Educadora social relata versão de homem agredido por guardas municipais dentro do Espaço Acolher
Segundo Naraguassu Pureza, que acompanhou a vítima durante o procedimento na delegacia, a agressão ocorreu após desentendimento dentro do espaço de acolhimento de Belém
O homem que vive em situação de rua, que aparece em um vídeo sendo agredido por agentes da Guarda Municipal no Espaço Acolher, em Belém, prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (3), na Seccional Urbana do Comércio. Após a oitiva, a educadora social de rua Naraguassu Pureza, que acompanhou a vítima durante o procedimento, relatou ao O Liberal a versão apresentada pelo homem sobre os fatos que antecederam a agressão registrada em vídeo.
Segundo Naraguassu, a vítima afirmou que a agressão ocorreu após um desentendimento ocorrido dentro do Espaço Acolher. De acordo com o relato prestado às autoridades, a situação evoluiu até a intervenção dos guardas municipais após a vítima pedir aos responsáveis pelo espaço que as pessoas em situação de rua que estavam do lado de fora pudessem se abrigar dentro do local devido a uma forte chuva que caía em Belém.
A educadora social acompanhou a vítima durante o depoimento para prestar apoio e garantir que ele tivesse assistência durante o procedimento policial. Ela destacou a importância de que todas as circunstâncias do caso sejam apuradas pelas autoridades responsáveis.
Naraguassu Pureza afirma que a capacidade do Espaço Acolher é insuficiente para atender a demanda de pessoas em situação de rua, especialmente durante o período chuvoso. Segundo ela, a unidade dispõe de 50 vagas, número que pode chegar a 70 em dias de chuva, mas a procura ultrapassa 400 pessoas. Ela relata que muitos usuários chegam ao local ainda durante o dia para garantir atendimento e permanecem expostos às condições climáticas enquanto aguardam a abertura do espaço.
“Quando chove, eles ficam na chuva, porque o Espaço Acolher abre seis da tarde e sete horas da manhã. Houve um acordo entre eles, os que são beneficiários, que dormem, e a coordenação, que quando chovesse, principalmente chuva forte, eles entrariam e fariam a triagem na sala de entrada”, afirmou.
De acordo com Naraguassu, o homem que aparece nas imagens da agressão era uma liderança respeitada entre os usuários do serviço e teria procurado a coordenação para reivindicar o cumprimento desse acordo durante a forte chuva registrada no dia da ocorrência. Ela afirma que, nesse momento, ocorreu a intervenção da Guarda Municipal e que o homem relatou ter sido agredido ao tentar garantir o direito acordado com a coordenação do espaço.
“O que eu, enquanto educadora, vejo? Que precisa ter processo pedagógico, regras que sejam cumpridas por eles, pelo espaço, por todo mundo. Ele foi bastante agredido, foram três, inicial, um deu gravatada. A filmagem está lá. Aí eles que estavam dentro começaram a filmar, e a gente que estava do lado de fora segurou os outros para não haver conflito maior”, declarou.
Naraguassu também criticou a ausência de ações voltadas à reinserção social e econômica das pessoas em situação de rua. Segundo ela, o atendimento atualmente oferecido pelo poder público é insuficiente para promover mudanças duradouras na vida dessa população, que necessita de oportunidades de trabalho, acompanhamento social e construção de novos projetos de vida.
“É uma população que está aí, que hoje a prefeitura só está dando comida, não tem atividade de geração de renda, não tem atividade pedagógica, não tem ocupação para eles estarem o dia todo ocupados, fazendo geração de renda, e encontrando projetos de vida para sair da rua. Então, sem isso, é muito difícil. Só dar comida e mandar para a rua, não resolve”, afirmou.
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