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Caso Bruno Mafra: cantor afirma ser inocente das acusações de estupro contra as filhas

Na quinta (26/3), a Justiça do Pará manteve a condenação de 30 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão em regime inicial fechado do réu e rejeitou os recursos da defesa do réu

O Liberal
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O cantor paraense Bruno Mafra, conhecido no cenário do tecnobrega pela atuação na banda ‘Bruno e Trio’, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (27/3) e se declarou inocente das acusações de estupro de vulnerável contra as duas filhas. Na quinta (26/3), a Justiça do Pará manteve a condenação de 30 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão em regime inicial fechado do réu e rejeitou os recursos da defesa do réu. Ainda cabe recurso.

No Instagram, ele disse que confia na Justiça e no devido processo legal, que lhe assegura o direito de responder em liberdade. “É nesse caminho, com responsabilidade e respeito, que seguirei colaborando integralmente para o completo esclarecimento dos fatos”, disse.

"Tenho consciência da seriedade do momento, mas também tenho a tranquilidade de quem sabe da própria conduta e da verdade que será devidamente reconhecida. Não entrarei em debates ou julgamentos antecipados fora do âmbito judicial. O tempo e a Justiça se encarregarão de restabelecer a verdade", acrescentou. 

Por fim, Bruno deixou uma mensagem "de calma e confiança". "Sigo firme, com dignidade, respeito e fé", concluiu. 

O caso

Segundo o processo, as denúncias vieram à tona em 2019, quando as vítimas, já adultas, relataram que sofreram abusos durante a infância. Os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2011, em Belém, quando elas tinham menos de 14 anos. De acordo com o Ministério Público, os atos libidinosos aconteceram de forma repetida, em diferentes locais, incluindo a residência da família e um veículo.

A relatora da decisão, desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias, destacou que a materialidade e a autoria delitiva encontram-se “amplamente comprovadas pelo conjunto probatório produzido nos autos”. Segundo ela, os depoimentos das vítimas são firmes, coerentes, detalhados e convergentes, descrevendo “múltiplos episódios de abusos sexuais praticados pelo acusado que se aproveitou da relação de confiança e da autoridade decorrente da figura paterna para cometer os crimes”.

“As vítimas relataram de forma independente e consistente episódios decorridos em ambientes controlados pelo réu, com modus operandi semelhante, caracterizado por isolamento, pedidos de segredo, manipulação psicológica, exibição de material pornográfico, toques íntimos e atos libidinosos, inclusive sexo oral”, disse a magistrada.

A Redação Integrada de O Liberal procurou o advogado de acusação para obter uma manifestação sobre o caso e aguarda retorno.

Nota da defesa

Em nota, a defesa do cantor, representada pelo escritório Filipe Silveira, afirmou que o processo ainda não teve decisão definitiva e que irá recorrer. Veja a nota na íntegra:

“O escritório Filipe Silveira | Advocacia, responsável pela defesa técnica, informa que o processo judicial ainda se encontra em curso, inexistindo, até o presente momento, decisão definitiva. Serão adotadas as medidas recursais cabíveis, uma vez que a defesa sustenta a existência de relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica dos atos processuais e da própria decisão proferida. 

A defesa técnica também registra preocupação com a divulgação de informações relacionadas a processo que tramita sob sigilo, circunstância que, em tese, exige rigorosa observância das restrições legais de acesso e divulgação, tanto para a preservação da regularidade processual quanto para a proteção dos direitos das partes envolvidas”, declarou a defesa do cantor.

O caso segue em tramitação na Justiça.

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