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Advogado de família de Alciely Alencar aguarda avanços no processo para julgamento do acusado

Assassinato com 80 socos chocou a sociedade

O Liberal
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O processo de julgamento pelo feminicídio de Alciely de Almeira Alencar, de 31 anos, que morreu após agressão de 80 socos pelo ex-companheiro Pedro do Nascimento Santana, avança na Justiça do Estado do Pará. O processo chegou às alegações finais. A expectativa do advogado da família da vítima Leandro Amaral é que o acusado seja levado o mais rápido possível ao Tribunal do Júri.  

A morte de Alciely no município de Tomé-Açu, no nordeste do Pará, chocou os brasileiros pela violência. Em março deste ano, Pedro do Nascimento perseguiu a ex-companheira, a derrubou de um mototáxi, e em seguida, a agrediu violentamente com dezenas de socos, quando a vítima estava indefesa caída no chão. 

Alciely morreu dez dias depois no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, após sofrer traumatismo craniano por causa das agressões. Alciele deixou quatro filhos órfãos. O caso ganhou repercussão nacional.

O advogado Leandro Amaral, que acompanha o caso desde o início representando a família da vítima, está na expectativa para o julgamento ser definido. "Nossa expectativa é de que os jurados tenham acesso a todo o contexto e façam justiça. Estamos confiantes no trabalho que vem sendo realizado e nos elementos que serão apresentados no Tribunal do Júri", declarou.

Amaral detalhou que vários detalhes do caso ajudarão os jurados a formarem suas próprias convicções. "Estamos estudando cada detalhe do processo, especialmente as circunstâncias anteriores ao crime. Não vamos levar ao Júri apenas o que aconteceu naquele dia, mas toda a história que ajuda a compreender como se chegou àquele momento", afirma.

O advogado, que irá auxiliar a acusação do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), acredita que há elementos suficientes para provar a responsabilidade de Pedro. "Existem provas e circunstâncias relevantes que precisam ser apresentadas aos jurados. Nossa função será organizar esse conjunto de forma clara, para que eles possam compreender a dinâmica dos fatos e formar sua própria convicção", ressaltou.

De acordo com ele, as agressões ocorreram várias vezes antes da morte de Alciely. A vítima sofreu várias violências do acusado. "E esse é um ponto que não pode ser ignorado. A relação era marcada por violência. Alciely já havia sido vítima de violência sexual em outras ocasiões, inclusive há registros de episódios anteriores que levaram à prisão do acusado. Portanto, não estamos falando de um episódio isolado ou de uma relação que, subitamente, se tornou violenta. Existe um histórico que precisa ser conhecido e considerado pelo Tribunal do Júri", alega.

"É justamente esse contexto que pretendemos levar aos jurados: Alciely não pode ser analisada apenas pelo momento em que perdeu a vida, mas por toda a violência que antecedeu aquele desfecho", completou.

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