Pastora é presa no Amazonas por extorsão contra duas idosas no Pará
Mulher é suspeita de extorsão por utilizar influência religiosa para obter mais de R$ 57 mil das vítimas
Uma pastora foi presa em Manaus (AM), nesta segunda-feira (02), pela Polícia Civil do Amazonas (PCAM) por ter praticado crimes de extorsão contra duas idosas paraenses. As vítimas de 79 e 87 anos evangélicas e com baixa escolaridade sofreram um golpe de R$ 57 mil.
A mulher estava foragida para o Amazonas. Conforme as investigações, a suspeita se aproveitava da condição de pastora evangélica, da influência exercida no meio religioso e da relação de confiança estabelecida com as vítimas para exigir sucessivos repasses em dinheiro, sob o falso pretexto de auxiliar financeiramente seu suposto noivo estrangeiro, que, segundo alegava, estaria preso pela Polícia Federal.
O mandado de prisão preventiva foi cumprido pela Polícia Civil do Pará, por meio da Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa (DPPID), com apoio do Grupo de Trabalho de Vulneráveis (GTV/NIP) e da Polícia Civil do Amazonas (PCAM).
De acordo com a delegada Caroline Batista, titular da Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa, a investigada utilizava manipulação emocional e ameaças de cunho espiritual para constranger as vítimas. “Durante a prática criminosa, ela afirmava que as idosas ‘queimariam no fogo do inferno’ e que ‘não entrariam no reino dos céus’ caso não realizassem as contribuições financeiras exigidas. Dessa forma, mantinha controle emocional sobre elas, explorando deliberadamente sua fé, idade avançada e condição de vulnerabilidade”, destacou.
Em razão do constrangimento imposto, as vítimas realizaram diversas transferências bancárias via PIX para contas de titularidade da investigada. Apurou-se que a idosa de 79 anos repassou aproximadamente R$ 32 mil, enquanto a de 87 anos transferiu cerca de R$ 25 mil. Ambas chegaram a comprometer integralmente seus recursos financeiros, passando a enfrentar severas dificuldades econômicas, inclusive ficando impossibilitadas de contrair novos empréstimos bancários e acumulando dívidas com familiares e conhecidos.
As investigações indicam ainda que os repasses cessaram somente após familiares das vítimas descobrirem as transferências. Após o fato, a suspeita teria orientado uma das idosas a apagar as conversas mantidas entre ambas, numa tentativa de ocultar provas.
A investigada foi interrogada na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Pessoa Idosa (DECCI), em Manaus, e será encaminhada ao sistema penitenciário do Amazonas, onde permanecerá à disposição da Justiça.
A "Operação Custos Senex" da Polícia Civil do Pará visa enfrentar os crimes praticados contra pessoas idosas, especialmente aqueles que exploram a fé, a vulnerabilidade emocional e a fragilidade econômica das vítimas, garantindo a proteção da dignidade e do patrimônio desse grupo especialmente amparado pela legislação.
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