáver do policial foi encontrado carbonizado, após um incêndio ocorrido na noite da última quarta-feira (9). Testemunhas dizem que o incêndio teria começado por volta de 22h30. As chamas destruíram o imóvel em que ele residia, nos altos de uma lanchonete, localizada na avenida Dom Vicente Zico (Arterial 18), em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém.

TIRO

O corpo da vítima foi encontrado pelos bombeiros em um cômodo, que seria a sala do imóvel, ainda durante a noite desta quarta-feira, após o procedimento de contenção do fogo e resfriamento da estrutura do local. O corpo possuia uma lesão similar à perfuração feita por arma de fogo. Por este motivo, os Corpo de Bombeiros e a polícia acreditam na possibilidade de latrocínio.   

Manchas de sangue também foram vistas no chão da garagem da residência do sargento. Moradores do entorno relaram à polícia, inclusive, que escutaram um estampido semelhante a um disparo de arma de fogo, pouco antes do incêndio começar - mas alegam que não perceberam nenhuma movimentação atípica no local. 

Outras testemunhas relataram, todavia, que teriam visto o PM na companhia de outras pessoas na residência, no dia de sua morte.

A casa do PM situada na parte superior de um imível comercial, ficou completamente destruído. A lanchonete que funcionava no andar térreo, e pertencia a outros proprietários, entretanto, não foi atingida pelo fogo.

FÉRIAS

O sargento José Nazareno Barbosa Feio era lotado no 17º Batalhão da PM. Segundo a família do policial, alguns objetos pessoais, como a chave do carro que ele teria alugado para para transitar pela cidade durante o período de férias, além de cartões de crédito, não foram encontrados. Dentro da carteira do PM, restou apenas um cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

A vítima trabalhava e morava há três anos no município de Mãe do Rio, no nordeste paraense, mas passava as férias habitualmente na mesma residência, em Ananindeua.

Ele chegou no último sábado (5) e pretendia viajar nesta quinta-feira (10) para o município de Cachoeira do Arari, no na Ilha do Marajó, onde a família morava.

O policial passaria alguns dias na companhia dos parentes e participaria, também, da festividade de São Sebastião, que é realizada anualmente em janeiro, no Marajó, conforme contaram os familiares, muito sensibilizados.

PRANTOS
 
A família do sargento recebeu a notícia de sua morte na madrugada desta quinta-feira, por volta de 1h. Segundo os irmãos do sargento, ele era uma pessoa muito querida, tranquila, de bom humor e amiga de todos, alguém que não possuía inimizades. Amigos e parentes, sobretudo a mãe do PM, estão desolados, procurando uma explicação para a morte repentina e dolorosa de José Nazareno.

Aos prantos, a irmã do PM, Rosemery Feio, falou com carinho sobre ele. E disse que espera a justiça divina para desvendar a morte trágica do irmão.

"Ele era uma pessoa que não merecia isso. Se foi um incêndio criminoso, se ele foi assassinado, a gente espera que Deus possa fazer justiça. Meu Deus! Como eu estou sentindo a morte desse meu irmão... A gente era tão próximo, tínhamos uma ligação tão forte. Todo dia eu ligava para ele, para todo mundo da família", chorou a irmã de Nazareno.

"Ontem [no dia do incêndio] eu não liguei... Telefonei para todo mundo, menos para ele. Por que eu não liguei para ele, meu Deus?", lamentava a senhora, muito comovida. "Se alguém matou meu irmão, se alguém fez essa crueldade, que possa existir justiça, meu irmão não merecia isso", bradou, chorando.

INVESTIGAÇÃO

Segundo a capitã do Corpo de Bombeiros, Renata Aviz, apesar das evidências, ainda é cedo para apontar se o incêndio foi criminoso ou acidental. Um resultado definitivo deve ficar pronto em até 30 dias.

"Nós fizemos um levantamento fotográfico do local, falamos com algumas pessoas, e somente após a coleta de todas essas informações é que a gente vai confeccionar o laudo. Agora seria prematuro falar a respeito de uma possível causa. Já temos algumas linhas de investigação, mas a gente precisa aprimorar o que foi coletado"m avaliou Renata Aviz.

Sobre a perfuração no corpo da vítima, ainda não há como informar qual seria a origem da perfuração. "Ela pode ter sido causada no próprio incêndio", explicou a capitã dos Bombeiros.

Polícia
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