'Temos que trocar o pneu com o carro andando', diz secretária de Educação de Barcarena

Em entrevista para O Liberal, Ivana fala sobre a chegada do programa Melhoria da Educação e a construção de novas unidades de ensino na cidade

Igor Wilson

A psicóloga Ivana Ramos está à frente da Secretaria de Educação de Barcarena há cerca de 10 anos. Especialista em gestão escolar, ela é a principal responsável pelas ações no ensino público no município. Em entrevista para O Liberal, Ivana fala sobre a chegada do programa Melhoria da Educação nas unidades de ensino da cidade. Além disso, Ivana tem a incumbência de acompanhar o andamento de obras em dezenas de escolas que estão sendo reformadas no município. Só este ano, 19 unidades estão sendo construídas em Barcarena. O rendimento dos alunos em sala de aula é um desafio ainda maior. Nesta entrevista, a secretária fala sobre a realidade da educação pública do município.

 

1 - Depois de longos meses de aulas remotas e híbridas, qual o balanço que Barcarena faz deste primeiro ano de retorno às aulas presenciais? 

Sem sombra de dúvida, estamos tendo que trocar o pneu com o carro andando. A existência de um déficit de aprendizagem não é surpresa pra ninguém, mas a pandemia jogou de forma bruta essa verdade em nossos rostos. As aulas remotas e híbridas ocasionaram um afastamento físico que nos proporcionou a necessidade de agir. Barcarena se organizou com aulas de reforço para as séries iniciais, implementou a sala multimídia nas escolas e, principalmente, implementou o Programa Melhoria da Educação na escola, em parceria com o Itaú Social.

 

2 – Recentemente, a prefeitura anunciou a construção de novas escolas no município. Quantas serão? O que os alunos podem esperar deste projeto?

Barcarena vem, desde de 2013, fazendo a recuperação infraestrutural de suas unidades escolares. No ano de 2022, licitamos 19 escolas. A gestão municipal parte da premissa de que todas as unidades de ensino, independente de onde estão localizadas (campo ou área urbana), devem ter a mesma qualidade de estrutura. Sendo assim, em Barcarena, até 2023, não haverá mais escolas em madeira em nossa cidade, além da climatização das salas de aula, e a instalação de energia fotovoltaica. Os alunos podem esperar, sem sombra de dúvida, um espaço de respeito e digno para facilitar o aprendizado, não somente eles, mas nossos servidores também.

 

3 - Voltando a falar do período de pandemia, o que mais ela evidenciou na Educação de Barcarena?

A necessidade de nos modernizamos quanto à prática pedagógica. Mas, além disso, o fortalecimento do papel social da educação. A pandemia deixou sequelas psicológicas em todos, e lidar com isso não tem sido fácil. A necessidade também do fortalecimento da tríade educação, saúde e assistência é fato. A educação está vivendo um tempo novo, um tempo que não basta garantir estrutura e professor, mas, sim, rever seu fazer pedagógico com planejamento, controle e constante revisão do fazer. Não basta ensinar, mas respeitar as diversas formas de aprender, garantindo equidade de direitos.

 

4 - Como será o futuro da Educação de Barcarena após a experiência de ensino remoto?

Nosso futuro será decorrência do que já estamos procurando implementar no presente. Além de unidades escolares com estruturas adequadas, maior equidade de direitos, através de um acompanhamento individualizado, que busque, primeiramente, reconhecer as necessidades de nossos alunos mas, principalmente implementar ações, sejam elas pedagógicas, sociais, psicológicas, que garantam condições de aprendizagem a todos os alunos. Sem esquecer nossos servidores que, por sinal, pela primeira vez em Barcarena, poderão realizar mestrado em Educação, em nosso município, fruto de uma parceria prefeitura de Barcarena/UFPA, bem como uma formação em trabalho de todos os gestores escolares, por meio da parceria de prefeitura de Barcarena e UEPA, além de formação dos professores de matemática e língua portuguesa (prefeitura/Barcarena/Itaú Social e IQE).

 

5 - Como frear o abandono escolar crescente com a pandemia?

Fala-se muito na evasão escolar, e muitas vezes deixamos de avaliar uma variável que pode estar diretamente relacionada a ela: distorção idade/série. A falta de perspectiva de futuro, através da educação, acarreta em nossos jovens um sentimento de menos valia e, por que não dizer, o enfraquecimento de constância de propósito. Em Barcarena, a estratégia adotada é a busca de um acompanhamento mais individualizado dos alunos, é claro, tendo como instrumento a informatização do controle dos dados escolares. E, por fim, uma busca ativa que garanta que todos estejam na escola. Há necessidade de não normatizar as faltas e ausências de nosso alunado. A presença/permanência dos alunos na escola tem que ser ponto estratégico para a gestão escolar.

Pará
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