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POLÍCIA

Médicos cubanos são vítimas de calúnia e difamação nas redes sociais em Itaituba

Os dois profissionais registraram ocorrência na Delegacia. Tudo foi motivado por uma única moradora por meio do WhatsApp 

Redação Integrada, com informações do Portal O Giro

3 de fevereiro de 2021 às 23:12

Os dois médicos cubanos tiveram suas imagens circulando em grupos do WhatsApp como se fossem ladrões

Os dois médicos cubanos tiveram suas imagens circulando em grupos do WhatsApp como se fossem ladrões ( Foto: Reprodução / Site Giro Portal )

Os médicos cubanos Yesier Socorras Guerra e Reynier Fernandez Leon, do Programa Mais Médicos, registraram ocorrência nesta terça-feira (2) na 19ª Seccional de Polícia Civil de Itaituba, relatando terem sido vitimas dos crimes de calúnia e difamação, que são crimes contra a honra objetiva, ou seja, que atingem a reputação do indivíduo perante a sociedade. Os dois profissionais foram avisados por amigos e colegas de Saúde, do município, que as imagens deles estavam circulando em grupos do WhatsApp como se fossem ladrões à procura de casas para roubar.

Tudo começou quando os dois médicos estavam tentando achar o endereço da residência do diretor da Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA), do município, Fabrício Amaral, que é novo na função.

Sem falar fluentemente o português e com dificuldade de achar a casa do diretor, os dois profissionais tentaram falar, por interfone, com a dona de uma casa que tinha interfone na frente - e foi essa mulher que após os denunciou nos grupos de WhatsApp. Os médicos falaram com ela pelo interfone porque acreditaram que era uma chance de perguntar sobre o endereço que procuravam.

A conversa foi truncada e rápida, os médicos não entenderam nada e foram embora. A proprietária, no entanto, foi para o WhatsApp avisar às pessoas que dois ladrões circulavam pelas ruas do bairro. Ela usou junto com o texto que escreveu as imagens da câmera de segurança da casa dela, em que aparecem os cubanos na frente do imóvel e tentando falar com ela ao interfone. Foi ela por o alerta sobre os supostos assaltantes em grupos de WhatsApp, e estava formada a trama virtual contra os dois profissionais estrangeiros.

De acordo com a polícia, em grupos de WhatsApp de Itaituba surgiram comentários como “caras de Manaus que a polícia está atrás”, "eles não roubaram porque eles ‘viu’ as câmeras”, diz outra participante.

"Nossa imagem ficou muito arranhada, ontem (terça-feira, 2) não tivemos cabeça nem para atender em nosso plantão porque realmente foi um momento muito constrangedor", afirmou o médico  Yesier Guerra. "Acho que é um ato de muita irresponsabilidade, você lançar uma imagem em grupos de WhatsApp sem ter nenhum embasamento de verdade", acrescentou ele.

O médico Reynier Leon também se queixou dos crimes de difamação e calúnia contra a imagem dele e do colega. "Nós trabalhamos aqui com resultados e a população dá mostras de carinho com a gente. Aí acontece uma coisa dessas. É difícil, a gente fica triste. Queremos que essa pessoa de onde saiu a mensagem com a nossa imagem pague. Nunca houve roubo. Tudo é mentira e tudo foi manipulado. Queremos reverter essa situação, limpar nossa imagem", enfatizou.

"A nossa preocupação principal agora é limpar a imagem deles, o que houve foi uma mensagem falsa vinculada à imagem deles, que são profissinais, médicos. E as pessoas por maldade, por uma interpretação errônea dos fatos, acabaram propaganda essa mensagem prejudicial contra eles", afirmou o advogado dos dois cubanos, Dennis Scherch.

O advogado informou que a investigação vai prosseguir pelos crimes de calúnia e até injúria racial contra a moradora do bairro de Buriti. Ela foi chamada para comparecer à Delegacia de Polícia, nesta quarta-feira (3) e fazer um pedido de retratação, mas a mulher não compareceu.

"Manchar a honra das pessoas em redes sociais pode caracterizar crimes de calúnia e difamação e cabe inquérito policial para investigar tais crimes e, essas pessoas podem responder por isso na Justiça", afirmou o delegado Rafael Ribeiro. Ele assegurou que buscou informações sobre os dois médicos cubanos e nada consta contra eles nos sistemas nacionais dos órgãos de segurança pública.  

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