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Varíola dos macacos: testagem obrigatória para planos de saúde ajuda a combater subnotificação

Quanto mais ampla a testagem da população, melhor é o combate à doença, avalia virologista

Camila Guimarães

O número de casos de monkeypox, a varíola dos macacos no Pará, saltou de 29 para 35 nesta quarta-feira (21), de acordo com atualização da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Belém continua liderando em número de casos (22). O salto se deu dois dias após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinar que a testagem para monkeypox fosse incluída no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, decisão considerada extraordinária, mas necessária diante do cenário da doença.

Para o médico virologista Caio Brito, a medida é importante para o controle do cenário pandêmico da doença, uma vez que o conhecimento mais claro sobre o número de casos impacta diretamente nas decisões em saúde pública podem ser tomadas.

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"A questão da ANS obrigar os planos de saúde a realizarem o diagnóstico da monkeypox é extremamente importante, porque ajuda a combater a subnotificação - que é um grande problema quando se fala em combate à pandemia. Se os gestores em saúde não têm clara informação sobre os casos, eles não sabem que têm que fazer políticas públicas para aquela doença", explica o especialista.

O virologista explica que justamente por causa da baixa notificação é difícil fazer uma avaliação mais precisa sobre o cenário atual da varíola dos macacos no Estado. Fator que é colaborado também pela falta de clareza da população sobre quando deve acender o alerta para a infecção por monkeypox e buscar ajuda médica.

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"Assim como é com a covid-19, no caso de monkeypox também há pessoas assintomáticas, mas que transmitem a doença. Também há pessoas que têm, sim, pequenas lesões características da varíola e que não dão a devida atenção porque é uma manifestação mais leve. Quando essas pessoas deixam de testar, ou quando os órgãos de saúde testam apenas os casos mais graves, não há um acompanhamento fiel do alastramento da doença".

Caio Brito informa que, atualmente, o isolamento de pacientes suspeitos e diagnosticados com monkeypox é o único grande instrumento em saúde no combate à doença - pelo menos enquanto a vacinação não está disponível amplamente para a população:

"Como a gente não tem uma população com grande cobertura vacinal para a varíola, a gente acaba precisando usar o instrumento do isolamento, se não a gente acaba tendo um alastramento maior", afirma.

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Diagnóstico precoce evita disseminação da doença

Por isso, contar com diagnósticos precoces, neste momento, é fundamental para evitar o espalhamento do vírus causador da varíola dos macacos, que, segundo afirma o virologista, já é considerada como uma pandemia, mas tem se manifestado em forma de surtos em várias regiões. Sobre isso, o espealista orienta quando buscar o diagnóstico:

"A pessoa tem que observar desde os primeiros sintomas, que são considerados sinais inespecíficos: febre baixa, mal estar, moleza no corpo, dor de cabeça, que podem durar até 5 dias, como se fosse um resfriado. Depois, um elemento que chama atenção para varíola são as manchas, que evoluem para bolhas e essas bolhas têm pus. Mesmo que seja só uma, já é um grande sinal de alerta. E também as ínguas, na virilha, no pescoço, ou outra parte do corpo", descreve.

No caso das bolhas e lesões na pele, sintomas mais específicos da doença, a localização mais frequente costuma ser nas extremidades: mãos, pés, rosto, genitálias e região perianal. O médico enfatiza, ainda, que qualquer pessoa pode se infectar com varíola dos macaos, independente de idade, raça, etnia ou orientação sexual. "A pessoa precisa procurar um atendimento médico, seja com um médico de família, infectologista, dermatologista ou clínico geral. O diagnóstico precisa ser feito".

Em nota enviada à Redação Integrada de O Liberal, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) informou que alerta alerta para a importância de observarmos os protocolos e diretrizes de utilização, lembrando que faltam laboratórios certificados para a realização do teste de detecção do vírus monkeypox (MPXV) por biologia molecular em todo território nacional e que nestes casos as amostras colhidas devem ser enviadas para laboratórios referência.

A associação destaca também a necessidade da validação do resultado pelo Instituto Adolfo Lutz (SP) ou o Bio-Manguinhos/Fiocruz (RJ), o que dificulta e muito o acesso para todo o sistema de saúde, ainda mais para as regiões do interior e demais Estados do país.

Além disso, o processo para o resultado do teste por biologia molecular , nestas condições, pode ser demorado e, normalmente, o quadro clínico do paciente já terá tido uma conclusão antes mesmo de sair o resultado. 

"Entretanto, é importante lembrar que a monkeypox é uma zoonose viral, cuja transmissão pode ocorrer por meio do contato com animais, seres humanos infectados e até mesmo do contato com secreções contendo o vírus. Guardando algumas semelhanças com a varíola comum, os sintomas, contudo, tendem a ser mais leves e a letalidade, consideravelmente mais baixa", finalizou o comunicado.

Pará
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